Cotidiano

Cruzando a fronteira no País Basco em meio à busca implacável

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2015 às 06:08 | Atualizado há 11 anos

HONDARRIBIA, País Basco, Espanha – No pedágio que marca a passagem entre Espanha e França, um forte esquema de vigilância guarda o posto de fronteira entre as cidades bascas de Behobia e Hendaye, esta já em solo francês. Três agentes policiam cada cabine do posto, fortemente armados. Enquanto um se posicionou à frente do carro em que viajávamos (cinco pessoas em um carro com placa de veículo alugado na Espanha), dois percorrem o veículo fazendo o exame visual pelo interior do veículo: “Allez-il” (“Vá adiante”) é a senha dada ao motorista para que possa seguir viagem. Os passaportes estavam à mão, mas não nos pediram que os mostrássemos.

A inspeção feita nesta segunda-feira de manhã se repetiu doze horas depois quando voltávamos à Espanha, à noite. Pela manhã (em torno de 10h15m, alguns carros à nossa frente (não mais que três) nos tomaram cerca de dez minutos no máximo para passar. À noite, por volta das 21h30m (hora local), não havia fila no sentido Espanha, porém, dezenas de carros e caminhões congestionavam as pistas que seguiam rumo a França.

Um pouco mais adiante, em um entroncamento que levava a uma ponte que também cruza os dos países, avistamos outra patrulha de fiscalização:

“Sinal de que ainda não encontraram o que buscam”, concluímos, após passar o dia inteiro circulando entre cidades de apelo turístico, com celulares off-line, praticamente sem ter atualização do noticiário.

O primeiro sinal do ato de terror ocorrido em Paris veio na sexta-feira à noite, enquanto jantávamos no hotel em Argomaniz. No celular, uma notificação emitida pela rede BBC dava conta de um tiroteio em um restaurante na capital francesa. Daí as más notícias não pararam. Naquela mesma noite, François Hollande anunciava que a França havia fechado suas fronteiras.

Nos três últimos dias acompanhamos o noticiário pelas TVs locais. A Espanha manifesta sua solidariedade pelo luto francês com a dor de quem já sentiu na pele o ocorrido, lembrando do atendado à estação de metrô em Atocha (em 2004) e oferecendo sua experiência de quem já combateu o terror internamente – no caso o ETA (organização separatista que se estabeleceu em 1959 no País Basco e teve forte atuação nas décadas de 1960 e 1970, até o processo de redemocratização espanhol).

Nosso roteiro previa uma visita a três cidades do País Basco francês, atravessando os Pirineus: San-Jean-Pied-de-Port (ponto de peregrinação na rota de Santiago de Compostela, Espelette e St-Jean-de-Luz, balneário próximo a Biarritz). Mas com a medida anunciada pelo presidente francês, veio a preocupação de que talvez isso não fosse possível. De fato, a fiscalização está rígida, a tensão e o pesar pelo ocorrido se intensificam neste momento, nos dois lados da fronteira, mas a vida segue sua rotina. E devemos seguir viagem ainda pelo País Basco rumo a San Sebastián e Bilbao nos próximos dias.

Cristina Massari viaja a convite de Europcar e Paradores de Espanha

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