Cotidiano

Chanceler venezuelana acusa presidente argentino de ingerência

Redação DM

Publicado em 21 de dezembro de 2015 às 02:02 | Atualizado há 11 anos

ASSUNÇÃO — Como era esperado, o primeiro encontro do presidente da Argentina, Mauricio Macri, com autoridades do governo venezuelano no âmbito do Mercosul provocou um forte e agressivo debate entre ambos. Depois de o chefe de Estado argentino ter pedido publicamente a liberação dos presos políticos venezuelanos, a chanceler do país, Delcy Rodríguez, acusou Macri de “ingerência” em assuntos internos e foi mais longe ainda ao afirmar que uma de suas primeiras medidas de governo foi liberar militares condenados por crimes cometidos na última ditadura (1976-1983). A informação dada pela ministra venezuelana não é correta.

— Entendo que Macri queira pedir a liberação destes violentos (em referência aos presos políticos), porque uma de suas primeiras medidas de governo foi liberar os responsáveis por torturas e assassinatos da ditadura argentina… deixe de defender os violentos — declarou a chanceler venezuelana, que está representando o presidente Nicolás Maduro, único chefe de Estado ausente no encontro.

Delcy monstrou fotos dos protestos ocorridos no país em fevereiro de 2014, entre elas do dirigente opositor Leopoldo López, condenado há 13 anos de prisão, e disse que o presidente da Argentina está defendendo “terroristas” que “incendiaram ministérios públicos, institutos públicos, caminhões de comida e atentaram contra o acesso dos venezuelanos à alimentação e educação”.

— Se vamos falar de direitos humanos, falemos de forma franca… temos de fazê-lo sem dupla moral, temos de fazê-lo com sinceridade — alfinetou a chanceler venezuelana.

Enquanto Macri observava o discurso da ministra de Maduro com uma expressão de visível incomodidade, Delcy elevou o tom e acusou o presidente argentino de estar defendo López e se metendo em questões internas de seu país.

— Estamos de acordo com os direitos humanos e a Venezuela é modelo no mundo, não existe países que tenha programas sociais como os que hoje tem a Venezuela — assegurou Delcy,

A ministra disse que na Venezuela existem poderes públicos independentes que devem ser respeitados pela comunidade internacional.

— Não podemos falar sobre direitos humanos para defender os violentos e terroristas e criminalizar os protestos sociais —_ enfatizou Delcy, que se referiu a uma imputação a presidente das Mães da Praça de Maio, Hebe Bonafini, por recentes declarações numa manifestação contra o governo Macri, considerado por ela “o inimigo”.

Em seu discurso, Macri pediu prudência à oposição da Venezuela frente aos resultados eleitorais e, também, solicitou aos Estados partes, em especial ao governo venezuelano, que trabalhemos incansavelmente para consolidar uma verdadeira cultura democrática na região.

— Em este sentido, quero pedir expressamente aqui diante de todos os queridos presidentes dos estados partes do Mercosul pela pronta liberação dos presos políticos na Venezuela. Porque nos estados partes do Mercosul, não pode haver lugar para a perseguição política por razões ideológicas nem a privação ilegítima da liberdade por pensar diferente — enfatizou o presidente argentino.

Enquanto isso, pede libertação de presos políticos na Venezuela a presidente Dilma Rousseff seguiu a mesma linha moderada dos demais países do bloco e felicitou o presidente Maduro e o povo venezuelano pelo espirito democrático.

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