Cotidiano

Cristina infla máquina estatal nos últimos meses de mandato

Redação DM

Publicado em 4 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

BUENOS AIRES – No legado deixado pela presidente Cristina Kirchner, o ano de 2015 vai se destacar por um boom na máquina estatal, principalmente no período prévio às eleições. A chefe de Estado argentina e seus ministros criaram 316 novas diretorias e coordenadorias, além de 515 cargos executivos — um salto de quase 60% na comparação com o ano passado, quando foram registrados 199 novos postos. Às vésperas de passar o bastão para o sucessor, o opositor Mauricio Macri, Cristina se mantém ocupada com uma agenda controversa: inaugurou até obras inacabadas sem ir aos locais.

Empenhada em expandir a estrutura burocrática do Estado, Cristina quer ainda implementar 13 novos órgãos no Ministério de Desenvolvimento Social e na Secretaria de Esportes. Se o Congresso aprovar antes do fim do mandato kirchnerista, seriam mais cem vagas executivas.

Embora não haja diretrizes estabelecidas, uma nova coordenadoria poderia exigir entre dez e 20 funcionários públicos, enquanto uma diretoria demandaria até 80 pessoas, segundo estimativas de funcionários e ex-funcionários, informa o jornal argentino “La Nación”.

O momento de maior criação de cargos ocorreu em agosto e outubro deste ano, dois meses marcados pelas eleições presidenciais. Entre as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso), em agosto, e a eleição geral, dois meses depois, 2.500 funcionários públicos somaram-se à máquina estatal.

O Instituto Nacional de Cinema e Artes Visuais foi o que mais inflou, com a criação de 116 novos cargos executivos, seguido pelo Ministério da Economia (88 novos cargos) e pela Cultura (47). Os salários variam entre 23.500 pesos (R$ 9.338) e 35 mil pesos (R$ 13.909) gerando um gasto mensal de 8,3 milhões de pesos (R$ 3.298).

A aliança Mudemos, de Macri, antecipou que buscará “otimizar” a administração pública e vai abrir concursos para cargos do Estado. O líder opositor, eleito no segundo turno em 22 de novembro, será empossado no próximo dia 10.

De acordo com a Secretaria de Meios de Comunicação do governo, a presidente inaugurou na segunda-feira obras de pavimentação em uma rodovia de Pilcaniyeu, em Rio Negro, durante sua passagem pela usina de enriquecimento de urânio na mesma província. O jornal “Rio Negro”, no entanto, constatou que Cristina não esteve nas obras mencionadas no comunicado, que ficam longe da usina.

O diário “Clarín” chamou atenção, ainda, para o fato de que a obra não pode ser considerada finalizada — apenas parte foi concluída. Em maio deste ano, a presidente inaugurou em Bariloche uma usina de reciclagem de resíduos. Com um custo de 100 milhões de pesos, a fábrica, porém, jamais chegou a funcionar, segundo o jornal.

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