Cotidiano

Como viver 114 anos

Redação DM

Publicado em 30 de abril de 2015 às 03:09 | Atualizado há 1 ano

 

 

A longevidade tornou-se um alvo que todas as pessoas desejam alcançar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que homens e mulheres no Brasil têm hoje expectativa de vida de 74,6 anos. No entanto, para alcançá-los com saúde, especialistas são unânimes em afirmar que o envelhecimento é resultado de atitudes de uma vida inteira. Neste caso, o quanto antes a pessoa começar a se preparar para esta fase da vida, melhor serão os resultados.

A gerontologista Marli Fernandes de Assis observa que o avanço da idade traz alterações no organismo e, à medida que o tempo passa, a chance de desenvolver doenças crônicas aumenta e isso se dá, principalmente, pela falta de hábitos saudáveis. Mas ela chama atenção para o fato de que é possível preservar o bem-estar em cada fase da vida adotando cuidados com o corpo e a mente.

“O que a pessoa é na velhice é, na verdade, o retrato de tudo que ela foi desde a vida intra-uterina: se foi uma gestação sadia, se teve infância e adolescência bem orientada, com alimentação saudável.  Com tudo isso, essa pessoa terá uma velhice sem grandes sequelas. Mas se ela é uma pessoa que não teve alimentação correta, ela vai ter problemas sérios”, diz.

Ela relaciona os problemas que uma má alimentação seguida de sedentarismo pode causar à saúde já na terceira idade: o desenvolvimento de doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, osteoporose, obesidade, colesterol alto dentre outras patologias. Marli acrescenta que, mesmo para aqueles que usufruíram de uma vida moderada, ainda assim, as consequências do processo de envelhecimento só poderão ser atenuadas.

“Se a pessoa tiver uma vida saudável, ela terá uma velhice menos sofrida. A velhice doente é muito cara e o sistema de saúde é precaríssimo. O ideal é que a pessoa busque alternativas equilibradas no decorrer de sua vida para que seja independente quando envelhecer, por mais tempo possível”, avalia.

 

Tenha bons hábitos e consuma vitaminas

Estudos comprovam que, a partir dos 50 anos, o corpo humano sofre mudanças no sistema imunológico e o organismo fica mais vulnerável a algumas doenças. Contudo, para prevenir as enfermidades ligadas à terceira idade, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda práticas como atividade física, alimentação saudável, exercitar a mente, dormir bem e abandono dos maus hábitos, sendo estes hábitos preventivos para envelhecer com saúde.

Os benefícios da prática de exercícios são muitos: estes evitam a obesidade, dão mais disposição, além de ajudar a prevenir doenças cardíacas, diabetes, hipertensão, osteoporose e o colesterol alto.

Na alimentação, a dica é incluir grãos integrais, frutas, legumes e verduras.

O consumo de leite, rico em cálcio e vitamina D, previne a osteoporose. Já o consumo de proteínas ajuda na prevenção do sistema imunológico e os músculos. E não menos importantes, as fibras contribuem para o bom funcionamento do intestino. Abandonar os maus hábitos como consumo exagerado de bebidas alcoólicas e cigarro é também um grande passo para evitar o aumento da produção de radicais livres em nosso organismo.

 

PRECOCE

Os radicais livres, quando produzido em excesso, causam o envelhecimento precoce, uma vez que danificam as células saudáveis e aumentam o risco para o desenvolvimento de doenças como a hipertensão, diabetes e desordens neurológicas, como o mal de Parkinson.

 

Segredo pode estar na alimentação

Também na casa dos centenários, Quintiliana Amaral, de 100 anos, goza de plena lucidez. Há pouco tempo ela chegou ao abrigo. Passa os dias fazendo crochê e só lamenta sentir algumas dores: “Meus filhos moram em Brasília e Mato Groso e sempre que podem vêm me visitar. Diz o médico que minha coluna está desgastada, mas no ‘mais’ está tudo bem”.

Luciana Pereira Vaz acredita que o segredo para se alcançar longevidade e mente sã está na alimentação e na atividade física. “São dois fatores: alimentação e atividade física. No caso da dona Lourdes, ela sempre trabalhou na roça, o que lhe possibilitou se exercitar e de lá mesmo tirava uma alimentação totalmente livre de agrotóxicos, o que, com certeza, contribui para sua saúde hoje”, avalia.

