A recuperação do comércio
Redação DM
Publicado em 30 de outubro de 2016 às 01:04 | Atualizado há 2 anosÉ sabido que o aumento da taxa de desemprego, aceleração do processo inflacionário, perda da confiança na economia nacional, entre outras anormalidades, especialmente a partir do ano de 2015, é a circunstância econômica nacional e das diversas unidades da Federação. Realidade que tem resultado em trajetória ruim para as mais diversas variáveis macroeconômicas.
Contudo, apesar do atual cenário da economia nacional, indicadores apontam que o Estado de Goiás tem sobressaído ao apresentar contínuo crescimento econômico. Dados divulgados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE) revelam que a inflação oficial no Brasil e em Goiânia está desacelerando em 2016, na comparação com 2015. Mostram que a inflação na capital nos dois primeiros trimestres de 2016, foi inferior à verificada nacionalmente.
Embora os indicativos permitam vislumbrar melhorias na economia em médio e longo prazo pesquisa do Instituto Mauro Borges (IMB) de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) assinala que goianienses agirão com bastante cautela na hora de consumir bens e serviços nos próximos meses.
O ICF tem como foco a avaliação que as famílias fazem sobre os aspectos que envolvem o seu orçamento doméstico e seu nível de consumo, presente e de curto prazo. Investiga junto aos consumidores as avaliações que estes fazem sobre sete itens: emprego atual, perspectiva profissional, renda atual, facilidade de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo no curto prazo e oportunidade para compra de bens duráveis.
Este (ICF) pode ser avaliado sob dois ângulos: o da intensidade do grau de satisfação e insatisfação dos consumidores, através de sua dimensão, pois o índice abaixo de 100 pontos indica uma percepção de insatisfação enquanto acima de 100 (com limite de 200 pontos) indica o grau de satisfação em termos de seu emprego, renda e capacidade de consumo.
Em entrevista á reportagem do Diário da Manhã o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio) José Evaristo dos Santos explicou os resultados da pesquisa apontando que em setembro de 2015 essa avaliação apresentava uma pontuação de 85,4, enquanto a de setembro de 2016 caiu para 79,6 o que representa queda de 6,8% ICF. “Isso mostra que as famílias estão bastante cautelosas no consumo e buscando endividarem se o mínimo possível” constata.
Ele acrescenta que em levantamento feito pela Fecomércio e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) Goiânia possui o menor número de famílias endividadas entre as capitais do Brasil. A média nacional de famílias endividadas encontra se em 58, 2 %, enquanto em Goiânia a média era de 28, 7%, em setembro de 2016. “O número na capital está muito abaixo da média nacional, isto mostra que durante o último ano as famílias andaram sendo cuidadosas comprando menos, razão de o endividamento ser menor”.
Previsão de consumo para dezembro
O comércio varejista e o atacadista têm peso relevante na economia goiana, o setor de serviços ainda é o maior gerador de renda e empregos no Estado. De acordo com presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO), José Carlos Palma Ribeiro, Goiás terá a economia menos afetada que de outros estados.
“Daqui para dezembro nossa economia pode variar para mais ou para menos de acordo com as notícias que vem de Brasília. Temos algumas variações que podem interferir na decisão do consumidor, como por exemplo, a PEC 241, ela está em discussão, existem os que são contra e os que são a favor, mas quem entende um pouco de economia sabe que é uma medida necessária. A PEC é o congelamento das despesas e isso tudo reflete na confiança do consumidor”.
Carlos observa que a luz amarela está acesa, mas, apesar disso, as pessoas não irão deixar de consumir. “As pessoas devem comemorar o natal dar seus presentes, mas o consumidor será cauteloso porque ele não sabe como será a economia ano que vem. Existem outros fatores que podem mexer com a questão da economia. Isso tudo deixa o brasileiro inseguro em relação ao que fazer com o seu dinheiro”, atesta.
Mais otimista, o presidente da Fecomércio José Evaristo dos Santos acrescenta que apesar das famílias estarem prudentes, a melhor promoção do comercio é o natal e, esta, afirma ele, vai superar a média do faturamento mês a mês em todo o Estado. Não com uma recuperação das perdas verificadas ao longo do ano, mas em si tratando da melhor promoção do ano o comércio irá se encontrar abastecido e por isso ele acredita em bons resultados para dezembro.
“O setor que representa o segmento terciário da economia compõe 70% do PIB goiano, sendo o maior empregador e gerador de tributos. O 13º salário, cuja primeira parcela é paga em novembro e a segunda em dezembro, irá contribuir e muito para o crescimento de volume de vendas”, assegura. Mesmo assim, ele evidencia que o faturamento será inferior ao mesmo mês do ano passado, ou seja, dezembro. Com previsão de queda de 3, 6%.
Temporários
Normalmente no final do ano muitas empresas têm que reforçar os quadros de funcionários devido ao aumento da demanda de serviço. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismos (CNC) prevêem contratação de 135 mil temporários para o fim de ano.
