Cotidiano

Briga entre deputados tumultua Conselho de Ética

Redação DM

Publicado em 10 de dezembro de 2015 às 08:50 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA — A sessão no Conselho de Ética na manhã desta quinta-feira, em que deve ser apresentado projeto , chegou a ser suspensa após uma briga entre os deputados Zé Geraldo (PT-PA) e Wellington Roberto (PR-PB). Os dois bateram boca e até chegaram a trocar tapas no início da sessão. A confusão se intensificou quando o deputado Zé Geraldo disse: “a turma do Cunha quer bagunçar”. Nesse momento, o deputado Wellington Roberto, que estava sentado atrás dele, avançou em direção a ele e o agrediu com tapas.

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— Aceito tudo, mas me tocar, não — berrou o deputado petista.

— Macho nenhum vai tocar em mim, não. O senhor é moleque — respondeu Roberto.

Vários parlamentares interferiram para que a briga não ficasse mais violenta. O presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), reclamou quando a confusão foi contida.

— Jamais aqui poderá ser transformado num ringue, não é disputa corporal e ninguém vai ganhar no grito. Moderem-se e ajam como parlamentares do Conselho de Ética, respeitem essa Casa — disse Araújo.

Após a confusão, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO) foi oficializado como novo relator e assumiu o processo contra Cunha.

Os aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticaram o projeto que pede o afastamento cautelar dele até o julgamento do seu caso. Para o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), “não há amparo regimental” para o conselho propor o afastamento de um parlamentar eleito pela maioria dos deputados. Eles criticam a condução de Araújo.

— Gostaria de saber quem foi a cabeça iluminada que pensou nisso. Se for porque tem processo no Supremo, mais de 150 parlamentares teriam que ser afastados. Não existe amparo regimental. Vão afastar qualquer presidente ou membro da Mesa Diretora que tiver processo no Supremo? — disse Manoel Júnior, acrescentando:

— A mídia vem divulgando como se ele (Araújo) fizesse tudo certo e a gente errado. Se ele cumprisse o regimento, não teria problema, mas ele está atropelando.

— Esse projeto é um absurdo. É o rabo abanando o cachorro — completou o deputado Paulinho da Força (SD-SP).

A estratégia dos aliados de Cunha continua sendo tentar adiar o andamento da sessão, com questionamentos e provocações ao presidente do Conselho, para ganhar mais prazo e evitar também a votação desse projeto que tenta afastar Cunha do cargo. Manoel Júnior avisou que irá cobrar o cumprimento do ato assinado ontem pelo primeiro vice-presidente da Casa. Waldir Maranhão (PP-MA), que determinou o impedimento do relator Fausto Pinato (PRB-SP). Para O deputado peemedebista, o ato é claro e “zera” todos os atos até agora.

— Vamos cobrar que ele zere os fatos e comece o processo do começo: o novo relator terá 10 dias para apresentar o relatório, a defesa poderá apresentar nova defesa. Pode ficar para o próximo ano, mas a culpa disso é só do Araújo — disse Manoel Araújo.

Por outro lado, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), colheu assinaturas de integrantes do Conselho de Ética para tentar garantir que o projeto seja incluído na pauta de hoje. A menção à votação desse projeto está provocando reclamação dos aliados de Cunha.

PROJETO CITA ‘MANOBRAS PROCRASTINATÓRIAS’

O comando do colegiado acusa o peemedebista de “impor manobras regimentais procrastinatórias” no processo que corre contra ele naquele órgão. A proposta, de quatro páginas, cita os fatos de ontem, Foi o vice quem determinou a troca do relator.

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“Diante dos gravíssimos fatos ocorridos na reunião de ontem (quarta), cumpre determinar desde logo o afastamento cautelar do parlamentar até a conclusão do processo, a fim de que se possa retomar o regular processamento da votação da matéria neste colegiado”.

O comando do Conselho de Ética diz ainda que, após a decisão do órgão ontem, que, por 11 a 10, rejeitou o adiamento do julgamento de Cunha, “uma série de intercorrências passaram a macular todo o processo”.

No final, o texto acusa Cunha de “impor manobras regimentais procrastiniatórias” e defende seu afastamento.

Integrante do conselho, a deputada Eliziane Gama (Rede-MA) defende a saída de Cunha até o final do processo.

— O ideal é que ele se afaste mesmo. Já ultrapassou todos os limites. O presidente Eduardo Cunha instrumentalizou o conselho, que, com sua tropa de choque, faz todas ingerências para o processo não andar. Basta disso — disse Eliziane.

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