Para a enfermeira e chefe administrativa do abrigo, Márcia Aparecida Alves, que há 18 anos atua na instituição, é gratificante compartilhar seus dias com os idosos. “É um constante aprendizado estar com pessoas idosas que muitas vezes vieram para cá por não ter família ou a família não tem condição de cuidar. Cada um aqui tem uma história diferente e a maioria depois que se adapta não quer mais voltar para casa”, diz.

Ela explica que um dos fatores que determinam essa escolha é o próprio convívio dos idosos com os demais, as atividades de integração voltadas para eles, terapia ocupacional, fisioterapia, dentre outras ações que lhes possibilitam maior conforto. “Esse é um trabalho que temos que fazer com amor, paciência e acima de tudo gostar do idoso”.

Luciana Vaz descreve que cuidar de idosos é uma experiência mágica. “É muito aconchegante, muito gostoso, não esperava trabalhar nessa área. Recebi o convite e sou muito grata porque é um grande aprendizado, uma lição de vida”.

Hoje, o abrigo acolhe 54 idosos que contam com cuidados de fisioterapia, terapia ocupacional e psicólogos. “Contamos ainda com voluntários, com grupo de música, teatro, sempre contamos com atividades para alegrá-los”.

 

Longevidade e mente sã

Dona Maria de Lourdes da Silva tem muito para contar e comemorar: hoje é seu aniversário de 114 anos. No abrigo onde fica, em Goiânia, acompanhada da filha também já idosa, ela recorda do tempo em que morava em Oliveira, sua cidade de origem. O município está localizado em Minas Gerais. Na época, ela vivia com os pais e os ajudava no cultivo da terra – de onde colhia alimentos fresquinhos para a subsistência da família.

“Estudei muito pouco, mas deu para aprender a ler. Quando moça, trabalhava na roça para ajudar meus pais e usava a enxadinha para capinar na roça”, lembra com brilho no olhar.

Apesar da idade já avançada e de um pouco de dificuldade nas pronúncias, dona Lourdes traz na memória muitas recordações de um passado distante. Quando perguntada sobre o segredo da longevidade e mente sã, ela resume em poucas palavras o que acredita ter contribuído com sua saúde física e mental: “Todos os dias a gente ia para a roça trabalhar e cultivar a terra com o plantio de milho, arroz, feijão, mandioca, batata. Comíamos arroz, feijão, carne de porco, galinha, abóbora, arroz-doce… acho que é só”.

A enfermeira chefe do abrigo Solar Colombino Augusto de Bastos, Luciana Pereira Vaz, 29 anos, onde dona Maria de Lourdes mora desde 2009, explica que a idosa não tem nenhuma restrição alimentar. “Come de tudo, alguns dos alimentos que ela mais gosta é banana, bolo, arroz e feijão. Tudo que a gente coloca no prato dela não volta nada”.

Dona Maria, diferente de muitos que estão no abrigo e foram totalmente esquecidos por seus familiares, conta com o carinho de alguns familiares. Sempre que podem, eles visitam a idosa. Em momento de descontração, ainda sem saber que a administração da instituição promoverá uma festa para os aniversariantes do mês, ela conta que fez muitas amizades no abrigo e gosta quando são realizadas ‘festinhas’ no lugar.

Sobre quantos anos pretende viver ainda, Maria reserva o direito de dizer “que é Deus quem sabe”. “Aproveitei bastante a vida e pretendo viver muito mais”, diz.

 

É POSSÍVEL VIVER MUITO MAIS!

Conheça dicas de como alcançar a terceira idade com muita saúde e lucidez

 

  • Praticar atividade física regularmente
  • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas e verduras
  • Evitar hábitos nocivos, como tabagismo e álcool
  • Procurar dormir bem
  • Evitar o estresse e fazer atividades que deem prazer, ainda que seja só por lazer
  • Exercitar a memória como a leitura e se preferir, ver filmes
  • Manter relações afetivas com amigos e família
  • Desenvolver a espiritualidade ajuda o idoso a lidar melhor com os sentimentos e as emoções
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