Ar seco e altas temperaturas podem causar doenças
Redação DM
Publicado em 14 de outubro de 2015 às 23:06 | Atualizado há 1 ano
Essa época do ano no Cerrado é típica pela florada das árvores que traz cor às ruas e beleza aos olhos acostumados com o cinza dos prédios e asfalto. Mas, o tempo seco não revela apenas beleza, também é propício para fragilizar o corpo humano, que exposto a agentes patológicos pode se contaminar mais facilmente. Além do clima, também é preciso lembrar que nessa época do ano as queimadas se multiplicam, inserindo a fumaça como agravante na poluição do ar e consequentemente aumentando o número de pacientes com problemas no sistema respiratório.
Os consultórios médicos ficam mais movimentados nesses meses. São casos de alergias, sinusite, asma, rinite, faringite, bonquites (aguda ou crônica), resfriado, gripe, pneumonia, amidalite, otite entre outros. Há também os problemas relacionados aos dias quentes, como possibilidade de desidratação e episódios de intoxicação alimentar.
Gripes e resfriados

Pessoas resfriadas culpam as mudanças bruscas de temperatura pela doença, mas a temperatura não provoca o resfriado, que pode ser causado por mais de 200 tipos diferentes vírus. Mas, estar em um ambiente frio por causa de resfriadores de ar e depois sair em um dia quente, com baixa umidade do ar, interferem na fragilização do corpo humano e também em mudanças de comportamento que ajudam na proliferação de doenças no ambiente.
O resfriado é caracterizado por um conjunto de sintomas composto por febre, mialgia, congestão nasal e coriza que duram em torno de três dias, diferente da gripe na qual os sintomas são mais fortes e duradouros. Os agentes que causam as doenças também são diferentes. Enquanto o resfriado é causado por rinovírus ou coronavírus a gripe é causada pelo vírus influenza.
Nesse tempo, de acordo com o médico infectologista Alexandre Costa, há um processo de fragilização do corpo humano: “Climas frios com baixa umidade favorecem os casos de resfriados, principalmente quando essa variação ocorre de forma brusca. Baixas temperaturas interferem nos mecanismos de defesa das vias aéreas”, explica.
Os agentes patológicos costumam invadir o corpo humano através dos olhos, nariz e boca que nessa época sofrem com o ressecamento da mucosa, o que favorece o contágio que acontecer via contato físico ou por meio do ar.
Francisco Geraldo Sarti de Carvalho, médico especialista em Alergia e Imunologia, explica ainda que a propagação do vírus é facilitada porque as pessoas tendem a ficar mais aglomeradas e em locais fechados e gelados. “O resfriado e a gripe não são doenças produzidas essencialmente pelo frio, são transmitidas porque as pessoas ficam mais próximas”, completa.
Tratamento
Ambos os especialistas lembram que para o resfriado não há vacinas ou remédios que o curem, sendo que eles agem apenas no alívio aos sintomas. Para o alergista e imunologista Francisco, vale ressaltar que as vacinas existentes previnem apenas contra gripes. “Existem vacinas para os diversos tipos de vírus influenza, causador da gripe, que são ótimas para a proteção contra ela, mas não protegem contra o resfriado” explica.
Os cuidados para a pessoa que adquiriu um resfriado são manter uma boa hidratação, ou seja, ingerir muito líquido, e repousar, além de tomar os medicamentos que minimizam os sintomas. “Essas medidas podem ajudar a aliviar os sintomas de quem já está doente”, afirma o infectologista Alexandre.
Porém, segundo o médico infectologista, o melhor a ser feito ainda é evitar ficar doente. Como esta é uma doença altamente contagiosa, o doutor Alexandre indica medidas preventivas. “Lavar bem as mãos, evitar tossir ou espirrar próximo a outras pessoas, usar lenços descartáveis e evitar locais fechados com grande aglomeração”, podem, segundo ele, evitar o contágio.
