Cotidiano

Chega de desperdício

diario da manha

O deputado estadual Jeferson Rodrigues, do PRB, está muito preocupado com um problema que afeta a todos e que, até agora, não desperta maior atenção: a crise hí­drica. De uns anos para cá, os ciclos climáticos estão cada vez mais ir­regulares. Secas prolongadas, chu­vas torrenciais. A água vai ficando cada vez mais escassa.

A água po­tável precisa ser produzida, o que gera custos e atribui valor monetá­rio para um bem que já foi gratui­to, fato que está na base da teoria da utilidade marginal, de Jevons, cujas premissas fundamentam as doutri­nas da Escola Austríaca, corrente de pensamento econômico em voga no Brasil. Já que temos que pagar pela água que bebemos, as doutri­nas de Von Mises, Hayeck e outros vão por água abaixo.

Jeferson é o autor de uma lei es­tadual que institui o “mês estadual do uso correto da água”, aprova­da no dia 29 de novembro último e aguardando sanção. Também é de autoria dele uma lei, aprovada em 29 de novembro, que modifi­ca a legislação estadual que dispõe sobre agricultura irrigada. Quem observar atentamente o noticiá­rio verá que a agricultura irriga­da, que já foi vista como a salvação da lavoura, tornou-se a grande vilã de certo conservacionismo para o qual um mundo feliz seria um mundo sem nenhum pivô central.

Atualmente, Jeferson está arti­culando a “Frente Parlamentar da Água”, com o objetivo, diz ele, de dis­cutir a questão pertinente à con­servação e ao uso racional da água, especialmente com vistas à preser­vação, proteção e recuperação de mananciais, redução das perdas e minimização dos desperdícios”.

Segundo Jeferson, a crise hídri­ca será enfrentada com o uso ra­cional da água. Por uso racional, entenda-se uso eficiente, levan­do em conta a saúde pública e a preservação ambiental. Fazer de conta que o problema não exis­te só serve para agravá-lo. Não se trata de alarmismo barato, mas é preciso que todos saibam que não se pode mais usar prodigamente a água. É preciso ter parcimônia.

Por isso o seu projeto aprova­do, que dispõe sobre a política estadual de agricultura irrigada, estabelece categoricamente que o órgão responsável pela outor­ga de concessão de uso de água dos grandes rios, para fins irriga­tórios, ou para captação do pre­cioso líquido visando o abasteci­mento das cidades, fará constar, no instrumento outorgante, que de agosto a outubro deverá ocor­rer uma redução de 100% no uso dos recursos hídricos.

Segundo Jeferson, de agos­to a outubro a escassez de água é maior, de sorte que a proibição do uso de água para irrigação nes­te período visa assegurar seu uso para atendimento das necessida­des humanas.

Medidas meramente proibiti­vas tendem a ser pouco eficazes se não houver adesão da socie­dade. Assim, informa Jéferson, a criação da Frente da Água apos­ta na criação de uma consciência preservacionista. A Frente preten­de promover estudos e debates so­bre esta questão, realizar audiên­cia públicas, além de promover a articulação com os diversos seg­mentos interessados na matéria. Será uma frente suprapartidária.

“Para atender uma demanda cada vez maior, é necessário que rotinas e hábitos sejam revistos para um melhor aproveitamento da água”, afirma o deputado. Ele ar­gumenta que em países desenvolvi­dos os programas de aproveitamen­to das águas pluviais já representam um alívio de 30% sobre as fontes convencionais de captação.

Segundo Jeferson, estudos cien­tíficos demonstram que a irrigação da lavoura pelo sistema de asper­são acaba desperdiçando 60% da água. É água que evapora ou fica em suspensão como microgotícu­las que apenas aumentam a umi­dade do ar circundante. Já o siste­ma de gotejamento asseguraria um aproveitamento de 95% da água.

Jeferson pretende que, no “mês estadual do uso correto da água”, campanhas de esclarecimento se­jam realizadas visando combater o desperdício ou uso irracional da água, e que promovam sistemas de captação e armazenamento de água das chuvas para fins domés­ticos, industriais e agriculturais, além, é claro, de estimular práti­cas de reutilização da água. O Mês do Uso Correto da Água, segundo a lei, entrará no currículo das escolas públicas e privadas, desde a edu­cação infantil até o ensino médio.

Jeferson completou apenas um ano de mandato. Sufragado nas ur­nas com mais de 36 mil votos, ele não pôde assumir porque o PRB não alcançou o coeficiente eleito­ral. É que os oito mil votos do can­didato Gil Tavares não foram com­putados pela Justiça Eleitoral. Gil Tavares, que fora prefeito de uma cidade do interior, teve problemas com suas contas e, com isso, o re­gistro de sua candidatura foi cas­sado depois de realizado o pleito.

O PRB brigou na Justiça pela convalidação dos votos de Gil Ta­vares. Finalmente, no final do ano passado, o TSE convalidou os vo­tos de Gil. Com isso, o PRB alcan­çou o coeficiente eleitoral e con­quistou, ainda que dois anos de atraso, uma cadeira no parlamen­to goiano. O deputado Santana Gomes, do PSL, perdeu a vaga para Jeferson, que é pastor da Igre­ja Universal do Reino de Deus.

 

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