América Latina em chamas
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2019 às 18:45 | Atualizado há 8 meses

Infográfico: Elson Souto
Edição: Marcus Vinícius Beck
Golpe de Estado na Bolívia. Números oficiais: 225 mortos e 115 feridos. Com a deposição de Evo Morales. Indígena, cocalero e socialista exilado no México. A mesma pátria que recebera Júlio Mella, de Cuba, morto em 1926, e Leon Trotsky, que morreu, após sofrer um golpe de piolet, em 21 de agosto de 1940. A Bolívia apresenta o maior índice de crescimento econômico da América do Sul. Uma média de 6% ao ano. Desenvolvimento sustentável. Com distribuição de renda, poder e direitos. Com a participação de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, submisso aos EUA, que sonhava em derrubar a suposta ditadura de Nicolás Maduro para criar uma nova. A Embaixada da Venezuela, no Brasil, é invadida. O que fere o Direito Internacional. O Chile insurgente traz 22 mortos. Com a promessa de uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana para destruir o legado da Escola de Chicago, herança da ditadura civil e militar de Augusto Pinochet. O general que desviou e escondeu uma fortuna de recursos do erário do seu País de 21 milhões de dólares. A Argentina derrota, nas urnas, o neoliberalismo. O Brasil, que desmonta a CLT, Previdência, Estado Nacional Desenvolvimentista, solta Luiz Inácio Lula da Silva [PT]. A análise geopolítica é de Frederico Vitor, jornalista.
– É a Primavera da América Latina Insurgente. Com a participação das direitas, classes médias fascistas, Forças Armadas, OEA, Falcões dos Estados Unidos e suas agências de inteligência.
Railton Nascimento – Reprodução/ Acervo Pessoal
O filósofo Railton Nascimento, presidente do Sinpro e da CTB, diz que o incêndio na América Latina, diagnostica uma nova crise cíclica do capitalismo contemporâneo. Um produto do crash que emergiu com a Bolha Imobiliária, nos Estados Unidos, em 2008, e que se espraiou pelo mundo, pontua. Acuados, os EUA entendem que a democracia é conveniente somente quando atendem os seus interesses econômicos, registra. A extrema-direita usa Lawfare, além de robôs e fake News, fundados em algoritmos, criam falsos consensos, lamenta o sindicalista. Com cheiro de uma nova guerra fria, crê. É disputar a hegemonia cultural, moral, social e na comunicação, destaca. Trabalhadores precarizados, da quarta revolução industrial, uni-vos, diz. O pesquisador denuncia a utilização do neopentecostalismo, fundamentalista, como uma ferramenta ideológica agressiva, conservadora. Doutor em Sociologia da PUC, Silvio Costa vê a vitória da centro-esquerda no México, de Manuel Lopez Obrador, além da tentativa de desestabilização dos herdeiros do Sandinismo na Nicarágua, com Daniel Ortega, com a guerra híbrida, que não surtiu efeito. Assim como na Venezuela, com as ameaças dos EUA, Brasil e Juan Guaidó, explica. Rússia e China entraram no jogo da geopolítica, frisa. Lênin Moreno enfrentou, no Equador, manifestações e recuou em medidas antipopulares, observa.
– O Chile convocará uma Assembleia Nacional Constituinte. A situação na Argentina ficou insustentável. Com as ditaduras, Carlos Menem e Maurício Macri. Eles foram derrotados.
Sociólogo Fernando Silva – Reprodução/ Acervo Pessoal
Sociólogo, Lucas Ribeiro, de linhagem marxista, recorda-se do golpe de Estado civil e militar de 11 de setembro de 1973 no Chile. O que provocou a derrubada de Salvador Allende, afirma. A ascensão de Augusto Pinochet, a adoção de medidas como laboratório dos ‘Chicago Boys’, sublinha. Adeptos das ideias da Escola de Chicago, sob a hegemonia de Milton Friedman, ele avalia. A transferência de recursos públicos para o Deus-Mercado, ataca. A privatização dos sistemas de Educação Superior e de Saúde, a desestatização da Previdência Social, a ‘reprimarização’ da Economia, com a construção do Estado Mínimo, na periferia do capitalismo contemporâneo e a pauperização crescente da população, fuzila. Sebastian Piñera, presidente do Chile, é testemunha de manifestações de ruas com milhões de trabalhadores e estudantes em luta. Governos da ‘Concertación’ mantiveram as mesmas estruturas, reclama. Rafael Correa promoveu a Revolução Cidadã, no Equador, rompidas pelo seu sucessor, Lenin Moreno, conta. Complexo e dramático é o quadro da Bolívia, crê. O que ocorre é um golpe, resume. Uma ruptura institucional. Conflitos de classes sociais, analisa. Eles chegaram ao limite, metralha. Com cenários específicos em Chile, Equador, Bolívia, pondera. Desigualdades sociais e revoltas. É a crise do sistema neoliberal, da livre movimentação de capitais, atira.
– A OEA, um organismo multilateral, contribuiu para a desestabilização e o caos institucional. A direita radical ocupou o poder.
