Carnaval de escola e de rua
Redação DM
Publicado em 4 de fevereiro de 2016 às 20:59 | Atualizado há 1 ano
A festa popular mais luxuosa de todas acontece na Marquês de Sapucaí, o sambódromo carioca. Um desfile de uma escola de samba custa em média R$ 8 milhões, é muita grana envolvida. Fantasias luxuosas, carros alegóricos (que custam em torno de R$ 250 mil) grandiosos e extravagantes, um show para os olhos. Mas essa festa não é para todos.
Outro fato curioso sobre os exorbitantes preços carnavalescos é que com ingressos, direito de imagem da transmissão e venda de CDs, juntando tudo arrecada-se em média R$ 3 milhões. Da onde sai o resto do dinheiro investido nessa festa é um daqueles mistérios da vida.
Os barracões das escolas de samba, onde o espetáculo é preparado geralmente estão nas periferias do rio. Na base da construção carnavalesca não estão as madrinhas de bateria que são garotas da TV, está o povo, trabalhadores. Eles trabalham o ano todo para garantir a festa que faz girar mais ou menos R$ 700 milhões todos os anos no Rio de Janeiro.
Uma fantasia básica custa em torno de R$ 800,00 isso é mais do que o atual salário mínimo. Não é um preço tão acessível já que é a festa do povo. Os ingressos mais baratos, que são arquibancada e cadeiras individuais variam de R$ 110 (valor de meia entrada) a R$ 320. O preço dos camarotes podem custar até quase R$ 1000.
Em uma página de venda de ingressos, o camarote é anunciado da seguinte forma “Se você puder este é o lugar. Os Camarotes são de longe os melhores lugares do Sambódromo”. A questão é que poucos podem, o desfile de carnaval assim como outras formas de lazer é diversão é pra quem tem poder econômico.

Não há problemas em um evento ser construído para divertir as classes mais abastadas. A questão é que quem vive os desfiles durante todo o ano, trabalhando nos barracões, muitas vezes fica de fora da festa.
Claro que um evento desse porte gera muitos empregos, afinal é o maior carnaval do mundo de acordo com o livro dos recordes. O número de empregos é de uns 400 mil juntando todas as escolas do grupo especial de acordo com o Diário do Rio.
Outra coisa interessante do carnaval são os temas dos enredos das escolas de samba, geralmente uma letras que apelam pra sentimentos de identidade nacional, uma ideia de união nacional.Até 1997 não era recomendado sambas enredos que não fossem sobre assuntos nacionais.
E a elite criou o desfile de carnaval
Os desfiles de carnaval não surgiram como manifestação popular. A questão é que a elite carioca naquela onda de independência de Portugal estava afim de montar uma nova identidade cultural, mais “civilizada”.Mas como na vida nada se cria, tudo se copia a tal elite da época se inspirava culturalmente na França. Era trés chic imitar francês. Então começaram a realizar bailes de carnaval semelhantes aos da europa.
Mas a burguesia sempre gosta de se dar a extravagâncias e ficaram deslumbrados com a ideia de se dirigir aos bailes em carruagens abertas e luxuosas.Com mera semelhança com a atual festa, o povo carioca ficava observando aquelas pessoas bem vestidas com máscaras no rosto desfilando de carruagem pelas ruas e saudavam. Aquele sonho do luxo, andando pelas ruas.
A alta burguesia quase explodia com aquela manifestação de admiração da gente simples carioca. Então passaram cada vez mais a se dedicar aquele cortejo de luxo em direção aos bailes. Aí estava um embrião de um desfile de carnaval.
O povo também festeja na rua
Os primeiros registros de blocos licenciados pela polícia do Rio de Janeiro datam do ano de 1889, tornando o Rio um dos pioneiros no quesito. Se não dá pra pagar pela festa, vamos celebrar que tristeza não paga dívida.
Os blocos de rua também se destacam pela criatividade com que são batizados, um bom exemplo é o bloco Suvaco do Cristo. Nomes divertidos e atrativos são parte do sucesso, no caso o bloco “suvaco do cristo” teve o nome inspirado em um comentário feito por tom Jobim, que disse que o mofo da sua casa, era devido a sua localização debaixo do “suvaco” do Cristo. Esse bloco tem mais de 25 carnavais nas costas.
Outros blocos também são donos de nomes geniais como “Cordão do Bola Preta” que se trata de um bloco icônico e histórico. E pensa o tanto que é antigo, o bloco foi criado em 1918, mas até hoje dança e festeja como se fosse jovem. Esse cordão já arrastou mais de 2 milhões de pessoas em um único carnaval.
Olhando por vários ângulos, o carnaval possui lá suas obscuridades e a sua alegria. A questão é que pelo menos por esses dias muita gente vai ter uma folga dos compromissos, do patrão. Nessa sexta pré carnaval vamos ao aquecimento, que seja baixar os filmes pra ver no feriado, ou abrir os trabalhos alcoólicos. Com respeito está tudo liberado, meu caro trabalhador, vamos que é tudo nosso.

Curiosidades carnavalescas
Sobre as fantasias:

As palavras mais comuns dos enredos:
Sobre as escolas
