Cotidiano

“Apenas sigo ordens”, afirma manobrista após morte de mulher em piscina de academia

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 14:23 | Atualizado há 5 meses

Manobrista foi ouvido pela polícia após morte de aluna em piscina de academia na capital paulista | Foto: Reprodução
Manobrista foi ouvido pela polícia após morte de aluna em piscina de academia na capital paulista | Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo (PCSP) ouviu, nesta terça-feira (10), o funcionário responsável pela manutenção da piscina da academia onde uma mulher morreu após uma aula de natação, na zona leste da capital. Em depoimento, ele afirmou que apenas cumpria ordens repassadas por superiores e que recebeu orientações por mensagens de WhatsApp sobre os produtos que deveriam ser utilizados na água.

A defesa informou que o funcionário colaborou com a investigação e entregou voluntariamente a senha do celular, permitindo o acesso às conversas. Até o momento, ele sustenta que usava apenas cloro no tratamento da piscina. A polícia, no entanto, aguarda o laudo pericial para confirmar quais substâncias químicas estavam presentes no local.

A principal hipótese da Polícia Civil é de que uma reação química tenha provocado a liberação de gases tóxicos no ambiente da piscina. O delegado responsável pelo caso informou que a vítima, a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, tinha histórico de problemas respiratórios e buscava a natação como forma de melhorar os sintomas.

Os proprietários da Academia C4 Gym ainda não foram ouvidos. Eles eram esperados para prestar esclarecimentos anteriormente, mas não compareceram. A oitiva deve ocorrer ainda nesta terça-feira (10), segundo a polícia.

Relembre o caso

Juliana participava de uma aula de natação no último sábado (7) acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira. Pouco tempo após entrarem na piscina, ambos passaram mal e apresentaram sinais de intoxicação. O casal foi encaminhado ao Hospital Santa Helena, em Santo André, onde a professora sofreu uma parada cardíaca e morreu ainda na noite do mesmo dia.

Vinicius permanece internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Outras pessoas que estavam na aula também relataram mal-estar. Ao todo, seis alunos foram atendidos, incluindo um adolescente de 14 anos, que segue hospitalizado em estado grave e respira com auxílio de aparelhos. Duas pessoas receberam atendimento médico e foram liberadas, enquanto uma mulher de 29 anos continua internada.

Imagens mostram mistura de produtos durante a aula

Câmeras de segurança da academia registraram o momento em que o funcionário mistura produtos químicos em um balde, em uma área nos fundos do estabelecimento, por volta das 13h24. As imagens mostram a liberação de uma fumaça branca logo após a mistura.

Cerca de três minutos depois, o recipiente é levado para a área da piscina, enquanto a aula ainda estava em andamento. Sete alunos nadavam no local, além do professor responsável. O balde foi deixado próximo à borda e, pouco depois, os gases teriam se espalhado pelo ambiente.

Durante a apuração, a polícia identificou uma série de irregularidades na academia, que não possuía alvará de funcionamento. Também foram constatados problemas na estrutura elétrica da piscina, ligada à cozinha, além do armazenamento inadequado de produtos químicos.

Em nota, a Academia C4 Gym afirmou lamentar profundamente o ocorrido, informou que prestou atendimento imediato às vítimas e declarou estar colaborando com as autoridades, oferecendo suporte aos envolvidos.


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