Direitista Sebastian Piñera disse que vai haver nova constituinte – Reprodução Mario De Fina/NurPhoto/Getty Images
Isaura Lemos, adepta das ideias de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Ilich Ulianov, Lênin, mostra o elo entre a revolta no Equador, a resistência no Chile, a eleição de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, na Argentina. Um repúdio à agenda econômica, política e social dos EUA para a América Latina, dispara. Ativista desde 1968, ela aprova o anti-imperialismo de Venezuela e México. A Bolívia, sob Evo Morales, crescia em média 6% ao ano, com estabilidade institucional, independência entre os poderes e democracia política e étnica, diz. O golpe de Estado civil e militar na Bolívia, com o exílio de Evo Morales no México, e os pacotes neoliberais no Chile e Equador, possuem relação direta com os EUA, denuncia. A Bolívia tem a maior reserva de Lítio do Planeta Terra, revela o mestre em História, Paulo Winícius Maskote. Imensa rebelião popular exige uma Assembleia Constituinte no Chile, relata o historiador. Trabalhadores e indígenas saem às ruas no Equador contra Lenin Moreno, o FMI e a destruição de direitos e do meio ambiente, anuncia o pesquisador materialista e dialético. Uma conjuntura de insurgências, põe o dedo na ferida da América Latina Paulo Winícius Maskote. Graduado em História, mestre em História e doutor em Educação, professor da UFG, Fernando Santos, critica a ‘Era Sebastián Piñera’, com a capitalização da Previdência e a privatização da Saúde.
– A destruição dos Direitos Sociais – Saúde, Educação e Previdência Social – no Chile mostra um aumento da desigualdade, liquida jovens com endividamento e idosos com a pobreza.
Igor Dias – Reprodução/ Acervo Pessoal
Doutor em História, com pós-doutorado em Literatura Comparada, nos EUA, hoje em São Luís, Maranhão, Nordeste do Brasil, Rickley Marques diz que a burguesia latino-americana quer o controle dos fundos públicos, sem políticas redistributivas e que produzam mobilidade social. Chile, um laboratório liberal, manteve o seu modelo intacto, inclusive sob gestões socialistas, reclama. Lenin Moreno quer corrigir os desvios à esquerda de Rafael Correa, afirma. Evo Morales promoveu crescimento econômico sustentável, distribuiu renda, poder e direitos e errou ao não reconhecer a derrota no plebiscito e tentar um quarto mandato, explica. Professor de Minas Gerais, Péricles de Lima vê um vulcão em erupção. Desde o Caribe, pontua. Haiti, Honduras, Nicarágua, destaca. Nicolás Maduro promete armas os trabalhadores, na Venezuela, ele registra. A renúncia de Sebastian Piñera e uma Assembleia Constituinte Popular e Soberana aparecem como pautas hegemônicas, diz. “A Bolívia sofreu um golpe paramilitar, logo após a soltura de Luiz Inácio Lula da Silva, com intervenção dos EUA”, fuzila. O caminho é transformar as revoltas e revoluções, propõe o trotskista internacionalista. É a antecipação da crise cíclica do capitalismo de 2020, maior do que a de 2008, prevê o analista.
Senadora de oposição se autoproclamou presidente
Sociólogo, Fernando Silva critica o golpe, contabiliza 25 mortos na Bolívia, o sequestro, espancamento e tortura por grupos terroristas de Adriana Salvatierra, presidente do Senado, barricadas no Chile, manifestações contra os desgovernos no Equador, em Bagdá e Hong Kong. Rubens Otoni Gomide [PT-GO], deputado federal, é taxativo. O capitalismo não é um sistema sustentável, explora sem limites, leva ao desespero e a tendência é que as manifestações apareçam em novos países, afirma. Já que as expectativas de um suposto crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida não se confirmem, avalia. Advogado, Rubens Donizzetti vê a conciliação de classes executada pelo reformismo como o pivô das ‘crises’. A crise é de direção, define-a. Sindicalista antifascista, Igor Dias ataca o neoliberalismo, denuncia ao desmonte da Previdência Social no Chile, a elevação dos índices de suicídios entre os idosos, critica Lenin Moreno, ao adotar o pacote do FMI no Equador, o que houve a insurgência dos trabalhadores, e diferencia o caso do Brasil. Ministro da Economia, Paulo Guedes, neoliberal, quer adotar um Plano de Austeridade e já pede paciência à população, diz.
Manifestantes bloqueam estradas em protesto contra a política econômica do governo em Machach – Rodrigo Buendia/AFP
Carlos Ugo Santander – Reprodução/ Facebook
Doutor em Sociologia Comparada, peruano, professor da UFG, Carlos Ugo Santander, diagnostica uma onda por ampliação das demandas por políticas sociais, contra a desigualdade, golpe de Estado na Bolívia, como nos anos 1960, e a derrota de Maurício Macri, na Argentina. Evando Aureliano Peixoto, jornalista, de Brasília, aponta uma crise em escala mundial, que se manifesta na América Latina, do capital. De agonia do capitalismo, registra. Com o seu modelo de exploração do homem pelo homem, vocifera. Os EUA são a ponta de lança do capital, cuja economia se sustenta com protecionismo, guerras comerciais e corrida armamentista, atira. Doutor da Faculdade de Ciências Sociais, Flávio Sofiati vê descontentamento das sociedades na América Latine a até Europa, como na França, além da África. Um aumento da desigualdade, observa. Uma crise do capital, pontua. Descontentamento e mobilização andam juntos contra os Estados Nacionais, afirma. Historiador, de Brasília, Clayton de Souza Avelar explica que ocorre, hoje, um processo revolucionário na América Latina. O país mais avançado é o Chile, resume. A luta por condições mínimas de existência, ele define. O mesmo modelo de Previdência Social que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes querem adotar no Brasil, lembra. Contrarrevolução e revolução estão presentes na Bolívia, avalia. Lenin Moreno recuou, conta.