A expectativa para contratações de empregados temporários em 2016 é menor que em 2015. A estimativa é que haja um recuo de 2,5% nos postos de trabalho temporários ofertados, levando em conta o ano anterior. Levantamento do Sindilojas-GO indica que as vagas não devem passar de 4 mil em Goiânia e de 10 mil em todo o Estado.
Em relação ao volume total de vendas, uma pesquisa da CNC projeta uma queda que pode variar entre3,5% e 4%, cenário que deve se confirmar também em Goiás, confirmou o presidente do Sindilojas-GO José Carlos Palma Ribeiro. Com o intuito de apresentar melhores resultados para a economia do Estado Carlos observa que há sete anos o sindicato oferece curso de qualificação gratuito para temporários.
“O que acontece é que existem muitas pessoas precisando trabalhar e muitos empresários querendo contratar. Mas falta qualificação para esses candidatos e até para quem já está empregado. E, é por isso que o Sindilojas-GO, na condição de representante dos empresários varejistas, promove todo ano esse treinamento. É importante que os envolvidos na cadeia do varejo estejam em dia com os conhecimentos, inclusive quem já atua há vários anos como vendedor”, explica Carlos.
Ele acresce que o candidato que participa do treinamento gratuito oferecido pelo Sindilojas-GO recebe material didático e ainda tem o seu currículo encaminhado para as lojas que estejam selecionando profissionais temporários. As inscrições podem ser feitas pelo telefone 3541-3054.


Otimismo brasileiro
De acordo com levantamento do Instituto Mauro Borges (IMB) nos dois primeiros trimestres desse ano o curso da economia nacional sobre o andamento dos setores de comércio, indústria e serviços, são otimistas. Especialmente, ao analisar o último trimestre de 2016, em que para esses três setores, as expectativas médias mensais trimestralizadas foram às melhores verificadas desde o ano passado.
Sendo um dos fatores que contribuem para tal mudança a condução da política econômica em nível federal, com a alteração de governo. O momento mostra que há uma percepção otimista dos agentes econômicos em relação a essa situação. O que, aponta os dados, torna de certa forma, a pressão inflacionária mais branda e o mercado de trabalho se deteriora em uma menor aceleração, possibilitando o restabelecimento nos grandes setores da economia.
O Gerente de loja de vestuário masculino, Jorge Monteiro da Rocha espera que para os próximos meses com o pagamento do 13º salário as vendas melhorem. “Esperamos que pelo menos mantivesse os resultados do ano passado, que em média foi até razoável” cita. Otimista ele espera um crescimento de 5% na vendas.
“Todos nós estamos tendo que nos desdobrar para tentar superar a crise, mas não podemos criar uma expectativa que não seja realidade. Na tentativa de mudar esse cenário temos oferecido bons preços e mercadoria de qualidade”, calcula.
Para a vendedora de loja de calçados Elisangela Mende dos Santos a previsão de vendas para um dos períodos mais aquecidos da economia é positivo. Ela acredita em um crescimento nas vendas que represente mais de 30% e para obtenção desse resulta usa de criatividade para atrair o consumidor. “Por conta do período ruim que tivemos a gente tenta fidelizar o cliente com ações de promoção e entregas de brindes. Só agora começou a melhorar o movimento, então estamos acreditando em uma melhora nas vendas, no mínimo de 50%”
Como resultado, do bom andamento das vendas, já sentidos, ela revela que há intenção de contratar dois temporários para ajudar no aumento da demanda prevista para o momento. “Nós vamos manter o mesmo número de contratação do ano passado, mas temos expectativa de que as vendas sejam melhores”, espera.
Consumidor
As expectativas para o consumidor não são as melhores, mas estes tentam encontrar um equilíbrio na hora de consumir. Caso da aposentada Ana Ramos da Silva, 70 anos, que sempre contou com o recebimento do 13º salário para comprar presentes e viajar. Esse ano ela colocou as contas na ponta do lápis e conclui que o melhor a fazer no momento foi escolher uma das alternativas. “O ano passado deu para comprar presentes porque estava tudo mais em conta, esse ano, decidi que será uma coisa ou outra, viajar ou comprar”, define.
O gerente de loja de roupas Keilo José Soares acredita que a crise do país está passando e a demanda de consumo deve melhorar. “Essa crise do nosso país está passando, mas quando chega final de ano querendo ou não há uma reação no nosso movimento, então esperamos um aumento de 10 a 15% nas vendas”, avalia.
Divido a crise e não ter tido aumento de salário a intenção de consumo da professora Rosenilda dos Santos Lira, 40 anos, é de cautela na hora de comprar. “A crise, o salário não aumentou e tudo está mais caro, então só me resta uma alternativa diminuir os gastos, não adianta eu fazer contas e depois não dar conta de pagar”, adverte.
Para a passadeira Ranilda Pereira da Silva, 40 anos, os gastos também serão priorizado. “Vou reduzir os gastos, ao invés de usar o 13º salário com roupas, calçados e outras coisas vou priorizar pagar o IPVA do meu carro”, aponta. Como mostrado na pesquisa ICF as famílias goianas estão, de fato, cautelosas na hora de gastar.
