Cotidiano

Crianças da era digital

Redação DM

Publicado em 8 de abril de 2017 às 02:44 | Atualizado há 2 anos

Quem tem mais de 25 anos talvez tenha notado o quanto a infância está diferente hoje. Brincadeiras comuns daquela época, como pega-pega, queimada ou qualquer atividade coletiva saíram de moda. A tecnologia contribuiu para a mudança no comportamento infantil. Atualmente é mais comum encontrar crianças entretidas com celulares, vídeo games ou qualquer outro aparelho eletrônico.

“Atualmente as crianças e os adolescentes vivem em dois mundos: aquele que todos conhecemos, o mundo real, e o mundo digital ou virtual, que parece muito mais interessante e surpreendente, oferecendo aventuras, oportunidades, a busca pela autonomia, mas também, perigo e riscos à saúde” explica a médica psiquiatra Evelyn Eisenstein em seu artigo publicado na Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto.

De acordo com a médica, a internet atravessou fronteiras, dissolveu barreiras culturais, penetrou bloqueios político, vaporizou diferenças sociais e cresceu mais rápido e em todas as direções, superando as expectativas do futuro planejando nos séculos passados. “Qualquer conhecimento ou informação está disponível com o apertar de um botão. Usada com respeito e cuidado, a internet pode oferecer uma perspectiva mais abrangente do mundo à sua volta, mas pode também se tornar uma ameaça e oferecer riscos à saúde quando se extrapolam os limites entre o real e o virtual”, afirma.

Uma pesquisa realizada pela AVG Technologies com famílias de todo o mundo mostrou que 66% das crianças entre três e cinco anos de idade conseguia usar jogos de computador, 47% sabia como usar um smartphone, mas apenas 14% era capaz de amarrar os sapatos sozinha. No caso das crianças brasileiras, o levantamento apontou que 97% das crianças entre seis e nove usam a internet e 54% têm perfil no Facebook.

A dona de casa Luciana Pereira, 28 anos, autorizou seu filho de nove anos a criar um perfil no Facebook. Segundo ela, a família gosta de acompanhar as postagens do pequeno, mas ela garante que acompanha toda vez que a criança está no computador. “Ele me pediu e eu fiz. Mas falei pra ele que haveria regras e ai a gente sentou e decidiu as regras juntos. Toda vez que ele vai pra internet eu estou por perto, tenho muito medo de pedófilos”, revela.

consequências

Embora ainda não haja consenso entre os especialistas, muitos apontam consequências sombrias do contato excessivo das crianças com as novas tecnologias. A terapeuta canadense Cris Rowan, por exemplo, defende que o uso de tecnologia por menores de 12 anos é prejudicial ao desenvolvimento e aprendizado infantis.

Segundo ela, a superexposição da criança a celulares, internet, iPad e televisão está relacionada ao déficit de atenção, atrasos cognitivos, dificuldades de aprendizagem, impulsividade e problemas em lidar com sentimentos como a raiva. Outros problemas comuns seriam a obesidade, uma vez que a criança passa a fazer menos atividade física; privação de sono e o risco de dependência por tecnologia.

Para a terapeuta, o ideal é que apenas depois dos dois anos de idade as crianças comecem a ter contato com esses aparelhos e por tempo limitado. Até os cinco anos, as crianças só deveriam ficar no máximo uma hora diante das telas. O tempo aumenta para duas horas para crianças de seis a doze anos e para três horas a partir dos trezes anos.

Contudo a médica psiquiatra Evelyn Eisenstein salienta que o equilíbrio entre a as tecnologias e as crianças é o segredo. “A era digital não tem mais volta e o mundo do cyberespaço só aumenta a velocidade. Muitos aspectos são positivos e existem bastantes benefícios da ciência e tecnologia, da educação e informação, da cultura e das artes, e também de futuras oportunidades de desenvolvimento que foram sendo incorporadas às famílias. Mas algumas recomendações devem ser sempre lembradas para se usufruir melhor dos benefícios da tecnologia, como eStabelecer regras e limites bem claros para a entrada e permanência na internet”, destaca.

 

Dicas de uso de tecnologias para crianças e adolescentes:

1- Estabeleça regras e limites claros para a utilização de tecnologia pelos filhos. Como pai e mãe, você é quem manda;

2- Detalhe horários permitidos e proibidos;

3- Determine que computadores, tablets e smartphones devem ser usados em a área de uso comum da casa, e não no quarto fechado;

4- É preciso que os pais deem o exemplo, seguindo as regras e limites estabelecidos;

5- Diferencie o horário de convivência familiar, de fazer os deveres escolares, da recreação saudável e do descanso;

6- Estimule e participe de atividades físicas e ao ar livre com os filhos;

7- Promova o diálogo sincero e frequente com os filhos para estar por dentro da vida deles;

8- Fale sobre a importância da privacidade e explique que nunca se deve compartilhar dados pessoais, documentos ou fotos reveladoras de si mesmo na internet;

9- Fique atento aos sinais de riscos e características do uso impróprio, exagerado ou doentio do computador, smartphone e de outras tecnologias;


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