Defesa de ginecologista investigado por abuso sexual teme “condenação antecipada” em Goiás
Léo Carvalho
Publicado em 22 de abril de 2026 às 12:29 | Atualizado há 2 meses
Defesa cita o Caso Escola Base como exemplo de danos irreversíveis causados por julgamentos precipitados | Foto: Divulgação/Polícia Civil
A defesa do médico ginecologista Marcelo Arantes Silva se manifestou após o aumento no número de denúncias de crimes sexuais investigados pela Polícia Civil de Goiás. Em nota, os advogados afirmam que o cliente pode estar sendo alvo de um julgamento antecipado pela opinião pública, impulsionado pela exposição do caso na mídia.
Segundo o criminalista Rodrigo Lustosa, a divulgação do nome, da imagem e de relatos atribuídos às denunciantes pode comprometer garantias fundamentais, como o devido processo legal e a presunção de inocência. A defesa argumenta que o tratamento dado ao caso pode influenciar a formação de juízo antes da análise completa das provas.
“O risco é de que haja uma condenação prévia, sem que o processo investigativo tenha sido concluído”, afirmou o advogado. Ele também critica o uso de termos considerados definitivos na cobertura do caso, como “predador sexual” e “vítima”, sem a devida cautela jurídica.
Juízo antecipado
A defesa sustenta ainda que a ampla divulgação de um suposto “modus operandi” pode levar a interpretações equivocadas por parte de pacientes, que poderiam reinterpretar atendimentos passados à luz das acusações divulgadas. Esse fenômeno, segundo Lustosa, poderia comprometer a apuração dos fatos.
Os advogados também mencionam o precedente do Caso Escola Base, quando acusados de abuso foram posteriormente inocentados, mas sofreram danos irreversíveis à reputação.
Apesar das acusações, a defesa do ginecologista reafirma a convicção na inocência do médico e ressalta que a culpa só pode ser estabelecida após o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que já contabiliza 12 denúncias de mulheres entre 25 e 45 anos contra o ginecologista, com ocorrências em Goiânia e Senador Canedo.
Relembre o Caso Escola Base:
– Em 1994, proprietários e professores da Escola Base, no Bairro Aclimação, em São Paulo-SP, foram acusados de cometer abusos contra seus alunos.
– O caso gerou revolta e comoção. Envolveu divulgação precipitada de informações pela polícia e cobertura da mídia marcada pela histeria coletiva e distorção de fatos.
– Os acusados foram inocentados, mas jamais conseguiram se recuperar.
– Maria Aparecisa Shimada, proprietária, morreu de câncer em 2007.
– Icushiro Shimada, proprietário e esposo de Maria Aparecida, morreu de infarto sete anos depois.
