Cotidiano

Bumlai obtém liminar para ficar calado na CPI do BNDES

Redação DM

Publicado em 30 de novembro de 2015 às 03:55 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO. O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu habeas corpus ao pecuarista José Carlos Bumlai, que dá a ele o direito de permanecer calado durante o depoimento à CPI do BNDES, marcado para esta terça-feira. Segundo o advogado de Bumlai, Arnaldo Malheiros Filho, a defesa argumentou que seu cliente está sendo investigado pela Polícia Federal em Curitiba e deverá responder lá sobre as acusações que envolvem seu nome. A liminar foi concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, relator do HC, que decidiu em regime de urgência.

Segundo Malheiros, Bumlai está prestando depoimento nesta segunda-feira na Polícia Federal de Curitiba e decidiu falar, respondendo as perguntas dos delegados.

Os advogados chegaram a pedir ao juiz Sérgio Moro que Bumlai não fosse levado a Brasília, já que não pretende falar à CPI, mas foram informados que a CPI tem poderes próprios de autoridade judicial.

Além de ser acusado de intermediar um contrato do Grupo Schahin com a Petrobras, que teria servido para pagar dívidas do PT – motivo pelo qual foi preso pela Lava-Jato -, Bumlai é investigado na Operação Lava-Jato também por empréstimos contraídos no BNDES e não pagos. Entre 2008 e 2012, duas das empresas dele, a São Fernando Açúcar e Álcool e a São Fernando Energia I, ambas no Mato Grosso do Sul, receberam R$ 518 milhões em empréstimos do banco. A São Fernando Energia I já enfrentava dificuldades financeiras quando obteve um empréstimo de R$ 104 milhões em julho de 2012, por meio do BTG Pactual e do Banco do Brasil. Tinha apenas sete funcionários. Em agosto passado, o BNDES ingressou na Justiça com pedido de falência da empresa.

No total, as dívidas das empresas de Bumlai superam R$ 1 bilhão, dos quais cerca de R$ 400 milhões com o BNDES.

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