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Estudante chama colega negro de "escravo" 

diario da manha
Foto/Reprodução/G1 São Paulo

Um aluno do 4º semestre do curso de Administração de Empresas foi acusado de cometer racismo após compartilhar em um grupo do whatsapp a foto de um colega negro e o chamar de “escravo”. O caso ocorreu na última terça-feira (06/03), na Faculdade Getulio Vargas (FGV), no Centro de São Paulo.

Na foto, o acusado escreveu: “Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!”. A vítima fez um post no grupo da GV do Facebook para contar como se sentia.“Tão perto de mim…porque não foi falar na minha cara? Mas você optou pela atitude covarde de tirar uma foto minha e jogar no grupo dos amiguinhos. Se seu intuito foi fazer uma piada, definitivamente você não tem esse dom. Acha que aqui não é lugar de preto? Saiba que muito antes de você pensar em prestar FGV eu já caminhava por esses corredores. Se você me conhecesse, não teria se atrevido. O que você fez além de imoral é crime! As providências legais já foram tomadas e você pagará pelos seus atos”, desabafou.

A vítima ainda acrescentou que não vai “descansar” até ver o jovem expulso da instituição e que a mensagem servia também para outros que pensavam igual ao acusado. Foi feito o boletim por injúria racial na última quinta-feira (08/03), no 4º Distrito Policial da Consolação, na região central da cidade.

Em nota, a FGV escreveu que o ofensor foi suspenso por três meses. O Diretório Acadêmico Getúlio Vargas também se manifestou em nota dizendo: “Reiteramos, ainda, nosso profundo repúdio ao ocorrido. Nossa gestão assumiu o DAGV com o compromisso de trabalhar junto aos coletivos por uma faculdade mais inclusiva e democrática, e por um ambiente universitário verdadeiramente acolhedor a todos e todas que nele estão”

O coletivo negro “20 de Novembro FGV” se manifestou dizendo:

“Vivemos num país livre. Infelizmente essa liberdade muitas vezes é tão somente formal. As desigualdades de renda, classe, gênero e de cor nas terras de Machado de Assis, Dandara, Luís Gama, Carolina de Jesus, Joaquim Barbosa e Thais Araújo, nos dizem que indivíduos ainda são cerceados de ser quem realmente são. Negros e negras são minoria nas prestigiadas instituições de ensino superior. Homens negros são a maior parte da população carcerária do país. Mulheres negras sofrem duas vezes mais com o feminicídio do que mulheres brancas. Crianças negras são a grande maioria do corpo discente do péssimo ensino público. LGBTSsnegros fazem parte de uma das populações mais vulneráveis para o desenvolvimento de doenças mentais. Sendo assim, o coletivo 20 de novembro se levanta e diz: Basta!”

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