Cotidiano

Inovações no tratamento do câncer de mama diminui a necessidade da quimioterapia no pós-operatório

Com inovações em oncologia clínica, alguns tipos de câncer de mama inicial que apresentam receptores hormonais positivos (luminais) com melhor prognóstico, muitas vezes sem indicação de quimioterapia pós-operatória (adjuvante).

diario da manha
Dr Gabriel Felipe Santiago Formado pela Unicamp Médico Oncologista

“Os exames chamados de Oncotype Dx, Mammaprint e Breast Cancer Index são inovações na área de oncologia para o tratamento do câncer de mama. São novos testes na área de câncer de mama baseados em biologia molecular e análise gênica. Então através destes testes algumas pacientes podem ser poupadas de quimioterapia. Muitas vezes uma paciente que não tem uma indicação muito formal de quimioterapia ou que parece que tem, na verdade através da realização desses testes, a gente vê se ela pode ser poupada da quimioterapia, que é tratamento muito pesado”, explica o médico oncologista Gabriel Felipe Santigo, especialista em Oncologia Clínica.

Os exames classificados como assinaturas moleculares com foco em análise gênica têm como objetivo selecionar pacientes que vão se beneficiar com a quimioterapia adjuvante. O estudo mostrou que Oncotype DX pode reduzir a indicação de tratamento quimioterápico em até 70% dos casos para pacientes com tumores luminais.

Oncotype Dx

Teste que analisa a biologia do tumor através da atividade de 21 genes. Indicado para pacientes com câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos na determinação do benefício do uso da quimioterapia adjuvante.

Os resultados do teste são incluídos em uma fórmula que gera o resultado do Recurrence Score (RS). O número entre 0 e 100 fornece informações sobre a possibilidade de retorno da doença em um período de 10 anos e se há benefício com a quimioterapia pós-operatória.

Indicado para pacientes com doença inicial localizada, com receptores hormonais positivos, tratadas com cirurgia. Pacientes que apresentam doença de alto risco pelo exame (RS acima de 25) têm indicação de quimioterapia adjuvante seguida de hormonioterapia (e supressão da atividade dos ovários na pré menopausa). Pacientes com doença de baixo risco (RS abaixo de 16 ) têm indicação de hormonioterapia adjuvante apenas .

Pacientes com doença de risco intermediário ( RS de 16 a 25 ) têm indicação de hormonioterapia isolada se estiverem na menopausa e de supressão da atividade dos ovários associada a hormonioterapia na pré menopausa ( e uso de quimioterapia em casos selecionados ).

Mammaprint

É o tipo de teste que analisa 70 genes e o comportamento da doença calculando o risco de recorrência como alto ou baixo. Tem sua principal indicação em pacientes com alto risco clínico. Alto risco pelo teste (genômico) associado a alto risco clínico tem benefício com a quimioterapia. Alto risco clínico associado a baixo risco genômico não tem benefício com quimioterapia para pacientes na menopausa.

Não é indicado para pacientes com doença de baixo risco clínico e tem indicação duvidosa para pacientes na pré menopausa segundo atualização da ASCO em 2020.

Estudo com 5000 ( RxPONDER ) pacientes com diagnóstico de câncer de mama com receptores hormonais positivos e HER2 negativo com 1 a 3 linfonodos axilares positivos tratadas com cirurgia e sem metástases à distância com RS de 25 ou menos avaliou benefício do uso de quimioterapia pós operatória ( adjuvante ).
Maior parte das pacientes na menopausa ( 66,8%) , apenas 9,2% com 3 linfonodos positivos .
Pacientes na menopausa não se beneficiaram da quimioterapia .
Pacientes na pré menopausa se beneficiaram da quimioterapia com aumento da sobrevida livre de doença invasiva.
Como conclusão , temos que pacientes na menopausa com doença localizada com receptores hormonais positivos , HER 2 negativo , e RS abaixo de 26 com até 2 linfonodos axilares comprometidos não tem benefício com a adição de quimioterapia adjuvante ( pós operatória ).

Breast Cancer Index

Esse é o teste que determina o tempo de tratamento com hormonioterapia adjuvante para pacientes com tumores luminais. Avalia a necessidade de se estender a hormonioterapia adjuvante por período superior a 5 anos.

Assinaturas moleculares com foco em análise gênica são ferramentas que auxiliam na determinação do benefício do tratamento com quimioterapia pós operatória ou da extensão da hormonioterapia adjuvante. Podem poupar pacientes de tratamentos desnecessários e indicar terapia complementar para pacientes que tradicionalmente seriam excluídas destes protocolos , proporcionando ganho em sobrevida livre de doença

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