Cotidiano

Bumlai e Baiano fazem acareação nesta quinta em Curitiba

Redação DM

Publicado em 14 de janeiro de 2016 às 01:15 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO — A Polícia Federal faz nesta quinta-feira a acareação entre o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, e o lobista Fernando Baiano. Os dois são apontados como intermediadores no esquema de corrupção de propina da Petrobras. É a primeira vez que o pecuarista e lobista vão ficar frente a frente.

Baiano chegou na PF às 14h25, quase meia hora depois do horário marcado pelos investigadores. O lobista não quis conversar com a imprensa. Ele limitou-se a dize “nada” ao ser questionado sobre o que poderia falar.

Há pelo menos dois pontos de divergência entre a delação premiada do lobista e os depoimentos da Bumlai à PF. Em colaboração à Justiça, Baiano disse que repassou R$ 2 milhões ao pecuarista. Os recursos teriam sido usados para pagar uma dívida imobiliária de um apartamento de uma nora de Lula. Bumlai nega que tenha pago alguma dívida de familiares do ex-presidente.

Os investigadores também querem saber se o ex-ministro Antonio Palocci pediu recursos ilícitos para a campanha da presidente Dilma Roussef (PT), em 2010. Em depoimento à PF, Bumlai negou ter promovido uma aproximação entre Palocci e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Baiano diz que foi o pecuarista quem fez a ponte entre os dois.

Os dois serão ouvidos no inquérito que investiga o suposto pagamento de R$ 2 milhões à Palocci para abastecer a campanha presidencial do PT em 2010. O inquérito está em Curitiba desde março quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki remeteu as investigações para o juiz Sérgio Moro.

As suspeitas sobre Palocci no esquema de corrupção da Petrobras apareceram durante o depoimento, em delação premiada, do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Ele afirmou que, em 2010, o doleiro Alberto Youssef intermediou, em nome de Palocci, a propina para a campanha. Os valores viriam da cota do PP no esquema. O doleiro AlbertoYoussef negou que tenha intermediado a transação. Em depoimento a CPI da Petrobras, em maio, Youssef disse aos parlamentares que “um outro personagem” iria esclarecer o pagamento. Para PF, esse personagem é Baiano.

Desde o início das investigações, a defesa do ex-ministro Antonio Palocci vem negando as acusações. Em nota, reiteradamente, Lula negou qualquer tipo de envolvimento e de seus familiares em transações financeiras com Bumlai e Baiano.

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