Ambulantes dizem que foram enganados por funcionário público
Redação DM
Publicado em 18 de junho de 2016 às 03:37 | Atualizado há 1 ano
Uma denúncia de desvio de verba pública do 8º Rodeio Show de Senador Canedo (GO) foi protocolada e está em andamento na Delegacia de Polícia da cidade e Ministério Público. O crime aconteceu durante o evento, realizado de 2 a 5 de junho deste ano. Segundo denúncia, todos os ambulantes que estariam vendendo em barracas de alimentação e bebidas deveriam, por ordem da prefeitura da cidade, pagar uma taxa ao município.
Para isso, foram emitidas guias de pagamento pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano para que, posteriormente, os valores fossem pagos em agência bancária. No entanto, diferentemente do que aconteceu no ano passado, donos de barraquinhas disseram que pagaram valores acima do estipulado pelas guias de pagamento. E ainda afirmaram que deixaram de pagar as guias de boleto, isto é, os Documentos de Arrecadação Municipal (Duam), e tiveram que repassar os valores das tarifas para Weverson da Costa Conceição, conhecido na cidade como Mosquito – exonerado pela prefeitura depois que denúncia veio à tona. Mas até esta quinta-feira (16) o nome de Weverson constava no quadro de funcionários no Departamento Pessoal da prefeitura da cidade.
Um dos denunciantes do caso, Fernando Martins Beda Rodrigues contou com exclusividade ao Diário da Manhã que documentos foram impedidos de serem pagos em agência bancária. “Falsificaram as guias de pagamento e impediram donos de barracas de fazer o pagamento diretamente no banco. Todos eles tiveram que pagar pessoalmente para o Werverson, com apelido de Mosquito”, contou. A informação era de que ele teria sido indicado para o recebimento dos valores pelo secretário de Finanças do município, Marcos Antônio Caldas Júnior. Em vídeos gravados por aparelhos celulares e divulgados ao Diário da Manhã, vários donos de barracas no evento reclamavam da maneira como foi realizado o pagamento, inclusive, com preço acima do esperado. “Ano passado foi pago em agência bancária. De R$ 1.800 passou para R$ 2.300, afirmou Oziel da Silva Ribeiro, um dos donos de barracas no evento. Sandro Alves dos Santos também denunciou os valores e a forma pessoal de fazer o pagamento da taxa. “Tive sete barracas no rodeio e paguei R$ 15 mil. Esse ano não teve boleto, tivemos que pagar para o Mosquito”, contou.


‘Guardei o dinheiro em casa’, afirma Mosquito
Procurado pela reportagem do Diário da Manhã, o secretário de Finanças disse não ter nenhuma ligação com o caso. “Minha área de atuação no rodeio era a de coordenador de montaria. O prefeito Misael fez uma comissão organizadora e cada um era responsável por uma área. A Secretaria de Finanças não tem ligação nenhuma com o evento”, explicou. Na tentativa de entender peculiaridade da denúncia, o Diário da Manhã procurou a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano, de onde foram emitidas as guias de pagamento para Weverson, para saber detalhes do ocorrido. O secretário da pasta, Jorge Moreira da Silva, disse que a obrigação da secretaria era de emitir as guias e que Weverson Costa da Silva foi quem fez a solicitação. “Ele disse que estava a mando do secretário de Finanças [Marcos Antônio Caldas Júnior] e veio à secretaria aqui para pegar os documentos. A secretaria tem apenas a obrigação de emitir o documento de arrecadação municipal (Duam). O secretário, para finalizar, acrescentou: “emitimos os documentos e entregamos para o ‘Mosquito’ para que o pagamento fosse feito no banco.” Questionado sobre o envolvimento com o caso, o secretário Jorge afirmou: “não compactuo com esse tipo de coisa. Só quero que tudo seja apurado, que o cofre público não tenha prejuízo e que os culpados sejam rigorosamente punidos”, enfatizou por telefone.
Weverson, conhecido como Mosquito, foi procurado pela reportagem do Diário da Manhã duas vezes. Com voz embaralhada, confirmou que levou todo o dinheiro que recebeu para casa onde mora e não soube contar a quantia arrecadada. “Eu guardei o dinheiro em casa e não sei a quantia em dinheiro. Só sei que foram 25 documentos de R$ 1.500 e outras duas de R$ 2.500, e no dia seguinte fiz o depósito na conta da prefeitura”, afirmou por telefone. Questionado por ter recebido os valores pessoalmente, Mosquito relatou: “eu não fui orientado em nada. Esse serviço não era para mim”. Segundo informações dos secretários entrevistados, Mosquito foi exonerado depois que o caso veio à tona. Nossa reportagem procurou saber o motivo e o mesmo disse que não sabia o porquê de sua exoneração. “Desde o rodeio show nunca mais apareci lá. Não sei o porquê fui afastado da prefeitura”, disse Mosquito.
O prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira, foi procurado pela reportagem do Diário da Manhã durante toda a tarde de ontem (17) para falar sobre o caso, mas não foi encontrado até o fechamento desta edição.
Polícia investiga caso
O delegado Emerson Morais de Oliveira, titular da Delegacia Distrital de Senador Canedo, afirmou ao Diário da Manhã que a investigação está em andamento e que nos próximos dias novas informações serão divulgadas. “A investigação está bem adiantada. Já ouvimos secretários municipais e alguns empresários. Temos alguns documentos na delegacia e já agendados a oitiva de outras pessoas para serem ouvidas.” O delegado confirma que a denúncia é séria e que existe mesmo crime relacionado ao Rodeio Show do município. “Vamos continuar investigando para sabermos a participação de cada um; se foi uma pessoa isolada ou se teve mais gente envolvida. O Ministério Público e a Promotoria de Justiça estão acompanhando a investigação em conjunto com a Polícia Civil. Pelo menos até agora, temos a informação de que todo o dinheiro arrecadado foi depositado na conta da prefeitura. Mas, estamos aguardando outros depoimentos para a conclusão do inquérito”, afirmou o delegado Emerson Morais de Oliveira.