Cotidiano

26% das micro e pequenas empresas quebram antes de dois anos

Redação DM

Publicado em 8 de julho de 2016 às 03:01 | Atualizado há 1 ano

Só no primeiro semestre de 2015, foram fechadas cerca de 1.030 empresas, número representa cerca de 66 instituições por dia

Para o presidente do Sindicato dos Contadores de Goiás (Sescon Goiás), Francisco Lopes, apesar de Goiás estar entre um dos Estados que menos sofreu com o fechamentos das empresas, ainda há um cenário ruim por fatores econômicos e políticos que afetam todo o Brasil. “Cerca de 26% das Micro e Pequenas Empresas (MEI) fecham antes dos dois anos de existência”, diz. Os pedidos de falência em todo Brasil registraram alta de 26,5% no 1º semestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015, de acordo com dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

Em junho, o número de pedidos de falências aumentou 20,2% na comparação mensal e 22,8% na comparação com junho de 2015. Em Goiás, dados do último levantamento da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) apontam que só no primeiro semestre de 2015 foram fechadas cerca de 1.030 empresas, número representa cerca de 66 instituições por dia.

De acordo com Francisco Lopes, em um panorama geral, cerca de 70% das empresas sucumbem antes dos cinco anos. “Isso é devido a falta de planejamento. A pessoa entra em um negócio sem saber com o que irá lidar. É preciso que as pessoas se profissionalizem e tomem consciência da importância do plano de negócios”, ressalta.

Em relação ao País como um todo, no 1º semestre do ano, as falências decretadas subiram 11,3% em relação ao período equivalente do ano anterior. Na comparação interanual, cresceram 0,9% e recuaram 15,6% ante o mês anterior. Os pedidos de recuperação judicial e as recuperações judiciais deferidas, no acumulado do semestre, também seguiram tendência de alta, registrando 113,5% e 118,8%, respectivamente.

As falências no primeiro semestre de 2016 são bem mais significativas do observado no primeiro semestre de 2015, quando os pedidos acumulavam alta de 9,2%. A fraca atividade econômica e os elevados custos atingiram fortemente o caixa das empresas ao longo de 2015 e os pedidos de falência fecharam aquele ano com crescimento de 16,4%. Já as recuperações cresceram 51%. A tendência de alta não só continuou como se intensificou neste primeiro semestre do ano.

Na divisão por setor da economia, o setor de serviços foi o que representou mais casos dos pedidos de falência (40%), seguido do setor industrial (34%) e do comércio (26%). O setor industrial foi o único que cresceu acima dos 26,5%, com 30,6%. Serviços cresceram 29,5% e comércio 16,3%.

Cresce adeptos ao modelo de microempreendedor

De acordo com dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), as pequenas empresas, representam cerca de 86% dos pedidos de falências no primeiro semestre de 2016 e 92% das falências decretadas.

Por outro lado, a Receita Federal do Brasil (RFB) divulgou, este ano, o crescimento de adeptos ao MEI (Microempreendedor Individual), que foi 7% maior se comparado aos seis primeiros meses de 2015.

Porém, mesmo com esse aumento, as estatísticas do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostram que, em média, 26% desses MEIs encerram suas atividades em menos de dois anos. Este dado pode estar relacionado à falta de conhecimento do mercado, de regras e de planejamento de alguns profissionais.

 

[box title=”Dicas do Sescon”]

De acordo com o presidente do Sindicato dos Contadores de Goiás (Sescon Goiás), Francisco Lopes, é preciso estruturar um plano de negócios e conhecer suas obrigações tributárias, entre outras atividades.

Educação financeira

A primeira coisa antes de se cadastrar como MEI é estar em dia com as finanças pessoais. Somente assim é possível separar claramente o caixa da empresa das contas pessoais. Além disso, é preciso pagar até o dia 20 de cada mês o Documento de Arrecadação Simplificada (DAS). Os valores dependem da atividade exercida e oscilam entre R$ 45 e R$ 50.

Ser empresário

Após estar sem pendências financeiras, o microempreendedor deve se conscientizar de que agora não é mais um trabalhador comum, mas, sim, um empresário. O profissional deve traçar uma boa estratégia de negócios com planejamento e metas.

Entendimento da área

O profissional deve saber de todas suas obrigações financeiras, além de conhecer as diferenças entre faturamento, despesas, investimentos, lucros, demonstrativos de resultados e pró-labore. Dessa forma, é possível concretizar uma estratégia ou um planejamento sem surpresas no orçamento.

Riscos

Todo empreendedor corre riscos, a diferença é que alguns estão mais preparados que outros. Em uma época de crise, investir de maneira correta e focada pode ser um diferencial para o negócio. Muitas vezes, é necessário assumir riscos para chegar a bons resultados.

Saber a hora da mudança

Quando o MEI começar a obter grandes lucros, pode ser a hora de pensar em se formalizar como microempresa, afinal o faturamento de um microempreendedor individual só pode chegar a R$ 60 mil por ano. Para abrir uma empresa, é preciso ter o controle das finanças altamente apurado, porque a mudança implica mais tributações..[/box]

 

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia