Cotidiano

Artigo: Criando um ‘dream team’ contra o EI

Redação DM

Publicado em 22 de novembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

LONDRES – François Hollande promete uma guerra “sem piedade” ao Estado Islâmico após o massacre em Paris. Vladimir Putin afirma que sua nação está focada em “encontrar e punir os responsáveis” por derrubar um avião de passageiros russo sobre o Egito. Barack Obama diz que o objetivo é “degradar e destruir essa organização terrorista bárbara”.

Mas como? Nenhum desses presidentes parece disposto a responder. Uma ideia, embora não ideal militarmente, pode cobrir o risco político: formar uma aliança ampla, semelhante à que empurrou forças de Saddam Hussein para fora do Kuwait, em 1991, para coordenar um ataque terrestre.

Ninguém acha que isso seria fácil. A ideia de tropas ocidentais trabalhando com as russas, logo após a agressão de Putin na Ucrânia, é implausível e desagradável. Mas houve sinais de cooperação. Jatos franceses, com a inteligência americana, realizaram bombardeios à capital dos jihadistas na Síria, Raqqa. Putin disse à sua Marinha para cooperar com navios de guerra franceses no Mediterrâneo. Os EUA e a Rússia desenvolveram um modo de evitar alvejar aviões um do outro.

Nenhum analista militar bem informado acha que bombas sozinhas podem resolver a guerra. Até assessores de Obama duvidam que ataques aéreos poderiam permitir uma vitória das forças locais. Peter Mansoor, um coronel que foi subcomandante do Exército na gestão de David Petraeus durante a ofensiva no Iraque, só vê chances com forças terrestres. James Jeffrey, embaixador dos EUA em Bagdá de 2010 a 2012, acha que Obama não vai destruir o EI “com mais alguns ataques aéreos”.

Em terra, os peshmergas curdos e os rebeldes contrários a Bashar al-Assad tomaram a iraquiana Sinjar do Estado Islâmico na semana passada. Há também o Exército iraquiano e as milícias xiitas apoiadas pelo Irã. Apoiar tribos locais já funcionou antes, vide Afeganistão em 2001. Mas os EUA recentemente jogaram fora US$ 500 milhões ao investir no treinamento de rebeldes na Síria. Outras tentativas recentes para impulsionar forças locais com poder aéreo fracassaram: Iêmen e Líbia mergulharam no caos. E o Exército iraquiano tem sido uma piada desde que o EI tomou Mossul, em 2014.

Se a eliminação do EI é a meta, por que os líderes mundiais não enviam suas próprias tropas? Obama sabe que os americanos têm pouca tolerância diante das baixas após 14 anos de guerra em Afeganistão e Iraque. A Turquia parece disposta, mas não agirá unilateralmente.

Taticamente falando, uma ampla coalizão iria criar problemas. Em termos de rapidez e eficiência, os EUA estariam melhor enviando tropas terrestres contra o Estado Islâmico por conta própria, embora coordenando as ações com militares russos para evitar um conflito acidental. Mas enquanto Obama e líderes mundiais sentem que precisam jogar de forma segura, compartilhar este fardo pode ser a única maneira de atingir o EI com tudo o que é necessário.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia