Cotidiano

A nova fronteira do café

Redação DM

Publicado em 1 de outubro de 2016 às 02:38 | Atualizado há 2 anos

  •   Goiás encerra colheita do café.Produção brasileira é de 42,289 mi de sacas

A Organização Internacional do Café (OIC) acaba de divulgar relatório sobre o mercado de café, ansiosamente aguardado nos países produtores e exportadores do ouro negro. Os seus demonstrativos expõem que em 2015 a produção mundial foi de 143,306 milhões e a do Brasil (Brazilian Naturals) de 42,289 milhões de sacas. Os dados da OIC de 2016 ainda não foram divulgados. A colheita do café em Goiás está praticamente encerrada, restando apenas algumas áreas de catação.

A área plantada com a cultura de café em Goiás foi levantada em 7.383,1 hectares, sendo que desse total, 5.626,6 se encontram em produção, de 76,2%.

O terceiro levantamento da safra de café 2016 traz inclusive o ranking dos Estados brasileiros produtores de café, apontando as principais áreas produtivas desses Estados e quais fatores influenciaram a produção. O quarto levantamento será elaborado e divulgado em dezembro e será o último da safra deste ano. Ele ocorre após a finalização da colheita, quando serão ajustados e consolidados os dados coletados no campo.

Participação do Brasil

Com relação à participação do Brasil na produção mundial de café em 2016 – os dados ainda não foram totalizados pela OIC – se considerarmos que a produção se manterá na média em relação aos números globais verificados em 2012 (144,960 milhões de sacas), 2013 (146,506), 2014 (142,278) e 2015 (143,306), tendo em vista que o Brasil produzirá 49,64 milhões de sacas em 2016, ou seja, em torno de 34% do total mundial, poderemos continuar afirmando que de cada três xícaras consumidas no mundo uma é brasileira.

Boas condições climáticas foram suficientes para a formação e desenvolvimento dos frutos, resultando numa produção 0,3% superior à safra passada, apesar da redução de 8,9% na área em produção.

Minas Gerais, conforme o terceiro levantamento, continua despontando em primeiro lugar na produção brasileira anual de café com 28,9 milhões de sacas. As duas principais regiões produtoras do Estado são o Sul de Minas (Sul e Centro-Oeste) e Cerrado Mineiro (Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste), que tiveram aumento de área e produtividade, além de regularidade climática, fatores que proporcionaram produção superior à safra anterior em 42% e 63,2%, respectivamente.

As outras duas áreas produtoras de café que merecem destaque no Estado, de acordo com o Levantamento da Conab, são a Zona da Mata e o Norte de Minas. A Zona da Mata (Zona da Mata, Rio Doce e Central) teve bienalidade negativa e chuvas escassas durante a fase de granação, o que resultou numa produção 8% menor que a safra 2015. E o Norte de Minas (Norte, Jequitinhonha e Mucuri) teve redução de área e produtividade devido a fatores climáticos adversos que resultaram numa produção inferior à safra anterior em 7,5%.

Espírito Santo, em segundo no ranking, produzirá 9,1 milhões de sacas neste ano, o que representará uma queda de 14,5% na produção em relação a 2015. Conforme a Conab, as lavouras de conilon foram as mais afetadas por questões climáticas, tais como seca, altas temperaturas, má distribuição de chuva e insolação, o que implicará redução de 30,7% em relação à safra passada. No entanto, as lavouras de arábica tiveram crescimento de 28,2% devido à adequada florada e, assim, se recuperam da baixa produção nos últimos dois anos.

São Paulo figura em terceiro lugar na produção nacional com 5,9 milhões de sacas de café arábica. Essa performance se deve principalmente às condições climáticas favoráveis no Estado, pois as chuvas que ocorreram a partir de setembro de 2015 prolongaram-se satisfatoriamente até março de 2016 e proporcionaram uma excelente florada. Com isso, São Paulo teve área, produtividade e produção superior à safra passada, além da entrada de pés novos em produção, melhoria nos tratos culturais e retorno vigoroso das plantas manejadas na safra passada.

Bahia, quarto Estado produtor, colherá 2,1 milhões de sacas, número semelhante à safra anterior. As altas temperaturas verificadas em novembro de 2015 provocaram abortamento de flores, escaldadura das folhas e má formação dos grãos. Contudo, na região do Planalto baiano, houve ligeira recuperação da produtividade, e, na região do Atlântico, a forte estiagem e ataques de pragas durante o ciclo da lavoura provocaram queda de 30,2% na produção, se comparado com a safra passada.

