Autossuficiência à vista
Redação DM
Publicado em 6 de setembro de 2016 às 01:58 | Atualizado há 10 anosA autossuficiência de energia elétrica está mais perto do que nunca para empresas e consumidores residenciais. Fontes de crédito oficiais e até empresas que têm linhas próprias de financiamento estão facilitando a vida de quem quer aproveitar espaços livres no telhado ou no terreno para montar sua própria usina de geração de energia elétrica usando o sol.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FCO) têm linhas de crédito específicas para atender essa demanda e promover uma guinada na matriz energética do País. Segundo o economista e consultor de empresas Lucas Faria, as linhas são diversificadas e de acesso facilitado para conseguir, além das taxas de juros serem convidativas e com prazo para começar a pagar, ou seja, um negócio de pai para filho.
“Somente o BNDES tem cerca de R$ 10 bilhões para financiar esse ano e há empresas do ramo que vendem os painéis fotovoltaicos que têm linhas de crédito própria para isto. Além disso, há o prazo de carência para que empresas comecem a pagar pelo investimento na autogeração de energia elétrica de uma fonte limpa, que é de até três anos. Ou seja, a empresa que instala sua própria fonte de energia elétrica terá até três anos para começar a pagar pelo investimento e nesse tempo estará livre da conta de energia e poderá se capitalizar”, explica Lucas Faria.
Ele trabalha com projetos para empresas que queiram acessar essas fontes de crédito e tem mirado ultimamente em unidades consumidoras de médio porte. Um desses segmentos é o de aviários integrados a grandes abatedouros de aves espalhados pelo Estado. Proprietários rurais agregados a esses projetos de engorda de frangos ou suínos são consumidores em potencial de uma larga faixa de energia elétrica. Um aviário de 3.000 metros quadrados gasta por mês cerca de R$ 3.000,00 somente com energia para manter os serviços básicos, como resfriamento do espaço das aves, automação no fornecimento de ração e água, aquecimento noturno quando as aves estão no estágio inicial e até cortinas que regulam luminosidade e ventilação. Uma unidade de geração na propriedade rural atende perfeitamente a demanda energética para esse consumidor e ele ainda pode devolver na rede elétrica o excedente.
Provisionamento
Há linhas de crédito específicas para atender esses projetos especiais. Lucas Faria cita que o Fundo Clima, serviço especial do BNDES, prevê provisionamento específico para financiamentos desse tipo. Empresas que foram constituídas para o fim específico de gerar energia elétrica tendo o sol como fonte geradora têm linhas especiais nesse fundo para investirem. Há uma usina solar em fase de montagem em Itapuranga, próxima da Cidade de Goiás. A unidade gerará 10 megawatts e recebe investimentos da ordem de R$ 52 milhões, com previsão de entrada em operação em 2017.
Essa é uma forma de usar o sol como geração de energia e a empresa foi constituída para ser especificamente geradora para vender no mercado aberto de energia. Mas há outras formas de inserção de quem se valha do sol para gerar energia e a mais fácil e difundida hoje é a energia compartilhada, em que o micro, ou mini gerador, cuja capacidade instalada varie de 75 kilowatts/hora até 5.000 kilowatts/hora. Nessa modalidade, o usuário instala placas fotovoltaicas para gerar energia para si e o excedente ele pode colocar na rede elétrica para ser usada por outros consumidores.
Com a instalação de um medidor específico, ele passa a compartilhar a energia que ele fornece e isso fica acumulado para que ele possa compensar com o que gasta em períodos de pouca ou nenhuma luminosidade, como à noite ou em dias nublados. A nova normativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê que o prazo de compensação se estenda até cinco anos. Assim, uma residência ou um pequeno gerador empresarial que disponibilizem para a rede compartilhada de energia terá até cinco anos para usar a energia excedente e sua conta de energia virá praticamente zerada.
Tudo isso obedece a uma diretriz de promover um avanço significativo na utilização de fontes limpas e renováveis como matriz energética: sol e vento, que hoje são menos de 2%, para 15% até 2024, menos de oito anos. Uma meta audaciosa, porém, plenamente executável, porque o Brasil tem recursos em abundância. A Alemanha, que tem pouco mais de 200 dias de sol por ano, instala a cada dois anos o equivalente a uma usina do porte de Itaipu – com capacidade de geração de 14.000 megawatts – em células fotovoltaicas. O Brasil tem 360 dias de luminosidade por ano e Goiás está em uma das regiões mais favoráveis do planeta para instalação de painéis solares.
Custo
O custo para instalação de placas solares ainda é relativamente alto, mas já não assusta. Uma residência que consome em média 400 kilowatts/hora pode instalar placas ao custo total de no máximo 30 anos e zerar sua conta de energia. Em cinco anos, a instalação está totalmente paga com o que foi economizado. Uma placa dura em média 25 anos e necessita de pouquíssima manutenção.
Em Aparecida de Goiânia, há empresas que pagam uma fábula na conta de energia, chegando a R$ 50 mil por mês. A saída foi buscar geração autônoma dessa energia para fugir da conta da concessionária.
Lucas Faria explica que, além de se tornar autossuficiente em energia, a empresa pode compensar o que gasta e se capitalizar. “O grande salto que acontece é que a empresa substitui a despesa por investimento e passa a ser dona de sua própria energia produzida e consumida”, arremata.