Cotidiano

Brasil investe só 0,6% do PIB em logística

Redação DM

Publicado em 5 de outubro de 2016 às 02:07 | Atualizado há 10 anos

O Brasil investe apenas 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor de transporte e logística e poderá ser castigado se continuar insistindo nessa “imprevidência”. O alerta partiu do presidente do Senado, Renan Calheiros, que participou, ontem, da abertura do painel “Infraestrutura de transporte e logística: desafios e perspectiva”, realizado no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB).

Renan observou que a média mundial de investimento na área é de 1,2% do PIB. O Brasil investe somente metade disso, lamentou. O resultado, segundo ele, é que a “aritmética cobrará seu preço a médio e longo prazos”, gerando prejuízos irrecuperáveis à economia brasileira.

O senador disse que o transporte de soja brasileira via porto de Santos para Shangai, na China, custa US$ 180 por tonelada. Os Estados Unidos conseguem exportar para aquele país asiático o mesmo produto por US$ 108 a tonelada. Em Rio Verde, o presidente da Comigo, uma das maiores cooperativas de grãos do País, Antônio Chavaglia, elogiou a reação do presidente do Senado.

“Carecemos desse apoio. O Brasil carece de dessa logística para escoar sua produção agropecuária”, sustentou o dirigente cooperativista, observando que “grande parte das exportações sai do Porto de Santos”. Na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner considerou, também, que o setor agroindustrial “vem defendendo há anos a integração do sistema hidroviário, ferroviário e rodoviário”.

Atuação do Senado

Renan Calheiros disse que o Senado tem atuado para melhorar o setor. Citou como exemplo o trabalho da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) que, no ano passado, avaliou o Plano Nacional de Logística e Transporte. O resultado, segundo ele, foi um diagnóstico preciso, além de 19 propostas enviadas ao Poder Executivo e outras cinco encaminhadas para tramitação no Legislativo.

A Agenda Brasil, conjunto de propostas legislativas para contribuir com a retomada do crescimento do País, também foi lembrada pelo presidente do Senado, que defendeu a desburocratização, o aumento da segurança jurídica dos contratos e a simplificação dos processos de licenciamento ambiental.

Além de Renan Calheiros, participam do debate o ministro dos Transportes, Maurício Quintella; o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco; e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes. Os senadores Wellington Fagundes (PT-Mt), que é presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem, e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), presidente da Comissão de Infraestrutura, também estiveram presentes no painel de debates.

Infraestrutura e meio ambiente

Emitindo suas considerações, o senador Wilder Morais (PP-GO) e ligado ao Fórum Empresarial de Goiás, disse que o “Brasil não pode ficar indiferente à logística no setor de transportes”. Ele também defende a integração do sistema para os brasileiros “se tornarem mais competitivos e a um custo mais em conta que conduzir riquezas em carroçarias apenas de caminhão”. Em sua opinião, o Brasil ainda carece de infraestrutura para o transporte aquaviário.

O País tem apenas 2,6 quilômetros de hidrovias para cada mil quilômetros quadrados de área. Para se ter uma ideia, na China são 11,5 quilômetros, nos EUA há 4,2 quilômetros e na Argentina são 4 quilômetros de hidrovias para cada mil quilômetros quadrados de área. Para o coordenador de Projetos Especiais da CNT, Vinícius Ladeira, é necessário investir em infraestrutura para permitir a ampliação do uso do modal aquaviário no transporte de cargas, em especial na longa distância.

Em sua apresentação durante o seminário, ele lembrou que o Plano CNT de Transporte e Logística prevê a necessidade de R$ 147,2 bilhões para projetos prioritários do modal no Brasil. Desse montante, R$ 61,1 bilhões são para hidrovias, R$ 61 bilhões para portos e R$ 25,8 bilhões para terminais.

O senador Wellington Fagundes, presidente da Comissão Parlamentar de Transporte e Logística, “a agilidade é necessária ao lado da eliminação da burocracia excessiva”. Adalberto Tokarski, diretor geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), os portos têm função estratégica e anuncia licitação para três áreas portuárias, através da programação do PPI. Outras cem áreas estão para ser licitadas.

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia