Ataque a hospital do MSF em Kunduz foi erro trágico, diz investigação
Redação DM
Publicado em 25 de novembro de 2015 às 02:10 | Atualizado há 11 anosWASHINGTON — O ataque contra um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na cidade afegã de Kunduz no início de outubro foi um “acidente evitável”, provocado essencialmente por erro humano, informou nesta quarta-feira um comandante militar sênior dos EUA. Ao revelar os resultados da investigação sobre o bombardeio que deixou 30 mortos, o general informou que os funcionários ligados à tragédia foram suspensos de suas funções.
— Foi um erro trágico. Forças dos Estados Unidos nunca iriam atacar intencionalmente um hospital ou outras dependências protegidas — disse o general John Campbell, comandante das forças internacionais e americanas no Afeganistão.
O inquérito revelou que as forças americanas confundiram o hospital com outro prédio na cidade, parcialmente por causa de um erro técnico. O bombardeio que matou 30 mortos tinha como alvo um edifício controlado pelo Talibã em Kunduz. No entanto, os membros da tripulação não puderam contar com as ferramentas de navegação da aeronave para localizar o alvo, e se basearam na descrição do local pelas tropas terrestres, o que os levou ao atacar o alvo errado.
Campbell também confirmou que médicos do MSF ligaram à coalizão liderada pelos EUA para informar que estavam sendo atacados.Outro militar americano, o general-brigadeiro Wilson Shoffner, revelou que quando as forças americanas se deram conta do erro, pararam de bombardear o hospital.
Desde a data do ataque, a direção da MSF refuta categoricamente o termo “erro”, chamando o bombardeio de “crime de guerra” e pedindo uma investigação internacional independente. A presidente Joanne Liu diz não confiar no Pentágono.
Além disso, a porta-voz da MSF no Afeganistão, Kate Stegeman, explicou que não recebeu o resumo do relatório da investigação americana, conduzida por três generais americanos. A ONG publicou nesta quarta-feira fotos e uma breve biografia de seus 14 funcionários, todos os afegãos, mortos em Kunduz.