Cotidiano

Desempenho em português e matemática está entre os melhores, mas não é o ideal

Redação DM

Publicado em 31 de agosto de 2018 às 01:45 | Atualizado há 8 anos

O Sistema de Avaliação da Edu­cação Básica (Saeb) informou on­tem que o desempenho dos alunos em matemática e português nas es­colas de Goiás figura entre os nove melhores do País. Ainda assim, to­davia, o Ministério da Educação (MEC) – responsável por divulgar o levantamento–destacou que o pa­tamar do ensino registrado no co­ração do Brasil está longe do ideal. Os outros Estados que aparecem no topo do ranking são: Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Acre, Ceará, Tocan­tins, Sergipe e Alagoas.

A íntegra da pesquisa pode ser consultada no site do Saeb. Os números mostram níveis de aprendizagem dos alunos ao fim de três etapas de ensino, que são os anos iniciais (5° Ano) e finais (9° Ano) do ensino fundamental e ainda o ano final do ensino mé­dio. As provas foram realizadas em 2017. Combinadas com as taxas de aprovação das escolas, o resul­tado compõe o Índice de Desen­volvimento da Educação Básica (Ideb). Tanto a avaliação quanto o levantamento são gerados a cada dois anos. Portanto, os últimos da­dos publicados foram de 2015.

Ao contrário dos anos anterio­res, o governo de Michel Temer (MDB) resolveu ‘fatiar’ a divul­gação dos resultados, ação que provocou críticas ao emedebista por parte de especialistas em edu­cação. Em função disso, o Ideb – principal indicador de qualidade na educação básica no País – só vai vir ao público na próxima segun­da-feira (3). Até o momento, não foram disponibilizados o quanti­tativo acerca das redes municipais, que concentram as matrículas do ensino fundamental, e tampouco as informações de escolas.

Superintendente executivo de educação da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), o professor Marcelo Oli­veira afirmou ao Diário da Manhã que o “dado do Saeb representa es­forço do aluno e professor em sala de aula”. Ele ressaltou que as esco­las estaduais em Goiás vêm sen­do nos últimos anos referência em educação básica no âmbito nacio­nal, uma vez que a secretaria esta­ria trabalhando no sentido de me­lhorar o ensino. Oliveira também pontuou que essa é a melhor mé­dia histórica que Goiás aparece.

“A meta é que para os próxi­mos anos a secretaria supere a melhor média histórica”, diz. Per­guntado pelo DM sobre qual fator colocou o Estado no topo no ran­king no ensino de língua portu­guesa e matemática, Oliveira dis­se que o “investimento em escola integral, qualificação e qualidade dos professores são ações” que somaram para que a educação básica goiana fosse taxada como modelo. “É importante reconhe­cer que os alunos goianos estão fazendo a lição de casa”, finali­za o superintendente executivo.

GERAL

Segundo o ministro da Educa­ção Rossieli Soares, a baixa qua­lidade do ensino constatado em outros Estados prejudica a forma­ção dos estudantes – mais da me­tade dos alunos tem dificuldade em realizar operações matemá­ticas e reconhecer a informação mais relevante em uma reporta­gem jornalística, por exemplo. “O ensino médio brasileiro revela­do pelo Saeb 2017 é um desastre. O desempenho insuficiente dos nossos estudantes, edição após edição da avaliação, confirma a importância das mudanças que trouxemos com o Novo Ensino Médio”, diz o ministro.

Já o presidente Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno de Araújo, criticou o programa Novo Ensino Médio, que tem como ob­jetivo alterar a Base Nacional Co­mum Curricular (BNCC). Para ele, a maioria das escolas sequer pa­rou para ler e discutir a medida que visava alterar as diretrizes da educação básica. “Teve sistema estadual que fez seminário fecha­do para os que trabalham dentro da Secretaria de Educação pode opinar, algo bem restrito”, diz.

Além disso, continua Araú­jo, houve escolas que não reuni­ram equipe, mas pôs professores para responder formulários. “O Brasil é um país continental e di­versos, eles (o governo) precisam entender que as coisas não fun­cionam assim, apenas por um comando de Brasília. Um abuso e um golpe este dia D que eles inventaram”, afirma. “Não hou­ve debate. O que foi para as es­colas foi um filme feito pelo go­verno, que faz uma leitura rasa da BNCC e não traz os funda­mentos da base curricular que não tem legitimidade”

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