Cotidiano

Aluga-se

Redação DM

Publicado em 29 de junho de 2016 às 02:59 | Atualizado há 10 anos

  • Goiânia tem cerca de oito mil imóveis desocupados para alugar

Por todo lado que se passa pela cidade, o que mais se vê, seja em imóveis residenciais ou comerciais, são placas de “Aluga-se”. Segundo dados do Sindicato dos Condomínios e Imobiliários Secovi de Goiás, só na capital devem existir cerca de oito mil imóveis desocupados para alugar.

O número representa desde imóveis residenciais até os comerciais, seja para alugar via imobiliária ou particular. Para o vice-presidente de locações de imóveis do Secovi, Benjamim Ragonezi, mesmo sofrendo os mesmos reflexos que o restante do País, os negócios continuam acontecendo, e os profissionais do setor não devem desanimar.

“O momento é de estagnação, não aumentamos em volume de aluguéis, mas também não deixamos de alugar. Somos uma classe unida e que vem superando obstáculo após obstáculo em busca de dias melhores”, afirma Benjamim. O vice-presidente lembra que Goiânia ainda é uma cidade jovem, completa 83 anos em 2016, mesmo assim também tem sofrido com a recessão econômica e a crise política na qual vive o Brasil.

No setor de aluguéis não é diferente. Para ele, buscar qualificação e principalmente negociar com os clientes tem sido a melhor saída. “No que tange a imóveis residenciais houve menos impacto, mas quem trabalha com imóveis comerciais sofreu um pouco mais. Isso por que muitos empresários estão aguardando uma estabilização da economia para voltar a expandir os negócios”, avalia.

Preços em baixa

A partir de análises referentes a indicadores do setor imobiliário de 30 cidades brasileiras, a  plataforma online VivaReal levantou que, em maio, o valor médio do m² para aluguel no Brasil apresentou desvalorização nominal de 0,4% e queda real de 1,2%, levando em consideração o índice de inflação do período,  Índice Geral de Preços do Mercado  (IGPM) (0,82%).

Em Goiás, a variação também foi negativa, de -1,22%. No entanto, especialistas do setor avaliam que Goiás está entre os Estados que menos foi afetado pela crise econômica também no setor de aluguéis. A  informação se confirma uma vez que os dados divulgados pelo Viva Real mostram que cidades como João Pessoa, na Paraíba, teve baixa de -12,61%.

O preço médio do m² nacional de maio do aluguel (R$ 24,9/m²) foi o mais baixo registrado pelo VivaReal nos últimos 12 meses. Mesmo sendo uma defasagem pequena para Goiás, empresários do setor reclamam, segundo eles, pelo período ser de crise, o inquilino tende a pesquisar mais em busca de menor preço, e ainda assim, pechincha na hora de fechar o negócio.

A presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de Goiás (Sindimóveis),  Lucimar Alves Elias, diz que a crise econômica afetou o setor de aluguéis, mas que em Goiás a situação ainda é melhor que em outros Estados do Brasil. “Não temos uma situação tão alarmante quanto em outras capitais, mas é fato que em Goiânia há vários imóveis vagos”, explica. Para ela, o momento é de buscar aperfeiçoamento e, principalmente, saber negociar. Para tanto, informou que o Sindimóveis tem cursos e fará no próximo dia 22/6 um fórum onde irão discutir os rumos do setor em Goiás.

O gerente de locação da Urbs-RT Lançamentos Imobiliários, Marcell Abranches, explica que há muitos imóveis vagos no mercado, mas que esse fato não é devido apenas a uma crise econômica, mas sim pelo alto índice de lançamentos promovidos pelas construtoras na cidade nos últimos meses. Ele lembra que há muitos imóveis disponíveis na cidade, mas que também existe uma demanda. No entanto, a estabilização do mercado só deve melhorar de fato no segundo trimestre de 2017. “Isso é o que se lê, é uma perspectiva que existe para todos os setores e não só no que se refere à locação de imóveis. Já pontos comerciais sofreram menos impacto, e por isso vem retomando sua força nos últimos dois meses”, diz.

Em relação ao mercado para imóveis comerciais, Marcello Alves Elias, da Terra Administração de Imóveis, conta que também houve retração para esse segmento de aluguéis, mas que sentiram menos que no caso de imóveis residenciais, por exemplo. “Hoje tenho cerca de 95% da minha carta de imóveis alugados, mas trabalhamos de uma forma diferenciada e isso também deve ser levado em consideração quando falo nesse índice”, afirma. Ele explica que busca os inquilinos de acordo com a demanda que tem de proprietários oferecendo salas, ou espaços para alugar, desse modo não há como ter um alto índice de imóveis vazios.

“Além disso, nós também atendemos muito a empresas que estão em expansão, como farmácias, bancos e grandes empresas. Mesmo não tendo grande retração, sentimos que muitas empresas que estavam prontas para expandir e abrir várias lojas apertaram os cintos e adiaram os planos”, conta Marcello.

Ele lembra que outro fato ruim para o setor foi o fato de não terem feito muitos reajustes de aluguéis que eram necessários.  “Não podíamos colocar ainda mais a corda no pescoço do nosso cliente, em muitos casos não conseguimos repassar sequer o aumento do Índice Geral de Preços do Mercado  – IGPM”, diz.

Mercado de luxo

Mesmo sendo um dos últimos setores afetados em período de crise, o mercado de luxo já sofre com a defasagem dos preços dos aluguéis. O portal VivaReal realizou um estudo para analisar os impactos do momento econômico do País no mercado de imóveis de alto padrão, que contemplou imóveis para venda com valor acima de R$ 1 milhão e para aluguel o valor considerado foi acima de R$ 5 mil.

Nos últimos dois anos, o valor médio de aluguel e venda de imóveis de luxo apresentou desvalorização.  O preço do aluguel teve desvalorização real de 15,8% nos últimos dois anos, com o indicador de inflação acumulado em 17% (IGP-M).  Ao analisar apenas este ano, a desvalorização foi de 1,9%, considerando o IGP-M (3,3%) acumulado do ano.

A demanda por aluguel de luxo também vem diminuindo e nos últimos seis meses apresentou queda de 6,8%. Considerando apenas os quatro primeiros meses de 2016, a procura caiu 14%.

O cenário do mercado de venda segue a mesma direção. Nos últimos 24 meses, o valor médio do imóvel teve desvalorização real de 9,6%, com indicador de inflação acumulado em 20% (IPCA). Em 2016, a queda foi de 0,4%, com IPCA acumulado de 3,24%.

No entanto, a procura para compra de imóveis de alto padrão está aumentando. Nos últimos seis meses é possível perceber aumento de 18,3% na demanda. Neste ano a busca por imóveis de luxo já apresentou crescimento de 6,7%.

“As transações de imóveis de alto padrão dependem menos de financiamento imobiliário, por isso a demanda não é tão afetada pela escassez de crédito. Além disso, o cenário atual favorece negociações e descontos, o que encoraja o consumidor. Vale pontuar que, em algumas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, não é possível comprar imóveis de luxo com R$ 1 milhão”, comenta Lucas Vargas, executivo chefe de Operações do VivaReal.

 

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