Cotidiano

Abandonada aos cães

Redação DM

Publicado em 3 de novembro de 2015 às 20:22 | Atualizado há 1 ano

Nascida em 1983 na Ucrânia (então União Soviética), Oxana Malaya ficou conhecida mundialmente por seu comportamento, semelhante ao comportamento de cães. Ela foi abandonada pelos pais – fazendeiros decadentes e alcoólatras – aos três anos de idade. Viveu até os oito anos na companhia de cães. Hoje, aos 31 anos, ainda apresenta prejuízos intelectuais, apesar de ter aprendido a falar e a relacionar-se com humanos de forma socialmente aceitável. Ela vive em uma casa para doentes mentais na cidade de Odessa.

Quando foi encontrada, através de uma denúncia à polícia, andava de quatro e colocava a língua para fora para beber água. Coçava as orelhas com os pés e sacudia-se depois de molhar-se, da mesma forma que fazem os cães. Ela também latia. Após ser submetida a uma série de testes com a psicóloga britânica Lyn Fry, concluiu-se que a garota possui mentalidade semelhante a uma criança de seis anos, além de baixíssimo limite ao tédio (irrita-se com facilidade em situações tediosas).

“A linguagem dela é estranha. Ela fala de maneira direta como se fosse uma ordem. Não há cadência, ritmo ou música na fala dela, nenhuma inflexão ou tom. Mas ela tem senso de humor. Ela gosta de ser o centro das atenções, de fazer as pessoas rirem. Se mostrar é uma habilidade surpreendente quando você considera as origens dela”, concluiu a Psicóloga. Lyn Fry ainda acrescentou que apesar dos danos sofridos por Oxana, “esperava alguém muito menos humano”, devido aos relatos que circulavam sobre ela.

A psicóloga acredita que Oxana só conseguiu aprender a falar pelo contato que teve com humanos nos três primeiros anos de vida. Especialistas concordam que a não ser que uma criança aprenda a falar até os cinco anos, o cérebro perde a oportunidade de aprender uma língua. Oxana também já teve namorados. O último deles terminou o relacionamento ao saber de seu passado.

Negligência

Ao observar a falta de registros sobre o estado da menina quando foi encontrada, suspeita-se que as autoridades da Ucrânia tenham evitado documentar o caso de Oxana, tendo em vista o absurdismo da situação, que poderia causar constrangimentos inclusive para a imagem da nação. O caso despertou amplo interesse por parte de psicólogos, que acreditavam que Oxana tinha muito a ensinar sobre o debate ‘inato ou adquirido’, que discute o comportamento humano a partir de causas naturais versus experiências vividas.

As testemunhas oculares do caso (doutores e cuidadores de deficientes mentais) são responsáveis pelo que se sabe sobre Oxana. Eles transmitiram a história lentamente através de relatos orais do que observavam no comportamento dela. A situação da menina foi tornando-se científica à medida que o tempo passava.

Crianças selvagens

São consideradas crianças selvagens aquelas que durante seus primeiros anos de vida estiveram privadas de qualquer contato humano. Geralmente essas crianças sobrevivem através de contato com outros mamíferos, adquirindo comportamento parecido com o deles.

Relatos comuns no século XVIII descreviam crianças encontradas nos campos com comportamentos animalescos devido à isolação do restante da humanidade. O filósofo franco-suíço Jean Jacques Rousseau aborda o assunto em seu livro ‘Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens’, de 1754, onde ele discute a origem do homem e sua diferença dos primeiros seres humanos. O filósofo relaciona aquilo que se considera como essência humana a alguns casos de crianças selvagens.

Um dos casos mais famosos da mitologia romana seria de que Rômulo e Remo, criados por uma loba. Rômulo teria dado origem à cidade de Roma, atual capital da Itália, após enfrentar o próprio irmão. Graças aos cuidados da loba, Rômulo teria sobrevivido e fundado a cidade. Isso faz com que o animal fosse visto como sagrado na mitologia local.

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