Clima após atentados deixa lojas e restaurantes às moscas
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2015 às 05:07 | Atualizado há 11 anosPARIS – Até a fatídica sexta-feira 13, o cristão libanês Nassif Charbel tinha clientela cativa no seu restaurante Yara, na Bastilha, em Paris. Desde os atentados, um deles próximo ao estabelecimento, a clientela sumiu.
— Nos últimos dias, quase ninguém veio. No almoço, nenhuma mesa. As pessoas estão com medo. Isso se vê nos olhos, no metrô, nas ruas.
Ele hesita ao responder se o fato de ser árabe explica o restaurante deserto:
— Também achei. Talvez tenha gente no bairro pensando que sou muçulmano, racista, e decidiu não vir. Mas outros bares também estão vazios.
O golpe é geral. O Sindicato dos Operadores de Hotéis e Restaurantes da França aponta queda de 44% na frequência dos restaurantes e de 57% nos hotéis em relação ao mesmo período no ano passado. Para as salas de espetáculo e músicos, o baque também é forte. Megaconcertos, como os do grupo irlandês U2, de Prince, Deftones ou Foo Fighters foram cancelados.
E já em época de vendas para o Natal, as lojas estão às moscas.
— Está um deserto — conta Marine, vendedora do setor de cosméticos da Printemps, uma das grandes varejistas do país, cuja direção relatou queda de 320% na clientela.
Na entrada, detetores de metal à mão, seguranças revistam quem ainda vai às compras. A vizinha Galeries Lafayette, icônico magazine francês, também sofre com a falta de clientes: alguns turistas fotografavam as vitrines enfeitadas para o Natal.