Cotidiano

51% dos brasileiros têm intolerância à lactose no DNA. Saiba quais alimentos evitar

Léo Carvalho

Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 13:43 | Atualizado há 9 meses

Brasileiros têm predisposição genética à intolerância à lactose, condição em alta nas consultas médicas | Foto: Freepik
Brasileiros têm predisposição genética à intolerância à lactose, condição em alta nas consultas médicas | Foto: Freepik

Um estudo sobre “O Perfil do DNA do Brasileiro na Saúde e Bem-Estar”, realizado pelo laboratório Genera (pioneiro no segmento de medicina genômica no Brasil) com análise de 200 mil DNAs de todas as regiões do país, mostra que 51% da população possui marcadores genéticos que indicam tendência a desenvolver intolerância à lactose, o açúcar do leite.

​Essa condição, cada vez mais frequente nas consultas médicas, afeta uma parcela considerável dos brasileiros, pois mais da metade carrega esses marcadores genéticos que elevam o risco. A intolerância resulta da deficiência da enzima lactase, impedindo a digestão adequada da lactose e causando sintomas gastrointestinais após o consumo de laticínios.

O gastroenterologista e docente do Instituto de Educação Médica (IDOMED),  Jefferson Silveira, explica que a intolerância à lactose é a deficiência da enzima lactase que impede a digestão da lactose, levando à fermentação no intestino grosso, por isso os principais sintomas relatados pelos pacientes são dores abdominais, gases, distensão, diarreias e podendo, inclusive, levar a constipação, após o consumo de leite e derivados. 

O diagnóstico, segundo o médico, é confirmado por meio de exames como teste de tolerância à lactose oral, teste de hidrogênio expirado ou até biópsia intestinal. Silveira destaca que muitos pacientes demoram a ter o diagnóstico pois os sintomas são confundidos com outras doenças. “Muitas vezes por um quadro de virose, ou como síndrome do intestino irritável ou outras disfunções intestinais. Tem pacientes que convivem com os sintomas por meses ou anos até decidir procurar ajuda médica para investigar”, pontua o médico.  

Tratamento e qualidade de vida 

Segundo o gastroenterologista Silveira, a intolerância à lactose não tem cura definitiva, mas pode ser bem controlada por meio de dieta, com troca de alimentos por produtos sem lactose ou suplementação de lactase para ocasiões específicas. “É importante alertar que não se deve confundir a intolerância com alergia ao leite, pois envolve reação imunológica e requer uma abordagem diferente”, alerta.  

Ele destaca, ainda, que com uma orientação nutricional adequada é possível manter uma dieta equilibrada, garantindo nutrientes como cálcio e vitamina D e evitando deficiências nutricionais e melhorando a qualidade de vida do paciente com o diagnóstico.  

Por isso, também é importante ficarmos atentos aos alimentos com lactose oculta, que são comuns em produtos processados, onde derivados do leite atuam como estabilizantes, emulsionantes ou realçadores de sabor, exigindo atenção aos rótulos.

Ingredientes a Evitar:

Sempre cheque rótulos por:

  • Soro de leite
  • Leite em pó
  • Caseinato
  • Galactose
  • Proteína láctea
  • “Pode conter traços de leite”

Exemplos comuns:

  • Embutidos (salsichas, presuntos, salames)
  • Pães, biscoitos, bolos, granolas industrializadas
  • Barras de cereais, cereais matinais, batatas chips
  • Molhos prontos (saladas, massas), sopas instantâneas, maioneses
  • Conservas (atum, sardinha), chocolates recheados

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