Com segurança reforçada, franceses votam em eleições regionais
Redação DM
Publicado em 6 de dezembro de 2015 às 03:50 | Atualizado há 11 anosPARIS — Eleitores franceses votaram neste domingo para o primeiro turno das eleições regionais, três semanas depois dos ataques terroristas em Paris, dando um impulso ao partido de extrema-direita Frente Nacional (FN). A segurança foi reforçada em centros de votação na capital, onde extremistas mataram 130 pessoas em 13 de novembro. No pleito serão eleitos 1.671 representantes regionais da França continental e dos departamentos ultramarinos de Guadalupe e Reunião, além de 51 representantes da Córsega e 102 da Guiana Francesa e da Martinica.
Pesquisas de boca de urna indicam que a Frente Nacional liderou a votação em primeiro turno em duas das regiões. Tanto Marine Le Pen, líder do partido, quanto sua sobrinha Marion Marechal-Le Pen teriam conquistado mais de 40% dos votos nas suas respectivas regiões de Nord-Pas-de-Calais-Picardie, no Norte, e Provence-Alpes-Côte-d’Azur, no Sul. Durante décadas, a região industrial de Nord-Pas-de-Calais foi um bastião da esquerda francesa, e principal reduto eleitoral de comunistas e socialistas. No entanto, com o desemprego local ultrapassando os 35%, boa parte do eleitorado enxerga na FN a chance de dias melhores.
O segundo turno está marcado para o próximo dia 13 e, se confirmados, os resultados representarão vitórias inéditas para a agremiação, que conquistou 11 prefeituras nas eleições municipais mais recentes e liderou as votações para o Parlamento Europeu com sua plataforma anti-imigração e anti-União Europeia.
Ainda de acordo com a pesquisa do instituto Ifop-Fiducial, a Frente Nacional obteve 30,6 % dos votos em nível nacional, ficando à frente dos conservadores Os Republicanos, liderados pelo ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, com 27%, e dos Socialistas do atual presidente François Hollande, com 22,7%.
A vitória da FN pode ser um passo importante para a campanha de Marine nas eleições presidenciais de 2017. Já os socialistas, que agora formam o governo na França e controlam a maioria das regiões, correm o risco de perder a maioria dos distritos eleitorais para os conservadores do ex-presidente Nicolas Sarkozy ou para a FN. Sarkozy, que há apenas algumas semanas era o favorito nas pesquisas, por sua vez acabou tendo uma vitória menor do que o esperado devido à crescente popularidade da Frente Nacional.