Cotidiano

BC registra confiança do empresário de Goiás

Redação DM

Publicado em 8 de dezembro de 2016 às 01:56 | Atualizado há 2 anos

O Banco Central do Brasil acaba de reunir-se em Salvador, capital da Bahia, onde divulgou Boletim Regional, com dados e indicadores econômicos de cada região do país. Ao analisar a evolução da economia do Centro-Oeste, ressalta que ela se deve, em grande parte, ao desempenho da agropecuária e por seus desdobramentos sobre a cadeia produtiva regional.

Nesse sentido, repercutindo principalmente os efeitos da estiagem sobre a agricultura e a pecuária, além do menor dinamismo do comércio e da construção civil, observa diminuição de 2,1% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao finalizado em maio, quando contraíra 1,5%, na mesma base de comparação, segundo dados dessazonalizados. O BCB registra os indicadores de confiança dos empresários de Goiás e o Boletim Regional do Centro-Oeste é divulgado com exclusividade pelo Diário da Manhã.

Retração menor

Segundo o Boletim Regional, no âmbito da demanda, os indicadores das vendas do comércio registraram retração menos acentuada, na margem, no trimestre encerrado em agosto (-1,6%) do que no finalizado em maio (-2,8%), de acordo com dados dessazonalizados da PMC do IBGE. A trajetória declinante do volume de serviços mercantis não financeiros arrefeceu mais intensamente (recuos respectivos de 0,9% e 5,2%, nos trimestres mencionados), segundo dados dessazonalizados da PMS do IBGE.

A evolução do indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) do Centro-Oeste, divulgado pela CNC, sugere retomada gradual das vendas. O ICF atingiu 82,8 pontos no terceiro trimestre do ano (80,2 pontos no segundo), ocorrendo melhora em seis dos sete subcomponentes do indicador.

Observa, contudo, que a recuperação consistente dos indicadores de demanda está condicionada, no entanto, ao maior dinamismo nos mercados de trabalho e de crédito. De fato, persiste o processo de distensão no mercado de trabalho na região. Nesse sentido, a taxa de desocupação atingiu 9,7% no segundo trimestre do ano, ante 7,5% em igual período de 2015, aumento decorrente de elevações de 35,4% no número de desocupados e de 2,7% na força de trabalho, segundo a PNADC.

Desempenho da demanda

A pesquisa indicou, ainda, recuo de 3,2% da massa de rendimento real, na comparação interanual. Adicionalmente, de acordo com o Caged/MTPS, houve corte de 1,7 mil postos formais no trimestre terminado em agosto. O nível de emprego recuou 0,8% no trimestre. Segundo o Boletim do Banco, o baixo dinamismo do mercado de crédito também contribui para o desempenho recente da demanda.

O saldo dos empréstimos superiores a R$1 mil realizados na região contraiu 0,9% no trimestre até agosto, mantendo ainda expansão em doze meses, 4,4%. As operações com recursos direcionados registraram estoque estável no trimestre, enquanto o saldo das operações com recursos livres contraiu 2,1%, com crescimento de 0,6% da carteira de pessoas físicas e recuo de 3,0% na de pessoas jurídicas.

Estabilidade em GO e MT

A inadimplência das operações de crédito situou-se em 3,5% em agosto, com o recuo trimestral de 0,1 ponto percentual, repercutindo estabilidade no segmento de pessoas físicas e retração de 0,2 ponto percentual no de pessoas jurídicas. No âmbito da oferta, a produção industrial do Centro-Oeste, considerando o agregado de Goiás e Mato Grosso, únicos estados da região com estatísticas divulgadas pela PIM-PF do IBGE, expandiu 0,5% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao finalizado em maio, quando registrou estabilidade, na mesma base de comparação, conforme a série dessazonalizada.

