Cotidiano

Fake News, a pandemia da informação

Desmistificando um pouco mais a respeito das desinformações denominadas “fake news” presentes na atualidade, atuando como forma prejudicial no campo da comunicação.

diario da manha

Para começar a falar de “fake news” primeiramente precisamos desmistificar o  próprio termo usado, não que seja errado a nomenclatura utilizada para se referir a informações não verdadeiras, mas como o próprio nome já diz em inglês “news” que no português significa notícias, não é adequado o uso desse termo, quem produz notícias são jornalistas, qualquer outro texto com informações inverídicas não são produzidos por profissionais da comunicação – obviamente existem exceções – e sim por pessoas dissimuladas com o propósito de espalhar inverdades, jornalista quando produz alguma informação equivocada é denominado “barriga”, então, qualquer outra coisa que fuja disso o mais adequado a se dizer é desinformação ou mentiras em massa.

Existem sites e portais exclusivamente para a propagação desse tipo de conteúdo, usam características e identidade visual de sites ou páginas jornalísticas sérias para enganar o maior número de pessoas com esses dados irreais

Feito essa observação agora de fato podemos falar sobre as desinformações, talvez algumas pessoas possam pensar que essa comparação metafórica de notícias inverídicas com a pandemia seja um exagero ou algo sensacionalista, mas se pararmos para analisar tem todo sentido tal comparação, pois é algo que compromete a comunicação mundial em todos os âmbitos, atrapalha o trabalho do jornalismo pois a todo momento é necessário estar desmentindo esses boatos que são espalhados, sempre com intuito de favorecer ou prejudicar alguém e também para aplicação de  golpes. 

As desinformações sempre existiram. No mundo esse assunto estourou nas eleições para presidente dos EUA em 2016 – embora já exista desde os séculos passados – , no Brasil começou a ser discutida amplamente e virou pauta em vários debates após as últimas eleições presidenciais (2017/2018), foi aí que o termo “fake news” ganhou ainda mais popularidade no país.

Disseminada principalmente por grupos em aplicativos de mensagem e mídias sociais esses boatos logo ganham grandes proporções e são compartilhado por milhares de pessoas em uma velocidade alarmante, tivemos exemplos desde coisas mais triviais até assuntos mais sérios que envolviam questão de gênero e atingia diretamente grupos de minorias. 

Apesar do termo “fake news” ser algo relativamente novo, não se tem uma data de  quando surgiu, segundo o site Brasil Escola, antigamente até o século XX eram chamadas de “False News” muito usada já anos antes  por escritores como modo de prejudicar seus desafetos através de mentiras publicadas. 

Assim como as grandes pandemias que ocorreram ao longo da história da humanidade e prejudicaram diversas nações e povos, as desinformações atrapalham a comunicação, tirando a credibilidade do jornalismo comprometido em informar os fatos, causando dúvidas ao público no que acreditar e o que pode ser verdadeiro ou não. A informação e a comunicação estão sempre em uma constante guerra para tentar combater essas práticas maliciosas. 

Por se tratar de textos escritos com o intuito de mexer com as sensações do leitor, causar empatia e sentimentos para quem recebe, esse conteúdo tem grande facilidade de viralizar nas redes sociais e ser transmitido por pessoas desatentas que não checam as informações antes de transmiti-las para seu círculo social, majoritariamente o público alvo dessas mentiras em massa são pessoas com menor grau de escolaridade, que tornam-se presas fáceis desses cibercriminosos da comunicação, e até mesmo pessoas mais instruídas que são facilmente enganadas com esses conteúdos principalmente voltados à política. (Brasil Escola

Uma mentira contada diversas vezes torna-se verdade” de modo geral essa frase não está correta, uma mentira contada muitas vezes vira um boato, fofoca, burburinho e vários outros termos e adjetivos que poderíamos empregar aqui, uma mentira por mais replicada que ela seja nunca será uma verdade, o que pode acontecer é toda uma sociedade viver debaixo de conteúdos enganosos por muito tempo, conteúdos estes que são usados como propagandas, tanto para promover alguém ou algo, quanto para prejudicar todos os atingidos nessas situações. O jornal El País fez uma afirmação muito válida sobre essa discussão e afirma que; 

