Câncer de mama em foco
Redação DM
Publicado em 1 de outubro de 2015 às 13:20 | Atualizado há 1 anoHoje, 1º de outubro, tem início a campanha mundialmente conhecida como “Outubro Rosa”, mês é marcado para conscientização e luta contra o câncer de mama. O movimento chama atenção das mulheres para conhecerem suas mamas, identificar alterações e na realizar de exames periódicos de mamografia. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) podem surgir 57.120 novos casos de câncer de mama no Brasil. E em Goiás, cerca de 1.500 casos. O movimento remete à cor do laço rosa que simboliza a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.
O médico oncologista Uirá Maíra Resende, especialista em cancerologia clínica e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, explica que são vários fatores que podem aumentar o risco do câncer de mama. Alguns deles internos, como exposição prolongada a estrógenos – primeira menstruação cedo e menopausa tarde, por exemplo, bem como a ausência de gestações – obesidade, predisposição familiar (mutuações hereditárias), dentre outros. Outros fatores são externos como dieta rica em derivados animais (como carnes vermelhas e gordura saturada), sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e reposição hormonal.
Apenas uma minoria 5% dos cânceres de mama são “hereditários” (tem essas mutações herdadas dos pais). No restante dos casos, essas mutações são adquiridas ao longo da vida do indivíduo, através da exposição aos fatores de risco.
O médico afirma que a exposição a estrógenos (hormônios femininos) é estabelecida como sendo principal fator de risco para desenvolver câncer de mama, isso faz com que a doença seja cerca de cem vezes mais comum no sexo feminino. De acordo com ele, é mais frequente entre 55 e 65 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade. É raro antes dos 35 anos ou após 85 de idade.
Uirá Resende, o principal sinal de alerta para buscar avaliação de um especialista seria o surgimento de alterações mamárias, seja elas detectáveis à palpitação, principalmente nódulos indolores. “O papel do auto-exame é tão importante que se questiona hoje, nos países ditos desenvolvidos, o real benefício de se fazer mamografia de rotina nas pacientes que o realizam”, diz. E completa que cabe ressaltar que a grande maioria dos nódulos mamários felizmente são benignos.
O tratamento do câncer de mama, segundo o oncologista, depende do estágio em que for diagnosticado. Sendo que na maioria dos casos requer uma combinação de cirurgia, quimioterapia, radioterapia e/ou bloqueio hormonal, porém cada caso é diferente.
Mamografia
De acordo com dados fornecidos pelo Sistema Oficial de Informação do Câncer (SISCAM), o percentual de mulheres de Goiás e na faixa etária alvo, 50 a 69, que realizaram a mamografia é considerado baixo. Para o oncologista Uirá, a mamografia de rotina deve ser iniciada a partir dos 50 anos, sendo feita anualmente até aos 65. “Não há benefício claro em iniciar mais cedo, o auto-exame semanal e uma visita anual ao ginecologista parecem ser mais importantes”, afirma.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde, mostram que o número de mamógrafo por mulheres preconizada pelo Ministério da Saúde é de 1 para cada 24.000 habitantes. De acordo com o DATASUS, departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS), em Goiás existem 93 mamógrafos disponíveis nas unidades do SUS. Dos 246 municípios goianos, apenas 33 disponibilizam mamógrafos a suas populações, estando mais de 50% deles instalados na região metropolitana e em grandes municípios. As cidades com baixa densidade demográfica e limitações de recursos têm dificuldades para manter os exames de mamografia.
Luta vencida
A psicóloga Maria Irenilde Oliveira, 44, recebeu o diagnóstico de câncer de mama em abril de 2012 após a realização de mamografia. Com a doença em estágio inicial, ela realizou a cirurgia para retirada do nódulo de acima de um centímetro na mama direita. Após, deu início ao tratamento através de seis sessões de quimioterapia que gerou vários efeitos colaterais e vinte de radioterapia.
Para a psicóloga, o principal incômodo foi a queda de cabelos. Ela afirma que decidiu cortar todo o cabelo após a primeira sessão de quimioterapia e que a cada mecha de cabelo cortada, era um pedaço dela indo embora. Depois do tratamento, ela explica que a ansiedade quando deve realizar exames para verificar se está tudo bem, é enorme. “Só uma pessoa que já teve câncer sabe explicar”, completa.
A psicóloga ainda, faz um alerta para que todas as mulheres realizam exame de prevenção. “O meu conselho é para que todas as pessoas encare isso, pois é melhor descobrir a doença precoce e ter a chance de cura”, diz.
Clínica móvel da Mulher
Com o objetivo de promover a prevenção de cânceres de mama, ovário e colo de útero uma unidade móvel equipada com consultório para realização de mamografia percorre todo o território de Goiás, para os usuários do Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (IPASGO). A unidade móvel com consultório para realização de ultrassonografias, colposcopia e sala especial para realização de mamografia. Além de médica, radiologistas e atendentes.
A clínica móvel já percorreu 19 municípios, desde abril deste ano, com a realização de mais de 3.000 atendimentos preventivos. Após receber os exames, os usuários são encaminhados para atendimento médico e nos casos de resultados positivos, os mesmos recebem atenção especial de uma equipe formada por psicólogos, assistentes sociais e médicos, para que seja dado início ao tratamento adequado.
A Unidade móvel está no município de Uruana, após percorrerá de 06 a 09 de outubro Pires do Rio, de 14 a 16 Cromínia e de 27 a 30 em Morrinhos. Ainda de acordo com o Ipasgo, hoje será o lançamento da iluminação rosa do prédio do Instituto.
Na foto, a estrutura da Clínica Móvel da Mulher (Divulgação/Ipasgo)

Programação
A Gerência de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, através da Superintendência de Políticas de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde preparou uma programação especial: