Cotidiano

"O Brasil compra mais pesticida do que qualquer outro país"

Um levantamento feito pela Unearthd em parceria com a ONG suíça Public Eye, concluiu que a maior parte dos agrotóxicos, classificados como "altamente perigosos" têm como destino, em sua maioria, países emergentes, como Brasil e Índia, e países pobres.

diario da manha
Foto; Reprodução

Um levantamento feito pela Unearthed, organização jornalística independente financiada pelo Greenpeace, em parceria com a ONG suíça Public Eye, concluiu que a maior parte dos agrotóxicos, classificados como “altamente perigosos” têm como destino, em sua maioria, países emergentes, como Brasil e Índia, e países pobres.

A publicação alerta que “quase metade (41%) dos principais produtos das gigantes agroquímicas Basf, Bayer, Corteva, FMC e Syngenta contêm pelo menos um pesticida altamente perigoso (HHP,) sigla em inglês para highly hazardous pesticides)”, prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Ainda de acordo com a Unhearted, as vendas desses pesticidas, representaram 35% da receita das cinco multinacionais e mais de dois terços das vendas foram feitas a países emergentes, sendo o Brasil o principal mercado.

“O Brasil compra mais pesticida do que qualquer outro país”, diz a publicação. “A aprovação de novos produtos pesticidas por reguladores brasileiros, incluindo os que contêm HHPs, cresceram nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Veneno nas plantações

Em 2019, um juri de San Francisco, nos Estados Unidos, decidiu que o herbicida Roundup, à base de glifosato é o principal ingrediente ativo de diversos pesticidas usados em plantações e jardins. De acordo com o estudo, o uso desse pesticida, nas lavouras é um “fator importante” no desenvolvimento do câncer do homem.

No mesmo ano, nos Estados Unidos, há cerca de 11,2 mil ações judiciais contra o Roundup a ir a julgamento Em agosto do ano passado, a Monsanto foi condenada em primeira instância, na justiça americana, a pagar uma indenização de US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) para um homem com câncer e posteriormente reduzida para US$ 78 milhões, em fase de recurso.

Mesmo sabendo disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propôs manter liberada a venda de glifosato no Brasil. por achar que não haveria evidências científicas de que a substância é cancerígeno. De acordo c om os estudos, o pesticida é responsável pelo linfoma Hodgkin (LNHm) além de outros tipos de câncer, incluindo por mutações e má formação em fetos.

Com informações da BBC

Comentários