Cotidiano

Delegado da PF diz que ocorreram “muitas mortes irregulares”

Redação DM

Publicado em 11 de novembro de 2016 às 23:38 | Atualizado há 2 anos

O delegado Milton Rodrigues Neves, responsável pela investigação da nova fase da Operação Sexto Mandamento, disse que a condução dos militares foi considerado uma ação melindrosa dentro da Polícia Federal, por conta do choque entre as duas corporações. “Toda operação envolvendo policiais militares é sensível. A gente lida com uma instituição armada; também venho de uma instituição armada.  E o que a gente quer é cumprir uma ordem judicial e diminuir estas tensões que poderão eventualmente existir”.

De acordo com o policial, ocorreu a detenção de duas pessoas, sendo que onze foram conduzidos para a sede da Polícia Federal. A PF anunciou que um advogado está foragido e foram apreendidos valores acima de R$ 30 milhões, 700 gramas de maconha,  três armas, sendo que duas delas estão irregulares – a outra está pendente de confirmação.

O integrante da PF confirmou a hipótese de grupo criado para matar pessoas: “Esse grupo é investigado como grupo de extermínio.  Muitas mortes atribuídas a este grupo teriam sido praticadas de maneira irregular. Desamparadas pela lei. Policial, se precisar matar alguém, é legítima defesa. A gente reage a uma ação ilícita. E com o grupo de extermínio não é assim o que acontece”.

De acordo com o responsável pela investigação, existem motivos diversos para a prática dos supostos delitos: “Grupo de extermínio atua mediante favor, mediante pagamento, mediante recompensa. Dessa forma que ele atua. O que nós sabemos até aqui é que há, sim, participação de fazendeiros, financiamento de campanhas, troca de favores, ou mediante pagamento”.

Milton Rodrigues Neves  disse ainda que dentre os envolvidos e levados para a PF existem companheiras dos policiais, “mulheres que talvez façam parte do grupo e  testemunhas”. De acordo com o policial, todos que foram conduzidos têm participação ou podem colaborar com a investigação.

O delegado confirmou que existem suspeitas contra o coronel Ricardo Rocha: “Ele foi conduzido para a superintendência para ser interrogado  Ele foi indiciado por uma série de crimes. E esse inquérito tramita sob sigilo. As medidas foram deferidas pela Justiça Federal de Formosa… A investigação continua. Posso dizer que ele foi conduzido para interrogatório e acabou indiciado por alguns crimes.  Há indícios da participação dele no desaparecimento de dois jovens. E isso motivou a condução dele hoje”.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia