Café migra de região em Goiás
Redação DM
Publicado em 4 de janeiro de 2017 às 01:00 | Atualizado há 10 anos
O cultivo do café em Goiás sofre migração das áreas baixas para as áreas mais altas do Cerrado. A região de Inhumas, um dos berços da cafeicultura no Estado, é substituída gradual e rapidamente por zonas mais elevadas do Entorno de Brasília e de Catalão. Segundo o superintendente de Política Agrícola, Antônio Flavio Camilo de Lima, o café produzido nessas novas regiões “é de alto padrão de qualidade”.
Cafeicultores confessam que produzem o grão, logo revendido em Araguari (MG) como café do Cerrado, considerado o melhor do Brasil, e é comercializado no mercado europeu, sobretudo, da Itália como se a procedência fosse mineira. “Com isso, a fama fica com Minas”, ressaltam produtores que não souberam ainda a fazer o marketing do produto made in Goiaz.
Irrigação
O produtor passou a utilizar, também, o sistema de irrigação para assegurar o maior desempenho da lavoura cafeeira e uma colheita segura. São comuns com as adversidades climáticas as perdas consideráveis das plantas, presença de pragas e doenças. Enfim, situações que culminam dando prejuízo aos produtores. “A água confere mais qualidade ao café”, lembra Antônio Flávio de Lima, observando que 46 municípios no Estado são produtores de café.
Embora, Goiás não esteja entre os maiores Estados brasileiros, o café produzido no Cerrado é de alto padrão de qualidade. A produção goiana, segundo o IBGE e repassados ao Diário da Manhã pela Superintendência Executiva de Agricultura, é de 18.123 toneladas. Área plantada nesses 46 municípios compreende 6.747 hectares.
O município de Cabeceiras desponta em primeiro lugar, com uma área plantada de 1.207 hectares, idêntica área colhida e produção de 3.545 toneladas ou um índice de produtividade de 78,1% e rendimento médio de 2.686 quilos por hectare. Na seqüência, aparecem Campo Alegre de Goiás, Paraúna, Rio Verde, Catalão, Ipameri, Luziânia, Anicuns, Inhumas e Goianira.
Oferta esquenta e preços esfriam
A recente recuperação dos preços do café sofreu uma inversão significativa em novembro de 2016, atribuível a perspectivas de melhor tempo no Brasil e no Vietnã e, simultaneamente, à depreciação do real brasileiro. Esse quadro abrandou as preocupações com o futuro da oferta, apesar do mercado deficitário dos dois últimos anos e das perspectivas ainda pouco otimistas da produção de Robustas. Entretanto, continua a haver suficiente café disponível, e nos 12 últimos meses as exportações totalizaram 112,4 milhões de sacas.
Após alcançar o ponto mais alto de sua evolução diária em 23 meses, com 155,52 centavos de dólar dos EUA por libra-peso em 7 de novembro, o indicativo composto da OIC despencou para 137,01 centavos no final do mês, com uma perda de mais de 18,5 centavos. Esse declínio é atribuível à melhora das perspectivas da oferta futura e à depreciação do real brasileiro, após vários meses de apreciação. A despeito da tendência baixista, a média mensal de novembro terminou 2,2% acima da média de outubro, registrando 145,82 centavos, seu nível mais alto desde janeiro de 2015.
Declínio dos preços
O declínio dos preços diários é evidenciado com clareza pelos indicativos dos três grupos de Arábicas, que caíram cerca de 25 centavos entre seus pontos mais altos e mais baixos no decurso de novembro. Os preços diários dos Robustas chegaram a cair 8 centavos, mas sua média mensal fechou quase inalterada em relação à média de outubro. A arbitragem diária entre as bolsas de futuros de Nova Iorque e Londres diminuiu bastante e, no final de novembro, girava em torno de 60 centavos. A volatilidade dos preços cresceu consideravelmente.
No primeiro mês do novo ano cafeeiro (outubro), as exportações somaram 9,1 milhões de sacas, 1,9% abaixo do volume exportado no primeiro mês do ano cafeeiro passado. Os embarques dos Arábicas foram 4,7% superiores, e os dos Robustas 12,9% inferiores, apesar de um aumento do volume estimativo dos embarques do Vietnã. A disponibilidade dos Robustas do Brasil caiu para níveis insignificantes, pois a queda de produção do Conilon até este ponto do ano gerou muita escassez no mercado interno.
O desempenho das exportações do Peru se manteve forte nos últimos meses e, nos sete primeiros meses do ano-safra (abril a outubro), as exportações peruanas aumentaram 31,2% em relação a 2015/16, alcançando quase 2,5 milhões de sacas e sugerindo que este ano a produção do país melhorou consideravelmente.
A Colômbia também começou o ano cafeeiro de forma positiva. Sua produção nos dois primeiros meses do ano (outubro e novembro) foi de um pouco mais de 3 milhões de sacas, o maior volume que o país produziu no bimestre desde 1998. Isso também significa que a produção total da Colômbia nos 12 últimos meses alcançou 14,4 milhões de sacas, em contraste com 13,8 milhões no período anterior. No entanto, o potencial de grandes chuvas, na hipótese de o fenômeno La Niña se desenvolver no início de 2017, poderá afetar a safra.
Em resumo, embora nos dois últimos anos a oferta tenha sido algo escassa, registrando déficits tanto em 2014/15 quanto em 2015/16, há certo potencial para a recuperação em 2016/17, particularmente no caso dos Arábicas. Ainda se prevê que a produção dos Robustas cairá na maioria dos principais produtores, mas as perspectivas dos Arábicas são mais positivas.