Cotidiano

Papa anuncia mudanças na igreja

Chamada do Sínodo propõe mudanças na conduta da igreja Católica; em dois anos, religiosos realizarão suas deliberações

diario da manha
Papa Francisco prepara mudanças na estrutura e linguagem católica: religiosos terão dois anos de estudo

De tempos em tempos a Igreja Católica muda suas orientações. Adequa sua interpretação do cristianismo ao espírito do tempo. É assim desde a Idade Média. O problema é que os católicos demoram e são protocolares. Não raro, ficam séculos em silêncio.

O papa Francisco anunciou no domingo a abertura para a temporada de mudanças.

Ele conclamou o Sínodo, um evento de “graça” para estar “aberto às surpresas do Espírito”.

Conforme a Igreja Católica, a “palavra de Deus guia o Sínodo, para que não seja uma convenção eclesial, um convênio de estudos ou um congresso político, mas um evento de “graça”, um processo de cura conduzido pelo “Espírito Santo”. As palavras do papa para inaugurar o momento sinodal ocorreu na Basílica de São Pedro. “Encontrar, escutar, discernir”, disse Francisco na sua homilia de abertura do processo sinodal.

O Sínodo dos Bispos ocorrerá daqui dois anos e pode tudo. Vai depender das proposições e deliberações. A igreja Católica, por mais que seja uma pessoa jurídica de direito público na Europa e física nos países, tem certa democracia para debates. Daí que esteja no foco liberalidades, ordenança de mulheres, aproximação com a comunidade LGBT, maior militância pelo meio ambiente e luta contra desigualdades. Mas pode ser que nada mude.
Francisco afirma que se inspirou no Evangelho que apresenta um homem rico que foi ao encontro de Jesus enquanto o mestre se punha a caminho. “Jesus não tinha pressa, não olhava o relógio para acabar rápido o encontro. Estava sempre a serviço da pessoa que encontrava, para ouvi-la. Rico ou pobre.”

Para ele, a igreja precisa ouvir os seres humanos. “Deus não habita em lugares assépticos e pacatos, distantes da realidade, mas caminha conosco”, disse o papa. “Nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade?”.

Nas entrelinhas, o papa deixa claro que a igreja não pode perder o ‘timing’ e deve abraçar o mundo no avanço natural do tempo. Ele sabe como religiões morrem – e o anacronismo é o maior defeito. Nisto, ela avança, deixando boa parte das igrejas evangélicas presas nas crendices, taras por dinheiro e conservadorismos bizarros diante da contemporaneidade. Quase estatal, a igreja Católica está livre para pensar e agir.

“Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros. É descobrir, maravilhados, que o Espírito Santo sopra de modo sempre surpreendente para sugerir percursos e linguagens novos.”

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