Cotidiano

Brasileiro ferido conta momentos de horror no Petit Cambodge

Redação DM

Publicado em 15 de novembro de 2015 às 01:05 | Atualizado há 11 anos

PARIS— Uma forte vigilância guarda as imediações do hospital Bichat-Claude, em Paris, para onde foram levados alguns dos feridos nos atentados da última sexta-feira, quando terroristas atacaram cerca de oito pontos da capital francesa deixando pelo menos 129 mortos. Quem se submeteu a uma revista minunciosa, neste domingo, para visitar o arquiteto brasileiro Gabriel Sepe — alvo de três tiros durante o ataque ao restaurante Petit Cambodge— no hospital foram Diego Mauro e José Lira, que também estavam no local no momento que tudo aconteceu.

O barulho dos tiros no restaurante ainda estão firmes na memória do também arquiteto Diego Mauro. Ele conta que embora tivesse conhecido Gabriel naquela noite seu ímpeto em ajudá-lo foi o mesmo.

— Quando a gente se vê em uma situação como esta não importa se você conhece há muito tempo a pessoa e qual seu grau de amizade com ela. Meu primeiro impulso foi tentar socorrer alguém que tinha visto pela primeira vez na vida. No momento de horror o que vale é a vida, não importa se é seu amigo, da sua família ou se nunca viu na vida— contou Diego Mauro, que teve ferimentos leves.

O professor José Lira, que promoveu a reunião entre seus ex-alunos, lembra da cena no Petit Cambodge e conta que do momento que identificaram os estampidos como tiros até quando as pessoas começaram a cair no chão foi tudo muito rápido. Ainda traumatizado com a cena, ele diz, no entanto, que não mudará sua rotina por conta dos momentos de horror que viveu no restaurante:

— Moro aqui há dez meses e embora tenha vivido esse horror, não vou deixar de frequentar bares e restaurantes. Muito menos o Petit Cambodge quando ele reabrir. Não vou deixar de fazer o que sempre fiz. Nessas situações sempre pensamos o que poderia ter sido se tivéssemos feito outra escolha, escolhido outro restaurante, mas não existe isso. O que existe é o que é e poderia acontecer com qualquer um.

Cerca de 14 pessoas morreram no ataque aos restaurantes Le Carillon e Petit Cambodge na sexta-feira. O atirador começou os ataques pelo primeiro restaurante e segui para o local onde os brasileiros estavam.

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