Podcast: Elson Souto
Infográfico: Elson Souto
Edição: Marcus Vinícius Beck
Golpe de Estado na Bolívia. Números oficiais: 225 mortos e 115 feridos. Com a deposição de Evo Morales. Indígena, cocalero e socialista exilado no México. A mesma pátria que recebera Júlio Mella, de Cuba, morto em 1926, e Leon Trotsky, que morreu, após sofrer um golpe de piolet, em 21 de agosto de 1940. A Bolívia apresenta o maior índice de crescimento econômico da América do Sul. Uma média de 6% ao ano. Desenvolvimento sustentável. Com distribuição de renda, poder e direitos. Com a participação de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, submisso aos EUA, que sonhava em derrubar a suposta ditadura de Nicolás Maduro para criar uma nova. A Embaixada da Venezuela, no Brasil, é invadida. O que fere o Direito Internacional. O Chile insurgente traz 22 mortos. Com a promessa de uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana para destruir o legado da Escola de Chicago, herança da ditadura civil e militar de Augusto Pinochet. O general que desviou e escondeu uma fortuna de recursos do erário do seu País de 21 milhões de dólares. A Argentina derrota, nas urnas, o neoliberalismo. O Brasil, que desmonta a CLT, Previdência, Estado Nacional Desenvolvimentista, solta Luiz Inácio Lula da Silva [PT]. A análise geopolítica é de Frederico Vitor, jornalista.
– É a Primavera da América Latina Insurgente. Com a participação das direitas, classes médias fascistas, Forças Armadas, OEA, Falcões dos Estados Unidos e suas agências de inteligência.
Railton Nascimento – Reprodução/ Acervo Pessoal
O filósofo Railton Nascimento, presidente do Sinpro e da CTB, diz que o incêndio na América Latina, diagnostica uma nova crise cíclica do capitalismo contemporâneo. Um produto do crash que emergiu com a Bolha Imobiliária, nos Estados Unidos, em 2008, e que se espraiou pelo mundo, pontua. Acuados, os EUA entendem que a democracia é conveniente somente quando atendem os seus interesses econômicos, registra. A extrema-direita usa Lawfare, além de robôs e fake News, fundados em algoritmos, criam falsos consensos, lamenta o sindicalista. Com cheiro de uma nova guerra fria, crê. É disputar a hegemonia cultural, moral, social e na comunicação, destaca. Trabalhadores precarizados, da quarta revolução industrial, uni-vos, diz. O pesquisador denuncia a utilização do neopentecostalismo, fundamentalista, como uma ferramenta ideológica agressiva, conservadora. Doutor em Sociologia da PUC, Silvio Costa vê a vitória da centro-esquerda no México, de Manuel Lopez Obrador, além da tentativa de desestabilização dos herdeiros do Sandinismo na Nicarágua, com Daniel Ortega, com a guerra híbrida, que não surtiu efeito. Assim como na Venezuela, com as ameaças dos EUA, Brasil e Juan Guaidó, explica. Rússia e China entraram no jogo da geopolítica, frisa. Lênin Moreno enfrentou, no Equador, manifestações e recuou em medidas antipopulares, observa.
– O Chile convocará uma Assembleia Nacional Constituinte. A situação na Argentina ficou insustentável. Com as ditaduras, Carlos Menem e Maurício Macri. Eles foram derrotados.
Sociólogo Fernando Silva – Reprodução/ Acervo Pessoal
Sociólogo, Lucas Ribeiro, de linhagem marxista, recorda-se do golpe de Estado civil e militar de 11 de setembro de 1973 no Chile. O que provocou a derrubada de Salvador Allende, afirma. A ascensão de Augusto Pinochet, a adoção de medidas como laboratório dos ‘Chicago Boys’, sublinha. Adeptos das ideias da Escola de Chicago, sob a hegemonia de Milton Friedman, ele avalia. A transferência de recursos públicos para o Deus-Mercado, ataca. A privatização dos sistemas de Educação Superior e de Saúde, a desestatização da Previdência Social, a ‘reprimarização’ da Economia, com a construção do Estado Mínimo, na periferia do capitalismo contemporâneo e a pauperização crescente da população, fuzila. Sebastian Piñera, presidente do Chile, é testemunha de manifestações de ruas com milhões de trabalhadores e estudantes em luta. Governos da ‘Concertación’ mantiveram as mesmas estruturas, reclama. Rafael Correa promoveu a Revolução Cidadã, no Equador, rompidas pelo seu sucessor, Lenin Moreno, conta. Complexo e dramático é o quadro da Bolívia, crê. O que ocorre é um golpe, resume. Uma ruptura institucional. Conflitos de classes sociais, analisa. Eles chegaram ao limite, metralha. Com cenários específicos em Chile, Equador, Bolívia, pondera. Desigualdades sociais e revoltas. É a crise do sistema neoliberal, da livre movimentação de capitais, atira.
– A OEA, um organismo multilateral, contribuiu para a desestabilização e o caos institucional. A direita radical ocupou o poder.
