Deputados dos EUA aprovam controle mais rígido para viajantes sem visto
Redação DM
Publicado em 8 de dezembro de 2015 às 08:25 | Atualizado há 11 anosWASHINGTON — Por esmagadora maioria, com 407 votos a favor e 19 contrários, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira medidas para endurecer os controles do programa de isenção de vistos, que inclui 38 países, na tentativa de impedir que eventuais jihadistas com passaporte europeu ingressem livremente no país. O projeto de lei cria assim novas exigências de visto para todos os estrangeiros que visitaram Síria, Iraque e Sudão nos últimos cinco anos.
A revisão do programa de isenção de vistos e dos procedimentos para vistos para cônjuges — pelo qual entrou nos EUA uma das terroristas do massacre da semana passada, em San Bernardino — foi defendida pelo presidente Barack Obama em seu discurso de domingo. Há três semanas a Câmara também aprovou um projeto que cria dificuldades para que os EUA recebam refugiados da Síria e do Iraque. O plano do governo Obama é receber 10 mil sírios neste ano, mas governadores de 31 dos 50 estados americanos se negam a receber estes refugiados.
A aprovação acontece dias depois de uma polêmica declaração do bilionário Donald Trump, feita na segunda-feira, horas depois de Obama ter pedido, em uma rara cadeia nacional de rádio e TV a partir do Salão Oval da Casa Branca, a atuação conjunta com líderes muçulmanos para combater o radicalismo.
Trump conseguiu algo cada vez mais raro nos EUA: unir os dois partidos contra sua proposta de fechar “total e completamente” o país para muçulmanos, como forma de evitar a ameaça terrorista do radicalismo. A Casa Branca reagiu de forma dura, seguida de opiniões igualmente fortes de democratas e republicanos, legenda pela qual Trump tenta obter a vaga para disputar a Presidência em novembro de 2016. Líderes mundiais também se colocaram contra a proposta do bilionário e TVs americanas o compararam a Hitler.
— O que disse Donald Trump o desqualifica a ser presidente. É moralmente repreensível e pode ter consequências para a nossa segurança nacional — disse Josh Earnest, em um pronunciamento mais forte que o usual: — A verdadeira questão para o Partido Republicano é saber se se deixará ser conduzido para o lixo junto com Donald Trump.
Trump tem marcado sua campanha por declarações polêmicas e já chegou a defender um cadastro de todos os muçulmanos do país, além de da construção de um muro na fronteira com o México e a deportação de 11 milhões de imigrantes.