Cotidiano

Professor de sociologia é demitido de escola após Gustavo Gayer denunciar "doutrinação"

O motivo da demissão foi a exposição da questão pelo blogueiro bolsonarista Gustavo Gayer, sob a alegação de que Osvaldo estaria "doutrinando" os estudantes, os alunos, por sua vez, protestaram contra a demissão do professor nos intervalos das aulas na quarta-feira, 29

diario da manha
Osvaldo Machado, professor de Sociologia lecionava no colégio há seis anos. (Foto: Arquivo pessoal)

Uma escola particular, situada no alto do Setor Bueno, em Goiânia, demitiu o professor de Sociologia, Osvaldo Machado, após a aplicação uma lista de exercícios para alunos, na qual continha uma charge que critica a violência policial no Brasil.

O motivo da demissão foi a exposição da questão pelo blogueiro bolsonarista Gustavo Gayer, sob a alegação de que Osvaldo estaria “doutrinando” os estudantes. Já os alunos, por sua vez, protestaram contra a demissão do professor nos intervalos das aulas na quarta-feira, 29.

Na questão da prova, havia uma tirinha questionando “qual o elemento do Estado que está sendo retratado”, abaixo, um dos personagens do cartunista André Dahmer, que comenta sobre mais um assalto em São Paulo no primeiro quadro. No segundo, o personagem afirma que “ainda bem que temos a polícia para combater a violência em prol…”, e no terceiro e último, finaliza com: “…da barbárie”.

Gayer publicou um vídeo em seu canal no YouTube alegando que o professor estaria “doutrinando” os estudantes.

“O professor de sociologia ensinando para os jovens que a polícia causa barbárie. Odeia a polícia, mas ama os bandidos”, disse em uma parte do vídeo.

Osvaldo, que trabalhava na escola há seis anos, afirmou que viu o vídeo na segunda-feira, 27, e demitido na terça, 28. Disse também que a questão não se tratava sobre polícia ou bandido, mas sobre o aspecto do estado.

“Esse vídeo produziu enorme desconforto. A questão na prova, com a utilização da tirinha, não era sobre polícia ou bandido, mas sobre o aspecto do estado”, alegou o professor.

Motivo desproporcional

“No dia seguinte (terça-feira), percebi algo estranho. A diretora me chamou e, depois da aula, quando me apresentei, fui surpreendido com o anúncio da demissão. Considerei o motivo desproporcional”, desabafou Osvaldo.

Ele afirma ainda que foi vítima da ideia de escola sem partido, de violência psicológica e econômica, mas que conta com o apoio dos pais, alunos e professores do colégio que o demitiu.

Ao Diário da Manhã, o Colegio Visão enviou uma nota, que segue na íntegra.

“A escola possui um Código de Conduta que veda manifestações políticas, partidárias ou ideológicas em ambiente escolar. A direção do Colégio mantém um canal de diálogo aberto com alunos e familiares, sempre pautando suas ações no Código de Conduta.”

Já Gustavo Gayer afirmou que tentou “salvar” alunos de “doutrinação”.

“Esse aqui é um rápido recado para todos os adolescentes que, infelizmente, foram doutrinados e estão vindo em minhas redes sociais me xingar, ameaçar e atacar: eu não tenho raiva de vocês. Na verdade, estou fazendo isso para salvar vocês. Vocês são vítimas de um sistema de doutrinação. Infelizmente, são jovens ingênuos demais para perceber. A certeza que tenho que também fui doutrinado na minha adolescência, igual vocês, por um professor de geografia na escola Marista. Um dia vocês vão crescer, vocês vão ter filhos, vão começar a trabalhar e vão perceber a besteira que estão fazendo agora. Que Deus abençõe o coração de cada um de vocês. E não fiquem contra seus pais”, afirmou o blogueiro bolsonarista, defendendo-se das acusações.

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