Rondônia, em quinto lugar, com 1,6 milhão de sacas de café conilon, teve redução de 5,6% da produção em relação ao ano passado, em função da falta de chuvas na época da florada, o que prejudicou o pegamento dos frutos. Além disso, em áreas irrigadas houve incidência forte de insolação que provocou calor e altas temperaturas durante os meses de outubro e novembro, fato que prejudicou a formação e promoveu a queda dos chumbinhos (frutos em formação).

Paraná produzirá neste 1,1 milhão de sacas de café arábica, o que o coloca em sexto lugar no ranking interno da produção. De acordo com os dados da Conab, as geadas ocorridas no Estado em 2013 provocaram inversão da bienalidade na produção do café, a qual ficou negativa para este ano. Por esse motivo o Paraná produzirá apenas de 1,1 milhão de sacas, volume inferior à safra de 2015.

Goiás está com colheita do café praticamente encerrada, restando apenas algumas áreas de catação. A área plantada com a cultura de café em Goiás foi levantada em 7.383,1 hectares, sendo que desse total, 5.626,6 se encontram em produção, de 76,2%. A área em formação ocupa de 877,5 hectares ou 11,9% da área, e as áreas esqueletadas ou recepadas ocupam uma área de 879 hectares ou 11,90% da área. A produção de café no Estado foi estimada em de 226.751 sacas, ou 13.605.060 quilos, gerando uma produtividade média de 40,3 de sacas por hectare ou 2.418 quilos por hectare.

Goiás apresentou uma elevação pequena de receita bruta, o comportamento da produção e comercialização está centralizado de abril a dezembro de 2015. Apresentou um preço médio de R$ 363,15, com produção de 226.200 toneladas e receita bruta apurada de R$ 82.144,46 mil.

Sistemas de irrigação

As lavouras, de modo geral, apresentaram boa formação de frutos. Isso ocorreu devido à quantidade de chuvas consideradas satisfatórias para o desenvolvimento dos grãos, de outubro a dezembro de 2015. As boas condições pluviométricas em janeiro e fevereiro também colaboraram para um bom desenvolvimento dos frutos, principalmente evitando temperaturas altas e grandes oscilações térmicas.

Em sua grande maioria os parques cafeeiros goianos são cultivados sob sistema de irrigação, porém, devido à forte estiagem ocorrida a partir de abril de 2016, acabou influenciando de forma negativa o desenvolvimento e o metabolismo das plantas de café, haja vista a baixa umidade no solo e o aumento da temperatura do solo e do ar. Foi relatado em algumas propriedades que os sistemas de irrigação não conseguiam dar vazão suficiente para suprir as necessidades hídricas do solo e fisiológicas da planta em decorrência do solo extremamente seco.

A temperatura do ar exerceu influência direta sobre diversos aspectos relativos à produtividade vegetal, estando relacionada com o crescimento e desenvolvimento das plantas devido ao seu efeito na velocidade das reações químicas e dos processos internos de transporte. A tolerância aos níveis de temperatura é variável entre as espécies e variedades e a cultura do café, sendo a planta extremamente sensível ao estresse térmico.

Produção e consumo mundial

A Organização Internacional do Café (OIC), em seu relatório sobre o mercado de café em agosto de 2016, demonstra que a produção global de café foi de 143,306 milhões de sacas, sendo 82,890 milhões de arábica e 60,416 de robusta. O Brasil, conforme mencionado anteriormente, produziu 42,289 milhões, e no total 43,235 milhões, incluindo as duas espécies de café, o que correspondeu a 30,2% da produção mundial.

No que se refere ao consumo, a OIC destaca que em 2015 foram consumidas 152,204 milhões de sacas, sendo 47,633 milhões pelos países exportadores e 104,572 pelos consumidores. A Organização especifica ainda o ranking de bloco de países que mais consumiram café em 2015. Em primeiro lugar está a União Europeia com 50,116 milhões de sacas, seguida pela Ásia e Oceania – 33,131 milhões. Em terceiro, América do Norte – 27,975 milhões, quarto, América do Sul – 25,120 milhões, quinto, África – 10,621 milhões. E, em sexto, América Central e México com 5,242 milhões de sacas de 60kg consumidas.

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