Câncer de pele, o mais comum no Brasil, avança por falhas na proteção diária
Léo Carvalho
Publicado em 27 de abril de 2026 às 13:50 | Atualizado há 2 meses
Exposição solar acumulada no dia a dia é um dos principais fatores para o aumento dos casos de câncer de pele | Foto: Divulgação/Reprodução
O câncer de pele segue como o tipo mais frequente no Brasil, responsável por cerca de 30% de todos os tumores malignos. Apenas na forma não melanoma, são mais de 220 mil novos casos por ano no país. Apesar da ampla divulgação de informações sobre prevenção, especialistas alertam que a doença continua avançando, impulsionada por falhas nos hábitos cotidianos de proteção solar.
De acordo com a dermatologista Gislaine Sales Gomes Lara, o problema não está na falta de informação, mas na dificuldade de transformar conhecimento em prática. Segundo ela, o uso do protetor solar ainda é irregular e, muitas vezes, restrito a momentos de lazer, como idas à praia ou piscina.
No entanto, a maior exposição ocorre ao longo do dia, em atividades rotineiras como dirigir ou caminhar. Esse acúmulo de radiação ultravioleta, comum em um país com alta incidência solar durante todo o ano, aumenta significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
Outro fator relevante é a associação cultural entre pele bronzeada e aparência saudável. A médica reforça que não existe bronzeamento seguro. “O bronzeado é uma resposta da pele a uma agressão. Quando a pele bronzeia, ela já sofreu dano”, explica Gislaine Lara.

Nesse cenário, o bronzeamento artificial em cabines representa um risco ainda maior. Esses equipamentos emitem radiação ultravioleta do tipo UVA de forma intensa e contínua, o que pode não causar queimaduras imediatas, mas penetra mais profundamente na pele, acelera o envelhecimento e eleva o risco de câncer. A prática é classificada como carcinogênica pela Organização Mundial da Saúde e é proibida no Brasil para fins estéticos.
A popularização de métodos de bronzeamento nas redes sociais também contribui para a confusão. A dermatologista Gislaine Lara destaca que o bronzeamento a jato, por exemplo, não envolve radiação e não está relacionado ao câncer de pele, mas também não substitui a proteção solar, por ter efeito apenas estético.
Erros aparentemente simples no dia a dia acabam se acumulando ao longo dos anos. Entre os mais comuns estão o uso inadequado do protetor solar, a falta de reaplicação, a aplicação em quantidade insuficiente e o esquecimento de áreas como orelhas, pescoço, colo e mãos. Também persiste a falsa ideia de que dias nublados oferecem menos risco, além da negligência com barreiras físicas, como chapéus e óculos de sol.
A dermatologista também alerta para sinais que costumam ser ignorados, como feridas que não cicatrizam, lesões que sangram com facilidade e manchas ou pintas que mudam de cor, formato ou tamanho. Muitas vezes, a ausência de dor leva à demora na busca por avaliação médica.
A recomendação é incorporar a proteção solar à rotina diária. Segundo a dermatologista, são justamente os pequenos descuidos repetidos ao longo do tempo que aumentam o risco de desenvolver a doença.