Direitista Sebastian Piñera disse que vai haver nova constituinte – Reprodução Mario De Fina/NurPhoto/Getty Images
Isaura Lemos, adepta das ideias de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Ilich Ulianov, Lênin, mostra o elo entre a revolta no Equador, a resistência no Chile, a eleição de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, na Argentina. Um repúdio à agenda econômica, política e social dos EUA para a América Latina, dispara. Ativista desde 1968, ela aprova o anti-imperialismo de Venezuela e México. A Bolívia, sob Evo Morales, crescia em média 6% ao ano, com estabilidade institucional, independência entre os poderes e democracia política e étnica, diz. O golpe de Estado civil e militar na Bolívia, com o exílio de Evo Morales no México, e os pacotes neoliberais no Chile e Equador, possuem relação direta com os EUA, denuncia. A Bolívia tem a maior reserva de Lítio do Planeta Terra, revela o mestre em História, Paulo Winícius Maskote. Imensa rebelião popular exige uma Assembleia Constituinte no Chile, relata o historiador. Trabalhadores e indígenas saem às ruas no Equador contra Lenin Moreno, o FMI e a destruição de direitos e do meio ambiente, anuncia o pesquisador materialista e dialético. Uma conjuntura de insurgências, põe o dedo na ferida da América Latina Paulo Winícius Maskote. Graduado em História, mestre em História e doutor em Educação, professor da UFG, Fernando Santos, critica a ‘Era Sebastián Piñera’, com a capitalização da Previdência e a privatização da Saúde.
– A destruição dos Direitos Sociais – Saúde, Educação e Previdência Social – no Chile mostra um aumento da desigualdade, liquida jovens com endividamento e idosos com a pobreza.
Igor Dias – Reprodução/ Acervo Pessoal
Doutor em História, com pós-doutorado em Literatura Comparada, nos EUA, hoje em São Luís, Maranhão, Nordeste do Brasil, Rickley Marques diz que a burguesia latino-americana quer o controle dos fundos públicos, sem políticas redistributivas e que produzam mobilidade social. Chile, um laboratório liberal, manteve o seu modelo intacto, inclusive sob gestões socialistas, reclama. Lenin Moreno quer corrigir os desvios à esquerda de Rafael Correa, afirma. Evo Morales promoveu crescimento econômico sustentável, distribuiu renda, poder e direitos e errou ao não reconhecer a derrota no plebiscito e tentar um quarto mandato, explica. Professor de Minas Gerais, Péricles de Lima vê um vulcão em erupção. Desde o Caribe, pontua. Haiti, Honduras, Nicarágua, destaca. Nicolás Maduro promete armas os trabalhadores, na Venezuela, ele registra. A renúncia de Sebastian Piñera e uma Assembleia Constituinte Popular e Soberana aparecem como pautas hegemônicas, diz. “A Bolívia sofreu um golpe paramilitar, logo após a soltura de Luiz Inácio Lula da Silva, com intervenção dos EUA”, fuzila. O caminho é transformar as revoltas e revoluções, propõe o trotskista internacionalista. É a antecipação da crise cíclica do capitalismo de 2020, maior do que a de 2008, prevê o analista.
Senadora de oposição se autoproclamou presidente
Sociólogo, Fernando Silva critica o golpe, contabiliza 25 mortos na Bolívia, o sequestro, espancamento e tortura por grupos terroristas de Adriana Salvatierra, presidente do Senado, barricadas no Chile, manifestações contra os desgovernos no Equador, em Bagdá e Hong Kong. Rubens Otoni Gomide [PT-GO], deputado federal, é taxativo. O capitalismo não é um sistema sustentável, explora sem limites, leva ao desespero e a tendência é que as manifestações apareçam em novos países, afirma. Já que as expectativas de um suposto crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida não se confirmem, avalia. Advogado, Rubens Donizzetti vê a conciliação de classes executada pelo reformismo como o pivô das ‘crises’. A crise é de direção, define-a. Sindicalista antifascista, Igor Dias ataca o neoliberalismo, denuncia ao desmonte da Previdência Social no Chile, a elevação dos índices de suicídios entre os idosos, critica Lenin Moreno, ao adotar o pacote do FMI no Equador, o que houve a insurgência dos trabalhadores, e diferencia o caso do Brasil. Ministro da Economia, Paulo Guedes, neoliberal, quer adotar um Plano de Austeridade e já pede paciência à população, diz.
Manifestantes bloqueam estradas em protesto contra a política econômica do governo em Machach – Rodrigo Buendia/AFP
Carlos Ugo Santander – Reprodução/ Facebook
Doutor em Sociologia Comparada, peruano, professor da UFG, Carlos Ugo Santander, diagnostica uma onda por ampliação das demandas por políticas sociais, contra a desigualdade, golpe de Estado na Bolívia, como nos anos 1960, e a derrota de Maurício Macri, na Argentina. Evando Aureliano Peixoto, jornalista, de Brasília, aponta uma crise em escala mundial, que se manifesta na América Latina, do capital. De agonia do capitalismo, registra. Com o seu modelo de exploração do homem pelo homem, vocifera. Os EUA são a ponta de lança do capital, cuja economia se sustenta com protecionismo, guerras comerciais e corrida armamentista, atira. Doutor da Faculdade de Ciências Sociais, Flávio Sofiati vê descontentamento das sociedades na América Latine a até Europa, como na França, além da África. Um aumento da desigualdade, observa. Uma crise do capital, pontua. Descontentamento e mobilização andam juntos contra os Estados Nacionais, afirma. Historiador, de Brasília, Clayton de Souza Avelar explica que ocorre, hoje, um processo revolucionário na América Latina. O país mais avançado é o Chile, resume. A luta por condições mínimas de existência, ele define. O mesmo modelo de Previdência Social que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes querem adotar no Brasil, lembra. Contrarrevolução e revolução estão presentes na Bolívia, avalia. Lenin Moreno recuou, conta.

