Cotidiano

Polícia apreende aeronaves que transportavam drogas a Anápolis

As aeronaves eram preparadas para aumentar a autonomia de voo e a capacidade do transporte das drogas

diario da manha

Após o desaparecimento do piloto Ivo Benassi Billegas, 39 anos, em 21 de fevereiro de 2018, a Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO), por meio de seu Grupo Antissequestro (GAS), deflagrou, no dia 13 de janeiro de 2020, a Operação Voo Cego. O piloto decolou em Anápolis e não foi mais localizado. Com o avançar das investigações, os policiais civis descobriram que o piloto desaparecido realizava voos em aeronaves para o tráfico de drogas e que mais outros dois pilotos de Anápolis também encontravam-se desaparecidos.

Segundo a PCGO, foi verificado que os pilotos desaparecidos eram ligados a um grupo criminoso baseado em Anápolis e que utilizava o aeroporto da cidade como base.

De acordo com as diligências, a organização criminosa cooptava pilotos de aeronaves para realizarem voos com o propósito de buscar drogas em países vizinhos, principalmente na Bolívia, e realizar a preparação de aeronaves para o tráfico, modificando-as para aumentar a autonomia de voo e a capacidade de carga.

PCGO apreende aeronaves. Reprodução/PCGO

Os aviões eram reabastecidos durante o voo através de galões de combustível, faziam voos extremamente baixos para fugir do controle do espaço aéreo e com equipamentos de localização, como transponder, desligados. Os voos, portanto, eram extremamente arriscados.

Dois membros da organização criminosa foram alvo de mandados de prisão temporária, sendo apreendidos com um deles uma pistola calibre 380 e um revólver calibre 38 sem registro.
Além disso, os policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em hangares do aeroporto de Anápolis, que resultaram na apreensão de 07 aeronaves suspeitas de serem utilizadas pelo grupo nos voos clandestinos. São elas:

  • 01 Piper Sêneca
  • 02 Embraer Sêneca
  • 01 Piper PA18
  • 01 Embraer Minuano
  • 01 Paulistar Experimental
  • 01 El Commando Agrícola

As investigações também apontaram a existência, em um bairro residencial da cidade de Anápolis, de um galpão utilizado pela quadrilha onde foram apreendidas mais 04 aeronaves sendo reformadas e preparadas, bem como farta quantidade de peças e partes de aviões.

As aeronaves encontradas no galpão não possuíam qualquer tipo de identificação. Em regra, tratam-se de aeronaves furtadas ou importadas ilegalmente que, depois de reformadas e remontadas, são nelas inseridos os prefixos de outra do mesmo modelo (uma espécie de clonagem) e, a partir daí, utilizadas para atividades ilícitas, como tráfico de drogas e uso em garimpos ilegais.

Os investigados no inquérito policial devem ser indiciados pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. De acordo com as investigações, os três pilotos desaparecidos foram vítimas de acidente aéreo, provavelmente ocorridos fora do Brasil.

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