Cotidiano

Fábrica da Heineken em MG é embargada de construir cervejaria em sitio arqueológico

O sitio arqueológico que fica em Minas Gerais e lá foi encontrado o crânio mais antigo da América do Sul

diario da manha
Foto/Reprodução

O espaço onde a empresa Heineken deseja construir a cervejaria, foi o local onde foi encontrado o esqueleto mais antigo da América do Sul. O sitio arqueológico que fica em Minas Gerais, agora corre o risco de ser soterrado se a construção da fábrica for adiante.

De acordo com os fiscais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as obras de uma fábrica da cervejaria Heineken em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, estão paralisadas. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente enviou ofício para o governo mineiro, que já havia concedido a licença prévia para a construção, e aplicou duas multas na empresa que somam R$ 83 mil.

A construção da fábrica foi um acordo entre a empresa e o governador Romeu Zema. O político postou nas redes sociais um vídeo exaltando a atração de um investimento de R$ 1,8 bilhão para o Estado. Porém a “dinamicidade” declarada pelo governo, implicou em estudos de impacto ambiental insuficientes e colocou água no chope do empreendimento, que previa a criação de 350 empregos diretos. “Os impactos [à Área de Proteção Ambiental Carste Lagoa Santa, vizinho à construção da fábrica] são desconhecidos e imprevisíveis”, afirmam os fiscais do ICMBio.

O ICMBio ressalta que os estudos apresentados pela Heineken e aprovados pelo governo mineiro são falhos e que a construção da cervejaria pode afetar fatalmente a caverna Lapa Vermelha 4, onde foi encontrado o crânio de Luzia (o esqueleto mais antigo da América do Sul). O órgão classifica a concessão da licença ambiental do governo mineiro como “uma grave falha”, podendo afetar a dinâmica da drenagem da água na região. “A retirada de água do subsolo poderá implicar em consequências danosas ao meio ambiente”, afirma em nota os fiscais.

“Qualquer coisa que mexa na dinâmica de água subterrânea do carste [relevo caracterizado pela corrosão das rochas] é um desastre”, afirma o arqueólogo, biólogo e antropólogo Walter Neves, conhecido como “pai de Luzia”.

Em posicionamento, a Heineken disse que forneceu todos os documentos, dados e estudos técnicos para obter a licença ambiental e que estava ciente de que a licença seguia o processo normal. Após receber duas duas multas do ICMBio, a empresa disse que suspendeu a atividade de terraplanagem após a ação dos fiscais. Disse também que está à disposição dos órgãos envolvidos. Destacou ainda que “reforça seu profundo compromisso com a preservação do meio ambiente e com a legislação ambiental em vigor“.

A Semad disse que soube das considerações do ICMBio em 14 de setembro e que está analisando tecnicamente.

“Caso sejam confirmadas as irregularidades apontadas pelo Instituto, a Semad deverá encaminhar ao ICMbio os esclarecimentos necessários para a elucidação dos fatos”.

O sitio arqueológico em que foi encontrado o esqueleto que serve como chave para explicar a história das Américas. Sobre a onda migratória que ocorreu há uns 14 mil anos e foi composta por indivíduos parecidos com ‘Luzia’. O arqueólogo Walter Neves, entende que ainda há muito a ser escavado nas cavernas da Lapa Vermelha e ainda ressalta ser improvável que ainda seja encontrado um esqueleto lá, mas não impossível. “É um dos sítios arqueológicos mais importantes das Américas”, definiu.

Em setembro de 2018, o crânio de Luzia foi atingido pelo incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, sendo que 80% dos fragmentos foram encontrados nos destroços.

Com dados do UOL*

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