Texto: Renato Dias
Podcast: Elson Souto
Infográfico: Elson Souto
Edição: Marcus Vinícius Beck
Golpe de Estado na Bolívia. Números oficiais: 225 mortos e 115 feridos. Com a deposição de Evo Morales. Indígena, cocalero e socialista exilado no México. A mesma pátria que recebera Júlio Mella, de Cuba, morto em 1926, e Leon Trotsky, que morreu, após sofrer um golpe de piolet, em 21 de agosto de 1940. A Bolívia apresenta o maior índice de crescimento econômico da América do Sul. Uma média de 6% ao ano. Desenvolvimento sustentável. Com distribuição de renda, poder e direitos. Com a participação de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, submisso aos EUA, que sonhava em derrubar a suposta ditadura de Nicolás Maduro para criar uma nova. A Embaixada da Venezuela, no Brasil, é invadida. O que fere o Direito Internacional. O Chile insurgente traz 22 mortos. Com a promessa de uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana para destruir o legado da Escola de Chicago, herança da ditadura civil e militar de Augusto Pinochet. O general que desviou e escondeu uma fortuna de recursos do erário do seu País de 21 milhões de dólares. A Argentina derrota, nas urnas, o neoliberalismo. O Brasil, que desmonta a CLT, Previdência, Estado Nacional Desenvolvimentista, solta Luiz Inácio Lula da Silva [PT]. A análise geopolítica é de Frederico Vitor, jornalista.
– É a Primavera da América Latina Insurgente. Com a participação das direitas, classes médias fascistas, Forças Armadas, OEA, Falcões dos Estados Unidos e suas agências de inteligência.
Railton Nascimento – Reprodução/ Acervo Pessoal
O filósofo Railton Nascimento, presidente do Sinpro e da CTB, diz que o incêndio na América Latina, diagnostica uma nova crise cíclica do capitalismo contemporâneo. Um produto do crash que emergiu com a Bolha Imobiliária, nos Estados Unidos, em 2008, e que se espraiou pelo mundo, pontua. Acuados, os EUA entendem que a democracia é conveniente somente quando atendem os seus interesses econômicos, registra. A extrema-direita usa Lawfare, além de robôs e fake News, fundados em algoritmos, criam falsos consensos, lamenta o sindicalista. Com cheiro de uma nova guerra fria, crê. É disputar a hegemonia cultural, moral, social e na comunicação, destaca. Trabalhadores precarizados, da quarta revolução industrial, uni-vos, diz. O pesquisador denuncia a utilização do neopentecostalismo, fundamentalista, como uma ferramenta ideológica agressiva, conservadora. Doutor em Sociologia da PUC, Silvio Costa vê a vitória da centro-esquerda no México, de Manuel Lopez Obrador, além da tentativa de desestabilização dos herdeiros do Sandinismo na Nicarágua, com Daniel Ortega, com a guerra híbrida, que não surtiu efeito. Assim como na Venezuela, com as ameaças dos EUA, Brasil e Juan Guaidó, explica. Rússia e China entraram no jogo da geopolítica, frisa. Lênin Moreno enfrentou, no Equador, manifestações e recuou em medidas antipopulares, observa.
– O Chile convocará uma Assembleia Nacional Constituinte. A situação na Argentina ficou insustentável. Com as ditaduras, Carlos Menem e Maurício Macri. Eles foram derrotados.
Sociólogo Fernando Silva – Reprodução/ Acervo Pessoal
Sociólogo, Lucas Ribeiro, de linhagem marxista, recorda-se do golpe de Estado civil e militar de 11 de setembro de 1973 no Chile. O que provocou a derrubada de Salvador Allende, afirma. A ascensão de Augusto Pinochet, a adoção de medidas como laboratório dos ‘Chicago Boys’, sublinha. Adeptos das ideias da Escola de Chicago, sob a hegemonia de Milton Friedman, ele avalia. A transferência de recursos públicos para o Deus-Mercado, ataca. A privatização dos sistemas de Educação Superior e de Saúde, a desestatização da Previdência Social, a ‘reprimarização’ da Economia, com a construção do Estado Mínimo, na periferia do capitalismo contemporâneo e a pauperização crescente da população, fuzila. Sebastian Piñera, presidente do Chile, é testemunha de manifestações de ruas com milhões de trabalhadores e estudantes em luta. Governos da ‘Concertación’ mantiveram as mesmas estruturas, reclama. Rafael Correa promoveu a Revolução Cidadã, no Equador, rompidas pelo seu sucessor, Lenin Moreno, conta. Complexo e dramático é o quadro da Bolívia, crê. O que ocorre é um golpe, resume. Uma ruptura institucional. Conflitos de classes sociais, analisa. Eles chegaram ao limite, metralha. Com cenários específicos em Chile, Equador, Bolívia, pondera. Desigualdades sociais e revoltas. É a crise do sistema neoliberal, da livre movimentação de capitais, atira.
– A OEA, um organismo multilateral, contribuiu para a desestabilização e o caos institucional. A direita radical ocupou o poder.
