Após superar expectativa, professor retorna a Goiânia
Redação DM
Publicado em 30 de julho de 2016 às 03:14 | Atualizado há 10 anosCom muita determinação e coragem, Sandro Rodrigues, professor do curso de Recursos Humanos da Faculdade Estácio, percorreu aproximadamente 2.000 quilômetros de bicicleta de Aparecida de Goiânia a Belém (PA). Ele deu início a sua jornada no dia 2 de julho e retornou de avião para Goiânia no dia 20 de julho.
Sandro, que havia planejado realizar a viagem em 25 dias, levando em consideração os imprevistos (bicicleta danificada e problemas com saúde), superou a meta estabelecida. “Deu tudo certo e realizei o trajeto em apenas 16 dias. A média era de 150 a 174 km/dia, com velocidade média de 15.7 km/hora, somando 12 horas de pedal diário”, explica.
Diagnosticado com uma doença rara, chamada Imunodeficiente Comum Variável, Sandro possui menos de 1% de imunidade, sendo vulnerável a infecções e orientado a não praticar esportes. No caso do Sandro, isso não aconteceu. Ele é ciclista há 13 anos, mas também é adepto do rapel, trekking, entre outros esportes de alto rendimento.
O professor da Faculdade Estácio volta para Goiânia com um relato positivo sobre sua viagem e considera uma experiência ímpar e gratificante. “Foram vários os momentos marcantes, entre eles o contato com tantas pessoas solidárias”, conta.
Ele relata que a alternância do clima de cada Estado e as subidas em algumas regiões, de muito calor, foram alguns dos desafios enfrentados na viagem. “Algo que não havia pensado foi o período de inverno. As noites eram muito longas, o sol demorava a aparecer e, às 18h30, já estava tão escuro que não se via absolutamente nada. Também avistei acostamentos com muitos pedaços de pneus e buracos, o que atrapalhava a pedalada”, relembra.
O distanciamento entre um povoado e outro, chegando a até 80 quilômetros, também foi um dos desafios que Sandro teve que enfrentar. “Tive que administrar água e alimentação e, em alguns momentos, pensava que o asfalto ia derreter de tanto calor. E se não bastasse, foram 14 furos de câmara de ar/pneu”, brinca.
Para o professor, dar início ao seu projeto Brasil de Norte a Sul despertou ainda mais o sentimento de que tudo é possível quando se há foco, disciplina e organização. “O que percebi é que estamos no controle do leme da vida, que a dificuldade é muito mais uma questão psicológica do que física, que somos capazes de coisas inacreditáveis e que a vida nos ensina a adaptar as dificuldades para alcançarmos nossos objetivos”, relata.
E as aventuras não param por aí. O projeto seguirá adiante rumo ao Chuí (RS), prevista para o ano que vem, sem data definida. E os apaixonados por esporte e por novos desafios podem acompanhar todas as novidades pela página do Facebook Sandro Rodrigues de Oliveira e pelo site: www.seriemapedal.com.
Confira na íntegra a entrevista realizada com o professor após seu retorno:
Reportagem: Ao longo dos 16 dias de viagens fez contato com a família alguma vez? Como foi o apoio da família nessa jornada?
Sandro Rodrigues: Fiz contato todos os dias com a família, via aplicativo WhatsApp. Informava minha localização e também enviava imagens. Em todos os locais havia acesso de Wi-fi.
Reportagem: Como foi a experiência de acampar na beira das estradas do Brasil?
SR: Um dos maiores problemas na informação de planejamento era as pessoas falarem da insegurança, mas confesso que não tive nenhum problema com relação a isso, as pessoas são agradáveis e solícitas. Para acampar, os melhores locais são os postos de combustíveis ou em agrupamentos de caminhoneiros.
Reportagem: Houveram problemas mais sérios ? (pneus que furaram longe de alguma cidade/ficar sem suprimento e outras questões).
SR: Furaram 14 câmaras de pneu e levei ferramentas/kits para pequenos reparos, além de duas câmaras reservas. Quando possível, fazia as trocas de câmaras. Não tive nenhum outro problema com a bike. Desde que saiba usar e passar as marchas corretas, não há problema. A bike, alforge, barraca, colchonete e suplementação pesavam quase 50 kg, mesmo levando apenas dois conjuntos de roupas. Para não ficar sem os suprimentos, levava alguns alimentos para emergência, como farofa de carne seca; chocolate; isotônico; doces e castanhas. Em três momentos apenas fiquei sem almoço, com uma distância de até 80 km entre uma cidade e outra.
Reportagem: Quais os planos agora que está de volta?
SR: Aplicar os meus conhecimentos desta viagem autossuficiente e única de um goiano ( não encontrei registro de outro brasileiro com o mesmo problema de saúde que tenha feito a mesma façanha) em sala de aula, igreja e empresas, para compartilhar sobre gestão de suprimentos; planejamento (pessoal e profissional); pessoas e definição de objetivos. Planejo viajar para o Chuí/RS e depois todo litoral brasileiro.
Ao final da entrevista o professor deixa registradas todas as suas impressões e percepções a respeito de sua jornada pelas estradas do Brasil:
Somos capazes de realizar coisas grandiosas, desde que tenhamos foco, disciplina e organização;
Devemos ver a solução das adversidades e não focar no problema;
Somos capazes de coisas grandiosas;
Deus está presente e permite todas as coisas;
Ausência de infraestrutura educacional, moradia, saúde e trabalho aos jovens;
Muito êxodo de jovens para os grandes centros, deixando suas cidades;
Ausência de acostamentos;
População alegre;
O nosso país é muito belo e poderia ser explorado ainda mais pelo turismo;
As dificuldades que enfrentava com sol e subidas eram estímulos para que eu pudesse vencer e melhorar como profissional e pessoa;
Que não existe dificuldade que não possa ser superada.
Somos adaptáveis e podemos provocar melhoras na vida de outras pessoas com nosso testemunho e sabedoria em aconselhá-las.
A bicicleta aproxima as pessoas;
O Brasil tem várias culturas (GO; TO; MA e PA);
O Brasil é muito rico em pessoas, natureza e gastronomia.