Rinite e asma
O médico ainda alerta que outras doenças também são confundidas com resfriados e gripes, como rinite alérgica e asma. Porém estas “não são provocadas por vírus e sim por alérgenos, sendo transmitidas hereditariamente. Podem ser leves, moderadas ou graves de acordo com a predisposição individual”, explica o doutor Francisco.
O perigo das altas temperaturas

Parece lógico o pensamento de que o corpo humano não suporta altas temperaturas. A idéia de que a temperatura interna do corpo não pode ultrapassar os 36,5°C, evidenciando que se está com febre, já é um indicativo dessa fragilidade humana. Diversos estudos apontam que a relação entre calor excessivo, doenças e mortalidade é real. Um destes, da Vigilância Epidemiológica de Portugal em 2003, faz uma revisão na literatura médica dessa área e aponta alguns dados coletados entre ondas de calor que assolaram o país entre os períodos de verão da década de 90. “A análise de vários períodos de ondas de calor sugere que episódios de longa duração e de temperaturas elevadas têm um maior efeito na mortalidade”, constata o material.
Outra constatação é a de que pessoas idosas, crianças, indivíduos debilitados por doenças e aqueles em condições financeiras mais precárias são os que mais sofrem com o calor. As doenças mais constatadas foram as do aparelho circulatório, incluindo as cérebro-vasculares. Houve também o aumento das mortes por neoplasias malignas nesses períodos. Os males do sistema respiratório também foram notados como broncopneumonias e pneumonias por microorganismos não especificados.
O estudo também destaca outros efeitos do calor e da luz como doenças da pele e do tecido subcutâneo, do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, queimaduras (na pele), do sangue e dos órgãos hematopoéticos, hipertensão.
Publicado na revista brasileira “Ciência & Saúde Coletiva” em 2012, um estudo informa que o risco de acidente vascular encefálico é acentuado em temperaturas acima de 25ºC e doenças respiratórias como ataques de asma e febre do feno são frequentes no verão. Também explicita que os tumores, “como o câncer de pele, podem surgir e se desenvolver porque a radiação ultravioleta induz à formação de células T-supressoras que, por sua vez, inibem o mecanismo de defesa contra tumores”.
Outra publicação “Infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral associados à alta temperatura e monóxido de carbono em área metropolitana do sudeste do Brasil” revela que há indícios da associação entre o calor e a mortalidade por essas causas citadas no estudo.
Doenças respiratórias
Outro artigo considera que o período de calor é coincide com o aumento do número de queimadas. O tempo seco e a fumaça fazem este ser a época do ano em que mais se sofre por causa de doenças respiratórias. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram que em outubro deste ano o número de queimadas dobrou com relação ao mesmo período de 2013 e que o bioma da região central do Brasil, o cerrado, é um dos mais afetados.
Alimentação e Desidratação
O infectologista Boaventura Braz de Queiróz, 54 anos, explica que um dos graves problemas que relacionam o calor a doenças pode estar também na alimentação. Ele diz que a conservação dos alimentos com esse clima fica prejudicada e que o consumo destes por levar um indivíduo rapidamente processos de contaminação por doenças infecciosas bacterianas, que provocam principalmente diarréias, náuseas e vômitos. Esse quadro de infecção digestiva pode levar, se não tratado, a uma desidratação severa.
Relatos também comuns na literatura médica são os de quadros de desidratação natural, pela pouca ingestão de água e mais produção de suor por causa de auto-regulação corporal. Pouca água no corpo ainda pode ser responsável por problemas renais e infecções urinárias conforme Boaventura.
Para o médico outra complicação nos quadros de desidratação são as relacionadas a pacientes que já tomam medicações, pois um remédio ministrado quando há pouca água pode interferir na concentração do princípio ativo. O alergista ainda explica que alergias à produtos também podem ocorrer mais por que o indivíduos está com a pele ressecada. Distúrbios hídricos e eletrolíticos também podem fazer com que as pessoas sintam câimbras com mais facilidade e quadros de exaustão e insolação também podem ser comuns.
