Braga: Patriota é um partido de centro, não conservador
Redação DM
Publicado em 16 de junho de 2021 às 14:42 | Atualizado há 5 anos
Um partido “moralmente conservador, economicamente defensor do livre mercado e confessionalmente cristão”. Que protege a vida desde sua concepção, considera a família célula fundamental da sociedade e rejeita o “credo socialista, que traz miséria para toda a sociedade”. Assim é o Patriota, legenda que deve receber em breve o presidente Jair Bolsonaro, ao menos pelo que se pode ler em sua carta de princípios.
Na prática, essa plataforma impecavelmente conservadora não tem respaldo de um amplo setor do partido, e a crise de identidade contribui para o racha que a legenda vive no momento, com direito a disputa judicial.
O partido está em conflito entre seu presidente nacional, Adilson Barroso, e o vice, Ovasco Resende, que o acusa de manobrar internamente para permitir a filiação do senador Flávio Bolsonaro (RJ), na última segunda-feira (31).
A ala ligada a Resende diz que Barroso ignorou o estatuto partidário para aparelhar a convenção nacional com aliados. E vê com desconfiança o alinhamento total do Patriota ao bolsonarismo, por enxergar a sigla como sendo de centro.
O partido surgiu da junção do antigo PEN (Partido Ecológico Nacional), comandado por Barroso, com o PRP (Partido Republicano Progressista), de Resende. Na prática, as duas partes nem sempre tiveram relação harmoniosa, e as diferentes visões afloraram agora.
Jorcelino Braga
Secretário-geral do partido e aliado de Resende, Jorcelino Braga diz que o Patriota é um partido de centro, não conservador. “Eu entendo por centro tudo que tem equilíbrio, que tem bom senso. O presidente [Barroso] pode definir o partido como conservador, mas eu digo que sou de centro”, diz.
Braga é também presidente do diretório estadual de Goiás e foi um dos patrocinadores de uma representação enviada à Justiça Eleitoral contestando as alterações no partido feitas de forma unilateral por Barroso.
O secretário-geral afirma não ser contra a filiação do presidente em princípio, mas diz que é preciso discutir exatamente o espaço que os aliados de Bolsonaro teriam internamente. “O que queremos saber é qual o projeto. O que querem? Querem o controle do partido? O Adilson prometeu o controle para eles? Somos uma executiva eleita até 2022”, diz.