A indústria de transformação cresceu 0,6%, destacando-se o desempenho da metalurgia. A evolução dos indicadores de confiança dos empresários industriais aponta perspectivas favoráveis para o setor. O Icei de Goiás, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), e o Icei de Mato Grosso, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), atingiram, na ordem, 56,0 pontos e 49,0 pontos em setembro, aumentando 8,5 pontos e 4,1 pontos, respectivamente, em relação a junho. No mesmo sentido, o indicador de expectativas de demanda da Sondagem Industrial da CNI para o Centro-Oeste atingiu 54,1 pontos em setembro (52,4 pontos em junho).

Recuperação da safra

A atividade agrícola no Centro-Oeste foi sensibilizada por adversidades climáticas registradas no segundo trimestre do ano, que condicionaram a quebra de safra das culturas de inverno, que concentram mais de 70% da produção de milho colhida na região. Assim, a estimativa da safra de grãos da região é de retração anual de 16,1%, de acordo com o LSPA de setembro, do IBGE, com reduções expressivas nas colheitas de milho (33,0%), feijão (11,8%) e de algodão (10,9%). Prospectivamente, a atividade do setor tende a mostrar recuperação em 2017, de acordo com estimativas da Conab, que apontam crescimento da safra de grãos da região entre 20,1% e 21,5%.

A despeito da quebra da safra de grãos, o desempenho da balança comercial da região foi favorecido, em parte, pela ampliação das vendas do setor agrícola – o aumento de 27,3% registrado no superávit comercial nos nove primeiros meses do ano, em bases interanuais, repercutiu variações de 7,3% nas exportações e de -21,7% nas importações. O desempenho das vendas externas refletiu expansão de 15,8% no quantum e redução de 7,3% nos preços, com destaque para os aumentos nos embarques de produtos básicos, especialmente de soja; e de semimanufaturados.

Declínio de importações

O declínio das importações decorreu de decréscimos de 13,1% nos preços e de 9,9% no quantum, com recuos principalmente nas aquisições de bens de capital, 39,7%. A situação fiscal dos governos dos Estados, das capitais e dos principais municípios do Centro-Oeste tem refletido o menor dinamismo econômico da região. A arrecadação do ICMS, de acordo com a Cotepe, e as transferências da União para a região recuaram 3,8% e 8,0%, respectivamente, em termos reais10, nos oito primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2015.

Desinflação gradual

A trajetória do IPCA no Centro-Oeste, resultado da agregação dos indicadores de Brasília, Goiânia e Campo Grande, evidencia processo de desinflação gradual. Nesse sentido, o indicador variou 1,21% no terceiro trimestre do ano, ante 1,26% no segundo, evolução associada, em parte, ao esgotamento das pressões altistas do custo de alimentação.

Ainda no âmbito dos preços livres, cabe ressaltar que a variação dos itens de serviço aumentou de 1,35% para 1,54% no período, impulsionada por elevações em passagens aéreas, enquanto a inflação subjacente do setor de serviços desacelerou de 1,25% para 0,97%. O índice de difusão atingiu 56,8% no terceiro trimestre ante 61,9% em igual período de 2015. Considerados intervalos de doze meses, o IPCA da região variou 8,29% em setembro, ante 9,55% em igual período de 2015, evolução decorrente de desaceleração nos preços monitorados, de 17,04% para 7,65% e aceleração dos preços livres, de 7,33% para 8,48%.

Safra é a esperança

Em síntese, a atividade econômica no Centro-Oeste recuou novamente no trimestre encerrado em agosto, influenciada, em especial, pela retração de vendas do comércio e pela incorporação dos efeitos da estiagem sobre as projeções de safra de inverno. O desempenho da indústria da região registrou crescimento pelo segundo trimestre consecutivo, mas ainda se mostra insuficiente para dinamizar a atividade econômica regional. Perspectivas favoráveis para a estabilidade da atividade podem advir da concretização das expectativas dos empresários industriais e da recuperação da produção de grãos apontada pelas primeiras estimativas para a próxima safra.

 

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