Direitista Sebastian Piñera disse que vai haver nova constituinte – Reprodução Mario De Fina/NurPhoto/Getty Images
Isaura Lemos, adepta das ideias de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Ilich Ulianov, Lênin, mostra o elo entre a revolta no Equador, a resistência no Chile, a eleição de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, na Argentina. Um repúdio à agenda econômica, política e social dos EUA para a América Latina, dispara. Ativista desde 1968, ela aprova o anti-imperialismo de Venezuela e México. A Bolívia, sob Evo Morales, crescia em média 6% ao ano, com estabilidade institucional, independência entre os poderes e democracia política e étnica, diz. O golpe de Estado civil e militar na Bolívia, com o exílio de Evo Morales no México, e os pacotes neoliberais no Chile e Equador, possuem relação direta com os EUA, denuncia. A Bolívia tem a maior reserva de Lítio do Planeta Terra, revela o mestre em História, Paulo Winícius Maskote. Imensa rebelião popular exige uma Assembleia Constituinte no Chile, relata o historiador. Trabalhadores e indígenas saem às ruas no Equador contra Lenin Moreno, o FMI e a destruição de direitos e do meio ambiente, anuncia o pesquisador materialista e dialético. Uma conjuntura de insurgências, põe o dedo na ferida da América Latina Paulo Winícius Maskote. Graduado em História, mestre em História e doutor em Educação, professor da UFG, Fernando Santos, critica a ‘Era Sebastián Piñera’, com a capitalização da Previdência e a privatização da Saúde.
– A destruição dos Direitos Sociais – Saúde, Educação e Previdência Social – no Chile mostra um aumento da desigualdade, liquida jovens com endividamento e idosos com a pobreza.
Igor Dias – Reprodução/ Acervo Pessoal
Doutor em História, com pós-doutorado em Literatura Comparada, nos EUA, hoje em São Luís, Maranhão, Nordeste do Brasil, Rickley Marques diz que a burguesia latino-americana quer o controle dos fundos públicos, sem políticas redistributivas e que produzam mobilidade social. Chile, um laboratório liberal, manteve o seu modelo intacto, inclusive sob gestões socialistas, reclama. Lenin Moreno quer corrigir os desvios à esquerda de Rafael Correa, afirma. Evo Morales promoveu crescimento econômico sustentável, distribuiu renda, poder e direitos e errou ao não reconhecer a derrota no plebiscito e tentar um quarto mandato, explica. Professor de Minas Gerais, Péricles de Lima vê um vulcão em erupção. Desde o Caribe, pontua. Haiti, Honduras, Nicarágua, destaca. Nicolás Maduro promete armas os trabalhadores, na Venezuela, ele registra. A renúncia de Sebastian Piñera e uma Assembleia Constituinte Popular e Soberana aparecem como pautas hegemônicas, diz. “A Bolívia sofreu um golpe paramilitar, logo após a soltura de Luiz Inácio Lula da Silva, com intervenção dos EUA”, fuzila. O caminho é transformar as revoltas e revoluções, propõe o trotskista internacionalista. É a antecipação da crise cíclica do capitalismo de 2020, maior do que a de 2008, prevê o analista.
Senadora de oposição se autoproclamou presidente
Sociólogo, Fernando Silva critica o golpe, contabiliza 25 mortos na Bolívia, o sequestro, espancamento e tortura por grupos terroristas de Adriana Salvatierra, presidente do Senado, barricadas no Chile, manifestações contra os desgovernos no Equador, em Bagdá e Hong Kong. Rubens Otoni Gomide [PT-GO], deputado federal, é taxativo. O capitalismo não é um sistema sustentável, explora sem limites, leva ao desespero e a tendência é que as manifestações apareçam em novos países, afirma. Já que as expectativas de um suposto crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida não se confirmem, avalia. Advogado, Rubens Donizzetti vê a conciliação de classes executada pelo reformismo como o pivô das ‘crises’. A crise é de direção, define-a. Sindicalista antifascista, Igor Dias ataca o neoliberalismo, denuncia ao desmonte da Previdência Social no Chile, a elevação dos índices de suicídios entre os idosos, critica Lenin Moreno, ao adotar o pacote do FMI no Equador, o que houve a insurgência dos trabalhadores, e diferencia o caso do Brasil. Ministro da Economia, Paulo Guedes, neoliberal, quer adotar um Plano de Austeridade e já pede paciência à população, diz.
Manifestantes bloqueam estradas em protesto contra a política econômica do governo em Machach – Rodrigo Buendia/AFP
Carlos Ugo Santander – Reprodução/ Facebook
Doutor em Sociologia Comparada, peruano, professor da UFG, Carlos Ugo Santander, diagnostica uma onda por ampliação das demandas por políticas sociais, contra a desigualdade, golpe de Estado na Bolívia, como nos anos 1960, e a derrota de Maurício Macri, na Argentina. Evando Aureliano Peixoto, jornalista, de Brasília, aponta uma crise em escala mundial, que se manifesta na América Latina, do capital. De agonia do capitalismo, registra. Com o seu modelo de exploração do homem pelo homem, vocifera. Os EUA são a ponta de lança do capital, cuja economia se sustenta com protecionismo, guerras comerciais e corrida armamentista, atira. Doutor da Faculdade de Ciências Sociais, Flávio Sofiati vê descontentamento das sociedades na América Latine a até Europa, como na França, além da África. Um aumento da desigualdade, observa. Uma crise do capital, pontua. Descontentamento e mobilização andam juntos contra os Estados Nacionais, afirma. Historiador, de Brasília, Clayton de Souza Avelar explica que ocorre, hoje, um processo revolucionário na América Latina. O país mais avançado é o Chile, resume. A luta por condições mínimas de existência, ele define. O mesmo modelo de Previdência Social que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes querem adotar no Brasil, lembra. Contrarrevolução e revolução estão presentes na Bolívia, avalia. Lenin Moreno recuou, conta.