Doenças na pele
Fernanda Laune
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, as doenças de pele no calor são micoses, brotoejas, machas e sardas brancas e acne solar. A micose pode atingir todas as idades e os lugares mais comuns é nos pés, virilha e unhas, as condições favoráveis como calor, umidade, baixa de imunidade, os fungos se reproduzem e passam a causar a doença. A melhor forma de evitar é mantendo hábitos de higiene, como: secar-se após o banho, principalmente áreas de dobras da pele, como virilha, entre os dedos dos pés, axilas. Não andar descalço em pisos constantemente úmidos (lava-pés, vestiários, saunas). Usar somente o seu material de manicure. Evite usar calçados fechados o máximo possível. Opte pelos mais largos e ventilados.
As brotoejas são pequenas bolinhas na pele que também costumam dar o ar da graça nos dias de calor. Elas surgem principalmente em bebês por conta do contato da pele com o suor nas “dobrinhas” da pele ou das roupas. Ocorre quando há entupimento das glândulas sudoríparas. Podem ser bolhas transparentes e podem não coçar quando a obstrução for superficial; ou avermelhadas e coçarem muito quando a obstrução dos canais das glândulas por mais profundo. Usar roupas frescas no calor, evitar locais muito abafados que propiciam a sudorese excessiva, são algumas dicas para evitar brotoejas, principalmente em pessoas predispostas.
As manchas e as sardas brancas surgem devagar e quando menos se espera, elas estão lá fixadas na pele como mini-pontinhos. Elas são danos que os raios solares causaram na pele e aparecem como tempo. As manchas, em geral, são escuras, de coloração entre castanho e marrom, geralmente pequenas. Surgem em áreas que ficam muito expostas ao sol, como a face, o dorso das mãos e dos braços, o colo e os ombros. As sardas brancas aparecem quando há ação acumulativa da radiação solar sobre áreas de pele expostas ao sol de forma prolongada e repetida ao longo da vida, provocando alterações nos melanócitos. A melhor forma de evitar é não se esquecendo do protetor solar para que não apareçam novas lesões. Essas lesões são benignas, não evoluem para o câncer da pele; entretanto, são marcadores de fotoexposição e fotodano. Por esse motivo, o acompanhamento regular desses pacientes com dermatologista, é fundamental para uma perfeita avaliação e acompanhamento.
Acne solar é provocada pela mistura da oleosidade da pele com o uso do filtro solar. Dicas como lavar o rosto com sabonete ideal para o tipo de pele, usar tônicos mais adstringentes e procurar usar filtros solares com base aquosa ou em gel, esses produtos deixam a pele mais seca, o que pode diminuir a oleosidade da pele.
Causas naturais
Os homens quando chegam na andropausa, que ocorre de maneira mais lenta e insidioso, e após os 40 anos, poucos sofrem com as causas desse período. As manifestações são mais com aqueles que têm diminuição mais intensa dos níveis hormonais e mesmo assim são mais discretas e menos aparentes do que nas mulheres. Os principais sintomas é ondas de calor, suores e sensação de frio e palpitações.
Já as mulheres no período da menopausa, fase em que ocorre a falência dos ovários que deixam de produzir os hormônios estrogênio e progesterona, podem sofrer mais com os sintomas de fogachos, insônia, diminuição da libido, irritabilidade e suores noturnos.
Um estudo feito pela revista americana “JAMA Internal Medicine” sobre a saúde da mulher constatou que a mediana de duração as ondas de calor entre as mulheres é cerca de 7,4 anos. Porém metade delas não atingiram esse tempo e a outra ultrapassaram. Em casos mais extremos, as ondas persistiram por quatorze anos.
