Agressão em clínica de reabilitação
Redação DM
Publicado em 25 de agosto de 2016 às 02:09 | Atualizado há 1 anoO local foi interditado e o dono e o coordenador da clínica foram presos, sendo indiciados por sequestro e cárcere privado
Uma clínica de reabilitação para narcodependentes foi interditada, por tempo indeterminado, pela Polícia Civil e pela Vigilância Sanitária na última terça-feira, dia 23. Segundo o monitor da clínica, os funcionários eram obrigados a agredir os pacientes e ainda aplicavam psicofármacos indiscriminadamente. Além disso, a casa de recuperação também não tinha alvará de funcionamento e nenhum médico supervisionava os dependentes em recuperação.
Um homem de 32 anos, que não quis se identificar, disse que os funcionários que não repreendessem os pacientes usando a força eram agredidos. “Se a gente não batesse no interno, a gente apanhava”, contou ele. O delegado responsável pelo caso, Sérgio Souza Arraes, disse que o dono da clínica anunciava o serviço de internação para dependentes químicos em redes sociais e cobrava entre R$ 500 e R$ 1 mil. A polícia só descobriu o crime após um ex-paciente denunciar o caso.
Segundo a Polícia Civil, o dono da clínica e um funcionário iam à casa das famílias que os contratavam e buscavam os dependentes a força. Eles imobilizavam o paciente, forçavam-no a tomar remédios para acalmá-lo e, por fim, o levavam à clínica. “Existem relatos de pacientes que tiveram braço e costelas quebradas na chácara, e também eram afogados e espancados para serem disciplinados. Os internos também eram ameaçados para não contar sobre as agressões aos familiares”, contou o delegado Sérgio Souza Arraes. Tanto o dono da clínica, Bruno Volpato quanto um dos coordenadores foram presos e indiciados por sequestro, cárcere privado e por ministrar medicamentos de uso controlado sem permissão.
Medicamentos também foram apreendidos na clínica, como calmantes e antidepressivos. Segundo a Anvisa, que esteve no local, esses remédios deveriam ser ministrados sob a supervisão de um médico e de um farmacêutico que deveriam estar no local, mas nenhum profissional devidamente qualificado trabalhava no momento.
Além disso, o local não tinha nenhum alvará de funcionamento. “Ele disse que tinha esse centro terapêutico em Guapó e agora tinha vindo para Goiânia, estava começando e ainda ia contratar os médicos e solicitar os alvarás”, relatou um dos fiscais da Anvisa. A Polícia Civil resgatou 18 pessoas e os internos serão entregues às suas famílias.

