Cotidiano

Corregedoria vai interrogar oficiais envolvidos na ação que matou cinco jovens

Redação DM

Publicado em 4 de dezembro de 2015 às 10:20 | Atualizado há 11 anos

RIO – A Corregedoria Interna da Polícia Militar instaurou um procedimento para investigar responsabilidades na ação dos quatro policiais militares do 41º BPM (Irajá) que culminou com a morte de cinco jovens da Lagartixa, em Costa Barros, na noite de sábado. Já foram convocados para prestar esclarecimentos nesta sexta-feira o Major Moisés Pinheiro Sardemberg do 5°CPA e o Capitão Daniel Florentino de Moura do 41°BPM (Irajá), acusados de, no sábado 28 de novembro, terem acionado a viatura para recuperar o caminhão de bebidas roubado e levado para Costa Barros, que resultou na trágédia. Os dois Oficiais serão movimentados para a DGP e poderão responder a Processo Administrativo Disciplinar.

No depoimento que prestaram na 39ª DP (Pavuna) na noite do crime, os policiais militares Thiago Resende Viana Barbosa, Marcio Darcy Alves dos Santos e Antonio Carlos Gonçalves Filho e Fábio Pizza Oliveira da Silva afirmaram que receberam a ordem do capital Daniel para irem até a Rua José Arantes de Melo, que dá acesso ao conjunto de favelas de Costa Barros, porque ali a carga de cervejas de um caminhão da LogBev estaria sendo saqueado. Ainda segundo eles, ao chegar ao local, a guarnição avistou três homens armados com fuzis dando cobertura ao saque. Os criminosos teriam atirado contra a viatura, iniciando o primeiro confronto.

Ainda de acordo com o depoimento dos policiais, eles chegaram ao local por volta de 22h, mas só por volta de meia-noite receberam o reforço de uma viatura de supervisão que foi até a Rua José Arantes de Melo dar cobertura para a retirada do caminhão. O que nenhum dos policiais explicou foi porque continuaram ali depois que o caminhão e a supervisão da unidade deixaram o local.

Mas, sequndo os quatro policiais, depois disto, a guarnição teria ficado acuada entre grupos de traficantes rivais e trocado tiros com eles. E neste momento teriam chegado ao local, uma moto com um garupa carregando um fuzil e o fiat branco, em que, supostamente o carona estaria com o corpo projetado para fora e teria disparado dois tiros de revólver contra os PM, que apenas teriam se defendido dos tiros. Versão derrubada pelas primeiras informações da perícia.

A 39ª DP (Pavuna) também vai chamar para depor o capitão e o major e aguarda o laudo da necrópsia feita nos corpos de Roberto de Souza Penha, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16 anos, Cleiton Correa de Souza, 18 anos, Wilton Esteves Domingos Junior, 20 anos e Wesley Castro Rodrigues, 25 anos, para concluir o inquérito. Os policiais envolvidos estão presos preventivamente na unidade prisional militar de Niterói, e estão respondendo por homicídio doloso e fraude processual, porque, segundo as investigações, tentaram adulterar a cena do crime.

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