Cotidiano

A ilha se curvou

Redação DM

Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 21:07 | Atualizado há 1 ano

Hoje faz exatamente um ano que os Estados Unidos e Cuba reataram relações diplomáticas. Foram 54 anos de hostilidades entre a potência americana e o país de políticas socialistas. Foram 7 meses de intensas negociações, após o anúncio da reaproximação, até que em julho desse ano reabrissem em ambos os países embaixadas de seus ex-inimigos.

Apesar das manobras que tem acontecido para que termine a inimizade entre os países o empecilho econômico estadunidense ainda não foi extinto. O líder nacional cubano, Raul Castro, declarou que só vai considerar consolidada a relação dos países quando o embargo econômico acabar completamente.

Historicamente os EUA mantêm uma política ferrenha com os países que não considera “parceiros”. Só em maio deste ano Cuba foi retirada da “lista negra” de países que apóiam o terrorismo. As negociações entre as duas nações vinham acontecendo secretamente há mais de um ano antes de 17 de dezembro do ano passado quando tornou-se pública a tentativa de aproximação.

Obama paz e amor

A jogada política de Barack Obama se mostra bastante capciosa. Obama tem mostrado que sempre caminha um passo na direção de manter relações exteriores pacíficas. Mas a questão é que ele dá apenas um passo e não faz todo o caminho.

Em várias ocasiões, apesar do discurso de paz, perpetuou atitudes de manutenção da violência. Tropas americanas permaneceram no oriente durante seu governo e ele ofertou altas quantias a Israel em seu massacre contra a Palestina. Mas a figura pacífica e aberta para a América Latina ajuda a “abocanhar” muitos votos da comunidade latina que mora nos Estados Unidos. Os imigrantes não são poucos e podem ser decisivos nas eleições.

Em outubro desse ano a ONU colocou o embargo a Cuba como pauta. Os votos a favor do fim das restrições econômicas ao país somaram 192. Já Israel e EUA foram os dois únicos votos contrários, mas o fato é que eles são justamente dois dos países que controlam a economia e a opinião mundial.

História do fim e um discreto recomeço

O corte nas relações entre EUA e Cuba são frutos da guerra fria que dividiu o mundo em dois pólos. O embargo americano está estabelecido desde o começo da década de 60, a época Cuba tinha o apoio da poderosa URSS. Com as costas quentes fornecida pela União Soviética Cuba conseguiu se estabelecer e atingir um nível de progresso. A URSS caiu e estar economicamente isolado da maior potência econômica dificultou um pouco as coisas em um sistema completamente dominado pelo capital.

A Revolução Cubana aconteceu no ano de 1959 sob a liderança de Fidel Castro. Inicialmente não era uma revolução socialista, mas o apoio soviético se mostrou interessante. O presidente que foi deposto pela ação, Fulgêncio Batista, foi eleito pelo povo, mas instaurou um governo de corrupção e violência.

O governo de Fulgêncio supria interesses dos Estados Unidos, onde a potência tinha livre domínio. Com a revolução os Estados Unidos se colocou prontamente contra o novo governo de Fidel Castro. A inimizade americana pelo país já havia começado e a relação entre os dois continuava deteriorando nos dois anos seguintes do governo de Fidel.

O novo regime expropriou alguns territórios e empresas americanas o que causou grande contrariedade ao governo americano. Os EUA até tentaram um ataque a Cuba que fracassou, a missão conhecida como “Invasão da Baía dos Porcos”. Mas o país latino não podia manter-se nesse conflito sem apoio. Foi assim que Cuba acabou alinhada ao bloco socialista.

Atualmente o que existe são mudanças nas restrições, mas acordos econômicos entre Cuba e os grandes países do capital ainda não foram estabelecidos. Agora o que é permitido é que aconteçam negócios e transações financeiras entre cidadãos e empresas dos dois países. Depois de mais de 50 anos de história entre o corte de relações diplomáticas e a relativa reconstrução a mudança mais emblemática é uma bandeira americana na porta da embaixada em Havana.


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