Texto: Renato Dias
Podcast: Elson Souto
Infográfico: Elson Souto
Edição: Marcus Vinícius Beck
Golpe de Estado na Bolívia. Números oficiais: 225 mortos e 115 feridos. Com a deposição de Evo Morales. Indígena, cocalero e socialista exilado no México. A mesma pátria que recebera Júlio Mella, de Cuba, morto em 1926, e Leon Trotsky, que morreu, após sofrer um golpe de piolet, em 21 de agosto de 1940. A Bolívia apresenta o maior índice de crescimento econômico da América do Sul. Uma média de 6% ao ano. Desenvolvimento sustentável. Com distribuição de renda, poder e direitos. Com a participação de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, submisso aos EUA, que sonhava em derrubar a suposta ditadura de Nicolás Maduro para criar uma nova. A Embaixada da Venezuela, no Brasil, é invadida. O que fere o Direito Internacional. O Chile insurgente traz 22 mortos. Com a promessa de uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana para destruir o legado da Escola de Chicago, herança da ditadura civil e militar de Augusto Pinochet. O general que desviou e escondeu uma fortuna de recursos do erário do seu País de 21 milhões de dólares. A Argentina derrota, nas urnas, o neoliberalismo. O Brasil, que desmonta a CLT, Previdência, Estado Nacional Desenvolvimentista, solta Luiz Inácio Lula da Silva [PT]. A análise geopolítica é de Frederico Vitor, jornalista.
– É a Primavera da América Latina Insurgente. Com a participação das direitas, classes médias fascistas, Forças Armadas, OEA, Falcões dos Estados Unidos e suas agências de inteligência.
Railton Nascimento – Reprodução/ Acervo Pessoal
O filósofo Railton Nascimento, presidente do Sinpro e da CTB, diz que o incêndio na América Latina, diagnostica uma nova crise cíclica do capitalismo contemporâneo. Um produto do crash que emergiu com a Bolha Imobiliária, nos Estados Unidos, em 2008, e que se espraiou pelo mundo, pontua. Acuados, os EUA entendem que a democracia é conveniente somente quando atendem os seus interesses econômicos, registra. A extrema-direita usa Lawfare, além de robôs e fake News, fundados em algoritmos, criam falsos consensos, lamenta o sindicalista. Com cheiro de uma nova guerra fria, crê. É disputar a hegemonia cultural, moral, social e na comunicação, destaca. Trabalhadores precarizados, da quarta revolução industrial, uni-vos, diz. O pesquisador denuncia a utilização do neopentecostalismo, fundamentalista, como uma ferramenta ideológica agressiva, conservadora. Doutor em Sociologia da PUC, Silvio Costa vê a vitória da centro-esquerda no México, de Manuel Lopez Obrador, além da tentativa de desestabilização dos herdeiros do Sandinismo na Nicarágua, com Daniel Ortega, com a guerra híbrida, que não surtiu efeito. Assim como na Venezuela, com as ameaças dos EUA, Brasil e Juan Guaidó, explica. Rússia e China entraram no jogo da geopolítica, frisa. Lênin Moreno enfrentou, no Equador, manifestações e recuou em medidas antipopulares, observa.
– O Chile convocará uma Assembleia Nacional Constituinte. A situação na Argentina ficou insustentável. Com as ditaduras, Carlos Menem e Maurício Macri. Eles foram derrotados.
Sociólogo Fernando Silva – Reprodução/ Acervo Pessoal
Sociólogo, Lucas Ribeiro, de linhagem marxista, recorda-se do golpe de Estado civil e militar de 11 de setembro de 1973 no Chile. O que provocou a derrubada de Salvador Allende, afirma. A ascensão de Augusto Pinochet, a adoção de medidas como laboratório dos ‘Chicago Boys’, sublinha. Adeptos das ideias da Escola de Chicago, sob a hegemonia de Milton Friedman, ele avalia. A transferência de recursos públicos para o Deus-Mercado, ataca. A privatização dos sistemas de Educação Superior e de Saúde, a desestatização da Previdência Social, a ‘reprimarização’ da Economia, com a construção do Estado Mínimo, na periferia do capitalismo contemporâneo e a pauperização crescente da população, fuzila. Sebastian Piñera, presidente do Chile, é testemunha de manifestações de ruas com milhões de trabalhadores e estudantes em luta. Governos da ‘Concertación’ mantiveram as mesmas estruturas, reclama. Rafael Correa promoveu a Revolução Cidadã, no Equador, rompidas pelo seu sucessor, Lenin Moreno, conta. Complexo e dramático é o quadro da Bolívia, crê. O que ocorre é um golpe, resume. Uma ruptura institucional. Conflitos de classes sociais, analisa. Eles chegaram ao limite, metralha. Com cenários específicos em Chile, Equador, Bolívia, pondera. Desigualdades sociais e revoltas. É a crise do sistema neoliberal, da livre movimentação de capitais, atira.
– A OEA, um organismo multilateral, contribuiu para a desestabilização e o caos institucional. A direita radical ocupou o poder.
