Biscoitos e refrigerantes são “bicho papão”
Redação DM
Publicado em 17 de outubro de 2015 às 22:04 | Atualizado há 11 anos
Biscoitos, bolachas e bolos fazem parte da alimentação de 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade no Brasil. Já os refrigerantes e sucos artificiais estão no cardápio de 32,3% das crianças brasileiras, no Centro Oeste o número aumenta para 37,4%, diz pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O endocrinologista Sérgio Vêncio chama a atenção para os riscos que essas crianças correm ao consumir esses tipos de alimentos nesta idade. De acordo com ele essa dieta pode resultar em sobrepeso, fator de risco para diversas doenças como diabetes, hipertensão e doença cardiovascular. “Alterações que por muitos anos eram essencialmente do adulto, e mais comumente do idoso, estão afetando também as crianças. É o caso da diabetes tipo II, por exemplo.”, alerta o especialista.
Juliana Borges do Nascimento, mãe da pequena Ana Beatriz, de cinco anos, reconhece que logo cedo começou a alimentar a filha com esses alimentos. “Comecei a dar bolacha para ela quando tinha nove meses, iogurte com sete meses e refrigerante com um ano”, recorda. No entanto, ela ressalta que sempre de forma controlada.
Sérgio Vêncio alerta que o consumo destes produtos, com alto teor de açúcar e gorduras, deve ser evitado em qualquer fase da vida. Mas os efeitos podem ser ainda mais devastadores se consumido desde cedo. “Pesquisas demonstram que o peso de uma criança até os 5 primeiros anos de vida tem grande influência sobre o peso na vida adulta”, afirma.
Exemplo
Fernanda Godinho Coelho, 38 anos, mãe de duas meninas sabe bem o valor de uma alimentação saudável: “Sempre fiz questão de preparar alimentos naturais para minhas filhas, na hora certa servia a sopinha com alimentos fresquinhos e sempre evitei dar guloseimas, refrigerantes e sucos artificiais”, conta.
Com o exemplo da administradora, Fernanda Coelho fica fácil perceber onde está o erro na hora das crianças se alimentarem, como bem avalia o endocrinologista. “O consumo desse tipo de alimento nesta idade parte da própria família, já que o bebê não sabe ainda discernir entre as comidas. A criança não conhece o doce ou a gordura, nunca sentiu o gosto, então não tem porque os pais iniciarem este hábito. Assim, quando começarem a socializar com crianças da mesma idade, terão menor fascínio pelo lanche com baixo teor nutritivo do amigo”, exemplifica.
Sempre atenta ao peso e aos hábitos alimentares das filhas Fernanda buscou ter total controle sob a alimentação delas. “Sempre busquei estar atenta porque enlatados e industrializados têm muito sódio, corantes e conservantes muito prejudiciais para a saúde. Por isso temos hoje tantas crianças obesas dentre outras doenças causadas pela falta de uma alimentação saudável” observa.
Sérgio Vêncio alerta que caso pais estejam preocupados com o peso ou os hábitos alimentares de seus filhos, procure um médico especialista. “Nesses casos é sempre bom acompanhar de perto as taxas de açúcar e gordura no sangue com um pediatra ou endocrinologista. Mas os maiores cuidados devem partir de dentro de casa”, conclui.
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