“…entre notícias falsas e propaganda: ambas crescem e se multiplicam no mesmo ecossistema, mas não são exatamente iguais. A propaganda procura convencer, ser eficaz, e para isso pode recorrer a todo tipo de instrumento, da arte e do cinema aos pasquins e redes sociais. As notícias falsas, um dos ramos da propaganda, são diferentes: procuram enganar, criar outra realidade.” (El País, 2018)

Um termo interessante usado neste texto do El País, refere-se a esse tipo de  conteúdo como mentiras em massa já que atinge um expressivo número de pessoas, que deixam de acreditar nos meios midiáticos sérios e confiáveis e passa a se informar  somente através das mídias sociais, um ambiente virtual que esse conteúdo tem grande força devido a facilidade de compartilhamento.

Um padrão a ser observado na maioria dos casos, que talvez seja uma espécie de modus operandi¹  desses grupos de cibercriminosos da comunicação, é colocar em descrédito os meios jornalísticos e a imprensa fazendo com que a grande massa heterogênea comece acreditar que estes estão tentando alienar a população publicando mentiras e que somente vão conseguir ter acesso à “verdade” caso consumam o jornalismo independente de redes sociais já que afirmam que, por não possuir vínculo com nenhuma instituição sua liberdade de expressão não pode ser censurada ou colocada em cheque, e tudo publicado ali é algo totalmente exclusivo ou um furo de notícia que os meios convencionais jamais vão noticiar. Cabe ressaltar que a crítica feita aqui não está relacionada ao jornalismo independente ou a mídia ninja, foi feito apenas uma observação de como essas (des)organizações agem para se infiltrar na cabeça das pessoas e convencê-las acreditar em suas inverdades.


¹ modo pelo qual um indivíduo ou uma organização desenvolve suas atividades ou opera (Oxford Languages)

A comunicação e principalmente o jornalismo ainda trava uma grande batalha contra as mentiras em massa propagadas com a ajuda da internet atualmente, esse árduo caminho é uma concorrência covarde e desleal, enquanto o profissional comunicólogo preza pela verdade, informação imparcial e o compromisso social que o jornalismo tem, os outros meios pregam o caos e desordem no âmbito comunicacional, talvez a melhor reflexão que podemos fazer neste momento seria como o jornalismo pode se reinventar no século da “fake news” e evitar que esse tipo de desinformação seja propagada? Isso afeta não só a “saúde” da” informação em si, mas também coloca em baixa a autoestima dos profissionais da área ao ver todo seu trabalho caindo em descrédito enquanto uma mentira é tida como “verdade absoluta”.

Uma dúvida recorrente em relação ao ambiente online, é se as mídias sociais no  geral ajudam ou prejudicam o jornalismo contemporâneo comprometido com a verdade, um pensamento próprio e que talvez seja da grande parte dos profissionais jornalistas é que a internet veio sim para auxiliar o novo jornalismo na atual fase em que vivemos, não podemos descartar os inúmeros benefícios sociais, ambientais e comodidade que isso nos proporcionou. 

Mas em todos os aspectos, agora num modo geral independente da área, as novas ferramentas tecnológicas trouxeram benefícios e novos desafios a serem enfrentados. Os malefícios não é exclusividade da comunicação, os serviços de aplicativos e sites de um modo geral tem oferecido ferramentas para a checagem dessas informações repassadas com a finalidade de diminuir a transmissão de fatos duvidosos e inverídicos.

Um aplicativo de mensagens bastante popular no Brasil já conta com uma opção de verificação de notícias em parceria com um grande site de buscas no qual consiste em textos que são repassados muitas vezes serem sinalizados com uma espécie de “lupa” para confirmar a veracidade ou a inautenticidade do conteúdo ali repassado na mensagem.

Em uma rede social destinada ao compartilhamento de fotos, caso o usuário publique algo com uma informação enganosa é gerado um alerta abaixo da postagem informando que aquele conteúdo não é verdadeiro direcionando a um site confiável – às vezes a sites de agências de notícias – esclarecendo aquela informação.

Em um contexto geral as mídias sociais onde essas mentiras em massa são altamente propagadas tem feito seu papel para auxiliar o jornalismo no combate a esse mal do século, desinformações vão sempre existir, mas com os novos recursos disponibilizados ficarão cada vez mais fácil combater e desmenti-las.

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