Outro dado inesperado do estudo foi de que quanto mais cedo as ondas chegam, mais tempo demoram para ir embora. A explicação é que nas diferenças de sensibilidade dos centros de regulação térmica à redução dos níveis de hormônios sexuais na circulação. As mulheres cuja a sensibilidade é alta apresentam sintomas mais precoces e duradoras.
Saiba mais
Alta temperatura e baixa umidade
De acordo com o 10º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia, de Goiânia, a temperatura mais alta registrada este mês no Estado foi de 42.6°C, na sombra, no município de Aragarças. Com a sensação térmica em torno de 46°C. Em Goiânia a noite desse domingo (11) foi considerada a mais quente com a temperatura de 24.4°C. Já a umidade relativa do ar mais baixa foi em Pires do Rio, com 9% no dia 11/10. Ainda sem previsões de chuvas ao longo dessa semana.
Roupas adequadas
Nesse período de calor excessivo uma boa dica é optar por tecidos naturais, como lã fria ou tropical e algodão. Tecidos sintéticos, como o tradicional poléster, não são recomendados. O algodão permite que a pele transpire melhor. Em relação as cores das roupas, as mais claras absorvem menos calor e são mais frescas. E roupas apertadas tendem a esquentar mais.
Alimentação
A alimentação deve ser bastante balanceada e leve no calor, com a ingestão de muita água e suco. Durante os picos de calor o corpo exige mais energia para manter a temperatura ideal, o que pode deixar o processo de digestão mais lento. Deve ser consumido mais verduras e legumes, menos alimentos de condimentação suave (mortadela, salame, entre outros), evitar frituras e consumir mais fibras, cereais, frutas e grãos.
Atividades físicas
Nesse período é preciso fazer atividades físicas com reservas e nunca se esquecer da hidratação. O médico também recomenda que os exercícios sejam feitos em horários com menos intensidade de radiação.
Recomendações
A recomendação do médico para suportar os dias com altas temperaturas é beber muito líquido – água, sucos naturais sem açúcar e água de coco. “Para adultos é essencial a ingestão de 4 a 6 litros por dia”, afirma. Também é essencial ficar em locais com temperaturas amenas, se possível na água – piscinas, rios ou banheiras – e evitar a exposição ao sol. “Também é recomendável nunca esquecer o protetor solar”, assegura.
Saiba mais
Organismo resiste mais à queda do que ao aumento da temperatura interna
42 ºC O corpo está literalmente perto de cozinhar e o funcionamento dos órgãos e todo o metabolismo é afetado. A pessoa pode entrar em coma. A essa temperatura, não há mais garantias de que a vida possa ser salva
40 ºC Aqui começa a hipertermia (excesso de calor). A perda de líquido e sais minerais causa tontura, náusea e vômito, confusão e perda de consciência. Nesse ponto, a pessoa pode até parar de suar, sinal de que está desidratada
38 ºC Em estado febril, a pessoa começa a suar muito, sentir espasmos musculares e exaustão. O pulso fica fraco e podem ocorrer desmaios. A recomendação é evitar o sol, jogar água fria no corpo e tomar bebida gelada não alcoólica
36,5 a 37,5 ºC Temperatura normal do corpo
35 ºC Aqui começa a hipotermia, ou perda excessiva de calor. A pessoa sente calafrios, cansaço, apatia e perde um pouco de coordenação motora. O raciocínio fica lento e a capacidade de julgamento é afetada — a pessoa pode não cooperar com quem tenta ajudá-la
30 ºC Neste patamar, o fluxo sanguíneo no cérebro diminui, causando confusão mental e problemas de raciocínio. A freqüência cardíaca pode chegar ao ritmo de apenas um ou dois batimentos por minuto, situação em que a pessoa parece estar morta
20 ºC Conforme a temperatura corporal abaixa, o metabolismo diminui cada vez mais, até que o coração pára e a atividade cerebral cessa completamente. Um corpo com temperatura interna de 20 ºC não pode viver mais.
(Fonte: site mundo estranho)
