Autor critica festas open bar e livre acesso ao uso de drogas
Redação DM
Publicado em 7 de abril de 2017 às 02:47 | Atualizado há 1 ano
O escritor e psicólogo Ênio Francisco da Silva está lançando seu novo livro, Falando a Real: Caminhos para vencer as drogas, de produção e edição independentes. Através das próprias palavras do autor, é um livro psicoeducacional e, embora faça uso de seu vasto conhecimento sobre as drogas e as consequências provocadas pelo seu uso, esse não é um livro de cunho científico. “Recomendo aos catedráticos que continuem se deliciando nos artigos científicos, se buscam conhecimento técnico. Este é um livro escrito para quem sofre e para quem sente empatia pela dor daqueles que se encontram na penosa contenda contra as drogas”.
Já direcionando o assunto àqueles que sofrem com a dependência química, Ênio é incisivo e ataca atitudes da sociedade, que por vezes são carregadas de uma imoral sordidez. “Uma das razões do meu livro se intitular ‘Falando a Real’ é justamente a ausência da hipocrisia ululante da sociedade na mensagem dele. Então eu questiono sobre o que é legal e o que não é no Brasil, hoje. Por exemplo, menores não podem consumir bebidas alcoólicas, mas a fiscalização não é rígida, e beber aos 15, 16 anos é totalmente aceito em determinados grupos sociais”, explica o psicólogo.
Um alvo de suas críticas são as festas open bar e as boates da capital goiana. É muito acessível aos jovens hoje, e os comerciantes se importam apenas com o lucro produzido pelo consumo. “Hoje em dia, é fácil até demais falsificar a identidade e provar que é maior de idade. E, dentro desses estabelecimentos, o álcool, ainda que sério, é o menor dos problemas. Hoje eu tenho no meu consultório garotos de catorze, quinze anos de idade, e que já tiveram e ainda têm problemas com drogas que começaram a experimentar em boates”, denuncia ele.
Outra crítica que Ênio Francisco faz, através do seu livro, é o incentivo midiático ao indivíduo para que consuma álcool. Mas quando essa mesma pessoa se torna um dependente químico, o governo, seja de qualquer âmbito (municipal, estadual ou federal), não oferece condições ou, nem mesmo, apoio para que ele se recupere daquele vício.
Prevenção
O psicólogo adverte que não existe arma melhor contra as drogas do que a prevenção, mas esta precisa se dar da maneira correta. O âmbito familiar também deve dar esse suporte, e dar exemplo. “Em muitos casos que chegam até o meu consultório, a dependência química na verdade não é o problema central, mas sim a consequência de outro muito maior, que é a família. Então não adianta aquele estardalhaço ‘crack mata, não mexe com isso porque não tem volta, droga acaba com seu organismo, e etc.’ porque não é por aí. A prevenção não se deve dar apresentando as consequências que as substâncias causam em nosso corpo e em nosso grupo social (família, amigos, escola, etc.). O jovem que procura apoio nessas substâncias quer suprir algo que está lhe faltando”, explica ele.
“Outra coisa que acontece é a família acreditar que o problema está apenas no uso e no vício, sem parar pra pensar no que gerou aquele problema”, continua Ênio. “E uma família íntegra dentro dos padrões sociais pré-estabelecidos não basta também, o pai e a mãe precisam conversar com seus filhos e acompanhá-los. Ainda dessa forma eles estão suscetíveis à experiência, e caso problemas comecem a surgir, não é com julgamento e repressão que as coisas vão se resolver”, pontua.
Experiência
Nascido e criado num meio de drogadição, Ênio passou por experiências com substâncias químicas ainda muito jovem. “Não escondo de ninguém tais experiências, tanto que relato as mesmas no meu livro e o quanto eu e minha família sofremos nessa época. Mas a minha guerra já foi travada, e é através de palestras, das minhas consultas, e do grupo de apoio, eu auxilio no que posso para retirar os jovens desse triste caminho”, conta ele.
O grupo de apoio do qual se refere é o AJA com Jesus, grupo espírita de apoio ao dependente químico e à família. “É um grupo aberto, para quem quiser participar, e não há imposição religiosa a ninguém. Ele tem uma fundamentação cristã espírita, mas não existe preocupação à conversão religiosa, tanto que temos católicos, budistas, evangélicos, e ateus também recebendo apoio no nosso grupo. Inclusive é aberto também para aqueles que querem ajudar e oferecer amparo àqueles que necessitam de ajuda”, explica o especialista.
Apresentação

A relação drogas, família, dependência química, poder público, religião, adolescência, prevenção e sociedade, sempre foi marcada por incomensuráveis paradoxos. Na atualidade o maior deles se posiciona no campo da comunicação, na forma como se fala e se aborda esse problema, que por si mesmo já é extremamente complexo. Nesse sentido quando não nos perdemos no tecnicismo contraproducente, falimos na abordagem reducionista do senso comum.
No ambiente familiar esse problema se torna ainda mais grave, falta conhecimento básico que possa nortear um diálogo mais direto e fraterno sobre essa problemática que tanto tem assustado as famílias. Não se fala realmente o que se pensa e o que se sente dentro do lar sobre essas questões, e assim as dores vão se acumulando dia a dia.
Comunicação direta e real
O livro Falando a Real surge como mediador, contribuindo na melhoria dessa comunicação de forma direta e real, de modo que dores sejam evitadas. A obra no seu contexto geral traz uma fala direta sobre o assunto, oferecendo conhecimentos, com exemplos de vida gerais e pessoais, facilitando o encontro de soluções originais diante dessa problemática. De uma forma mais ampla visa possibilitar essa reflexão, oferecendo elementos para a real expansão da consciência de modo saudável e autêntico, tanto para dependentes químicos quanto para familiares, com foco especial nos comportamentos preventivos.
Falando a Real procura fazer uma análise da dependência química, suas causas e consequências, através do olhar de um dependente químico em recuperação. É um trabalho psicoeducacional voltado para aqueles que não sabem, ou pouco sabem, sobre esse problema que vem destruindo famílias, dizimando vidas e gerando, a cada dia, um grave problema social.
Aos conhecedores e catedráticos no tema, oriento que se deliciem nos livros técnicos e artigos científicos à disposição. Aqui escrevo para leigos, utilizando de conteúdos que trabalho em palestras, seminários, cursos e orientações a dependentes químicos e familiares ao longo dos anos. Com simplicidade e amor…
Mensagem Final
A dependência química e o uso abusivo de drogas se manifestam como sintomas, inquestionáveis, das fragilidades humanas. A possibilidade de cura situa-se no desenvolvimento das potencialidades íntimas, latentes em cada um de nós, despertando a cada dia a essência divina que nos é própria, “Deus”.