Direitista Sebastian Piñera disse que vai haver nova constituinte – Reprodução Mario De Fina/NurPhoto/Getty Images
Isaura Lemos, adepta das ideias de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Ilich Ulianov, Lênin, mostra o elo entre a revolta no Equador, a resistência no Chile, a eleição de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, na Argentina. Um repúdio à agenda econômica, política e social dos EUA para a América Latina, dispara. Ativista desde 1968, ela aprova o anti-imperialismo de Venezuela e México. A Bolívia, sob Evo Morales, crescia em média 6% ao ano, com estabilidade institucional, independência entre os poderes e democracia política e étnica, diz. O golpe de Estado civil e militar na Bolívia, com o exílio de Evo Morales no México, e os pacotes neoliberais no Chile e Equador, possuem relação direta com os EUA, denuncia. A Bolívia tem a maior reserva de Lítio do Planeta Terra, revela o mestre em História, Paulo Winícius Maskote. Imensa rebelião popular exige uma Assembleia Constituinte no Chile, relata o historiador. Trabalhadores e indígenas saem às ruas no Equador contra Lenin Moreno, o FMI e a destruição de direitos e do meio ambiente, anuncia o pesquisador materialista e dialético. Uma conjuntura de insurgências, põe o dedo na ferida da América Latina Paulo Winícius Maskote. Graduado em História, mestre em História e doutor em Educação, professor da UFG, Fernando Santos, critica a ‘Era Sebastián Piñera’, com a capitalização da Previdência e a privatização da Saúde.
– A destruição dos Direitos Sociais – Saúde, Educação e Previdência Social – no Chile mostra um aumento da desigualdade, liquida jovens com endividamento e idosos com a pobreza.
Igor Dias – Reprodução/ Acervo Pessoal
Doutor em História, com pós-doutorado em Literatura Comparada, nos EUA, hoje em São Luís, Maranhão, Nordeste do Brasil, Rickley Marques diz que a burguesia latino-americana quer o controle dos fundos públicos, sem políticas redistributivas e que produzam mobilidade social. Chile, um laboratório liberal, manteve o seu modelo intacto, inclusive sob gestões socialistas, reclama. Lenin Moreno quer corrigir os desvios à esquerda de Rafael Correa, afirma. Evo Morales promoveu crescimento econômico sustentável, distribuiu renda, poder e direitos e errou ao não reconhecer a derrota no plebiscito e tentar um quarto mandato, explica. Professor de Minas Gerais, Péricles de Lima vê um vulcão em erupção. Desde o Caribe, pontua. Haiti, Honduras, Nicarágua, destaca. Nicolás Maduro promete armas os trabalhadores, na Venezuela, ele registra. A renúncia de Sebastian Piñera e uma Assembleia Constituinte Popular e Soberana aparecem como pautas hegemônicas, diz. “A Bolívia sofreu um golpe paramilitar, logo após a soltura de Luiz Inácio Lula da Silva, com intervenção dos EUA”, fuzila. O caminho é transformar as revoltas e revoluções, propõe o trotskista internacionalista. É a antecipação da crise cíclica do capitalismo de 2020, maior do que a de 2008, prevê o analista.
Senadora de oposição se autoproclamou presidente
Sociólogo, Fernando Silva critica o golpe, contabiliza 25 mortos na Bolívia, o sequestro, espancamento e tortura por grupos terroristas de Adriana Salvatierra, presidente do Senado, barricadas no Chile, manifestações contra os desgovernos no Equador, em Bagdá e Hong Kong. Rubens Otoni Gomide [PT-GO], deputado federal, é taxativo. O capitalismo não é um sistema sustentável, explora sem limites, leva ao desespero e a tendência é que as manifestações apareçam em novos países, afirma. Já que as expectativas de um suposto crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida não se confirmem, avalia. Advogado, Rubens Donizzetti vê a conciliação de classes executada pelo reformismo como o pivô das ‘crises’. A crise é de direção, define-a. Sindicalista antifascista, Igor Dias ataca o neoliberalismo, denuncia ao desmonte da Previdência Social no Chile, a elevação dos índices de suicídios entre os idosos, critica Lenin Moreno, ao adotar o pacote do FMI no Equador, o que houve a insurgência dos trabalhadores, e diferencia o caso do Brasil. Ministro da Economia, Paulo Guedes, neoliberal, quer adotar um Plano de Austeridade e já pede paciência à população, diz.
Manifestantes bloqueam estradas em protesto contra a política econômica do governo em Machach – Rodrigo Buendia/AFP
Carlos Ugo Santander – Reprodução/ Facebook
Doutor em Sociologia Comparada, peruano, professor da UFG, Carlos Ugo Santander, diagnostica uma onda por ampliação das demandas por políticas sociais, contra a desigualdade, golpe de Estado na Bolívia, como nos anos 1960, e a derrota de Maurício Macri, na Argentina. Evando Aureliano Peixoto, jornalista, de Brasília, aponta uma crise em escala mundial, que se manifesta na América Latina, do capital. De agonia do capitalismo, registra. Com o seu modelo de exploração do homem pelo homem, vocifera. Os EUA são a ponta de lança do capital, cuja economia se sustenta com protecionismo, guerras comerciais e corrida armamentista, atira. Doutor da Faculdade de Ciências Sociais, Flávio Sofiati vê descontentamento das sociedades na América Latine a até Europa, como na França, além da África. Um aumento da desigualdade, observa. Uma crise do capital, pontua. Descontentamento e mobilização andam juntos contra os Estados Nacionais, afirma. Historiador, de Brasília, Clayton de Souza Avelar explica que ocorre, hoje, um processo revolucionário na América Latina. O país mais avançado é o Chile, resume. A luta por condições mínimas de existência, ele define. O mesmo modelo de Previdência Social que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes querem adotar no Brasil, lembra. Contrarrevolução e revolução estão presentes na Bolívia, avalia. Lenin Moreno recuou, conta.
